Os trabalhadores da concessionária da mina de Neves-Corvo vão fazer uma nova greve em março, pois fracassou esta sexta-feira “uma reunião de conciliação”, em Lisboa, entre o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM) e a administração da Somincor.

“A reunião de conciliação [realizada hoje no Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social] deu em nada. A administração da Somincor manteve a sua posição negocial inflexível e os trabalhadores não podem pactuar com esta atitude, pelo que vão fazer greve a 5, 7 e 9 de março”, disse à agência Lusa o dirigente do sindicato, Jacinto Anacleto.

A decisão dos trabalhadores para convocarem uma nova greve em março tinha já sido tomada em plenários realizados na quarta e na quinta-feira da semana passada, devido à “ausência de uma proposta palpável” por parte da administração da Somincor para resolver o conflito, reiterou o dirigente sindical.

“Como a reunião de conciliação deu em nada, os trabalhadores [da Somincor] voltam a fazer greve e em três dias intercalados”, disse à Lusa Jacinto Anacleto, lembrando ainda que se trata da “primeira paralisação” desde o início do ano e a “quarta desde outubro do ano passado”.

Entre os meses de outubro e dezembro de 2017, os trabalhadores deste complexo mineiro fizeram três greves, as quais levaram a paragens na extração e na produção de minério em Neves-Corvo.

Segundo o sindicalista as reivindicações passam pelo “fim do regime de laboração contínua” no fundo da mina, “humanização” dos horários de trabalho, antecipação da idade da reforma para os funcionários das lavarias, progressão nas carreiras, revogação das alterações unilaterais na política de prémios e pelo “fim da pressão e da repressão” na empresa.

No final de janeiro, o STIM já tinha admitido retomar a greve no complexo mineiro, por considerar insuficiente o “aumento de 35 euros” proposto pela administração para “o subsídio de horário de 4/4 (quatro dias de trabalho, quatro de descanso)”.

O grupo sueco-canadiano Lundin Mining, tinha então falado em adiar as obras do projeto de 260 milhões de euros para expandir a produção de zinco na mina de Neves-Corvo, por causa das “perturbações laborais” e possíveis novas greves.

A Somincor, no entanto, disse na altura que o grupo continuava “a investir em projetos de prospeção e de desenvolvimento” com vista à descoberta de novos depósitos de minério que pudessem vir “a representar uma extensão” da vida da mina de Neves-Corvo além de 2029.

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