Os republicanos que pertencem ao comité sobre os Serviços Secretos da Câmara dos Representantes, no Congresso, anunciaram na noite de segunda-feira que não encontraram qualquer prova de que tenha havido conluio entre a campanha presidencial de Donald Trump e a Rússia.

“Em suma: os russos, de facto, levaram a cabo medidas ativas contra a nossa eleição em 2016 e pensamos que irão fazê-lo no futuro. Discordamos da narrativa de que estariam a tentar ajudar Trump“, resumiu K. Michael Conaway, congressista republicano que lidera a investigação, citado pelo New York Times. “Não encontrámos quaisquer provas de conluio. Encontrámos, talvez, julgamentos errados e reuniões pouco próprias“, declarou o Representante aos jornalistas, numa conferência de imprensa.

Só Tom Clancy ou Vince Flynn ou outras pessoas como eles é que podem pegar nesta série de contactos involuntários, ou encontros, ou lá o que foi, e transformar isto numa espécie de thriller de ficção de espiões”, acrescentou, referindo-se a dois conhecidos autores de romances policiais e de livros sobre espionagem.

O Presidente Donald Trump apressou-se a reagir. No Twitter, escreveu em maiúsculas que o comité “não encontrou qualquer prova de conluio ou coordenação entre a campanha de Trump e a Rússia”.

Já os democratas da Câmara dos Representantes não se mostraram nada satisfeitos com o anúncio dos colegas republicanos. “Ao acabar com o seu poder de supervisor na única investigação autorizada na Câmara, a maioria colocou os interesses de proteção do Presidente acima dos interesses de proteção do país. A História irá julgar duramente as suas ações”, disse Adam B. Schiff, representante democrata no comité.

Conaway, republicano presidente do comité, anunciou que preparou um relatório de 150 páginas que será entregue aos democratas esta terça-feira. Segundo a CNN, o documento afirma que a investigação concluiu haver “concordância com as considerações da comunidade dos Serviços Secretos, excepto no que diz respeito à suposta preferência de Putin pelo candidato Trump”.

Essa conclusão, explicam os jornalistas da cadeia de televisão norte-americana, contradiz diretamente as conclusões que tinham sido apresentadas por três organismos de informação — CIA, FBI e NSA –, que em janeiro de 2017 afirmaram que “o Governo russo queria aumentar as hipóteses do Presidente-eleito Trump sempre que possível, descredibilizando a ex-secretária de Estado Clinton e contrastando-a de forma desfavorável face a ele”.

Três outras investigações prosseguem

O comité, relembra o New York Times, nunca chegou a ouvir testemunhas centrais como o ex-diretor de campanha de Trump Paul Manafort, o antigo conselheiro nacional Michael Flynn ou o antigo conselheiro de campanha George Papadopoulos, todos eles atualmente acusados pelo conselho de investigação especial liderado pelo procurador-especial Robert Mueller.

A investigação da Câmara dos Representantes esteve desde o início envolta em polémica. O antigo presidente da comissão, o republicano Devin Nunes, acabou por se afastar do cargo depois de os democratas o terem acusado de não ser isento. Tal não impediu que tivesse acabado por ser tornado público um documento onde Nunes acusava o FBI de usar métodos de vigilância abusivos, a que se seguiu um outro documento — este dos democratas — que contrariava as conclusões de Nunes sobre a agência de segurança.

A investigação do comité da Câmara dos Representantes chega assim ao fim, mas outras investigações a possíveis ligações da campanha Trump ao Kremlin mantêm-se. No Senado continuam as investigações do comité dos Serviços Secretos do Senado, que o Politico garante estar a funcionar com muito maior colaboração entre os dois partidos, e do comité Judicial do Senado. Para além disso, prossegue a investigação do procurador-especial Mueller, que já conseguiu que 19 dos acusados se declarassem como culpados.