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Parque das Nações

Marina do Parque das Nações sem estratégia 20 anos depois de inaugurada

A Associação Náutica da Marina do Parque das Nações considera que há "necessidade de adaptar a marina à realidade de agora, em 2018, e não à realidade que foi pensada em 1998".

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

Inaugurada por altura da Expo’98, há 20 anos, a Marina do Parque das Nações, em Lisboa, permanece sem estratégia e desadequada à realidade atual, diz a Associação Náutica da infraestrutura, que pede uma renegociação do contrato de concessão. “A Marina do Parque das Nações viveu os últimos seis anos sem estratégia, sem de facto poder olhar para o futuro e decidir o que fazer”, desde que foi decidida a extinção da Parque Expo, disse à agência Lusa o presidente da Associação Náutica da Marina do Parque das Nações (ANMPN).

A extinção formal da empresa criada em 1993 para construir, explorar e desmantelar a Expo’98 foi anunciada para o final de 2016, cinco anos depois de a então ministra do Ambiente, Assunção Cristas, ter anunciado o fim, a prazo, daquela empresa pública que ficou responsável pela gestão urbana da agora freguesia do Parque das Nações. Na opinião de Paulo Andrade, existe agora a “necessidade de adaptar a marina à realidade de agora, em 2018, e não à realidade que foi pensada em 1998, na altura da exposição, há cerca de 20 anos a esta parte”.

“Na altura pensava-se em ter uma marina com cerca de mil lugares, com o edifício Nau dedicado às atividades da marina, e as duas bacias a funcionar. E chegou-se à conclusão de que de facto o mercado não cresceu tanto como se esperava, e há que olhar para o contrato de concessão e refazê-lo de uma forma diferente daquela que foi a inicial”, explicou à Lusa.

Para a ANMPN, o novo contrato de concessão deverá ter em conta três realidades, para o equipamento “voltar a ter futuro”. A primeira prende-se com a “bacia sul, onde está neste momento a marina, e pensar de facto apenas nesta área para a dinamizar, adaptando a realidade à procura local”. Quanto à bacia norte, a associação entende que “não tem sentido” continuar a pensá-la “como uma extensão da bacia sul, porque efetivamente a bacia sul é suficiente” para acolher as embarcações que procuram aquela infraestrutura.

Desta forma, seria possível voltar a olhar para projetos que já foram apresentados, “e que não tiveram possibilidade de andar porque não estavam de acordo com o contrato de concessão”, elencou Paulo Andrade, apontando que “alguns deles [eram] bastante interessantes e que efetivamente permitiam uma dinâmica muito grande na bacia norte, e uma atratividade subjacente”.

A terceira realidade a ter em conta, segundo a ANMPN, é o edifício Nau, que “de acordo com o contrato de concessão, está dedicado apenas a atividades ligadas à marina”, o que “deixou de fazer sentido”. Para a associação, “o seu objeto social tem de ser mais abrangente”, para “abarcar outras atividades que permitam dinamizar este espaço”.

Porém, “neste momento, não vejo nenhum concessionário, nenhuma entidade, nenhuma empresa que venha pegar na situação em que isto está por mais 10 anos, porque nunca ia ter o retorno do investimento”, defendeu Paulo Andrade. Outro dos problemas que a marina enfrenta é a necessidade de “manutenção periódica, nomeadamente o desassoreamento”.

“A marina neste momento tem grande parte da bacia sul que está assoreada, precisa de um trabalho de manutenção frequente, de modo a criar condições para a operação da marina”, precisou o presidente. Também ouvido pela Lusa, o presidente da Associação de Moradores e Comerciantes do Parque das Nações defendeu que, com a extinção da Parque Expo, “a marina está neste momento em terra de ninguém”, e é “um bacalhau com asas”, dada a “indefinição total” que atravessa.

Figueiredo Costa falou também num mau cheiro que se sente quando “há baixa-mar e se começam a ver as lamas”, e numa “grande preocupação em termos do desenvolvimento económico” daquela zona da cidade. “Isto aqui esteve sempre planeado para estar rodeado quer de lojas, quer de cafés, quer de ambiente porque tem as infraestruturas todas para, quer o comércio, quer o turismo terem um potencial de desenvolvimento aqui enorme, e sem atividade na marina não há nada à volta”, precisou Figueiredo Costa.

A Marina do Parque das Nações chegou a estar encerrada e sem gestão durante oito anos, tendo reaberto em 2009. Depois de anos de abandono e processos em tribunal, o equipamento voltou a acolher a atividade náutica na sequência de um investimento de 14 milhões de euros. A Lusa tentou marcar uma entrevista com a administração da Marina do Parque das Nações, mas não obteve resposta.

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