Até aqui, os desportivos fabulosos da Lamborghini eram todos feitos em Sant’Agata Bolognese, na fábrica do construtor. Dos chassis aos motores, tudo era italiano, apesar da gestão alemã da marca, ou não estivesse ela integrada no Grupo Volkswagen. E não deve ser barato conceber um chassi tão sofisticado como o de um Aventador, para depois ser fabricado em tão pequenas quantidades, o mesmo acontecendo com os imponentes motores V10 ou V12 atmosféricos que animam os coupés da Lamborghini, com mais de 700 cv. É o preço a pagar pela exclusividade e reputação. Mas o Urus, com as suas características únicas de SUV, veio alterar as regras do jogo e fazer maravilhas às finanças do fabricante italiano.

Pela primeira vez com o Urus, a Lamborghini pode recorrer ao banco de órgãos das restantes marcas do grupo, com o SUV a recorrer à mesma plataforma utilizada pelo Audi Q7, Porsche Cayenne, Bentley Bentayga e o próximo Volkswagen Touareg. Como se isto não bastasse, em matéria de redução de custos, até o motor V8 Turbo é o mesmo que podemos encontrar nos Audi, Bentley e Porsche, só que no Urus aparece numa versão mais “puxada”, fruto da magia dos técnicos de Sant’Agata. Dos 550 cv que debita na versão Turbo do Panamera e do Cayenne, o 4.0 V8 sobrealimentado “cresceu” para uns bem mais impressionantes 650 cv – são 100 cv que fazem toda a diferença na altura de acelerar, separando a mítica Lamborghini da mais acessível Porsche.

Embora recorra ao mesmo chassi e mecânica, a Lamborghini vende o Urus por valores muito superiores, bastando ver que, em Portugal, se o Cayenne Turbo é proposto por cerca de 190 mil euros, o SUV da Lambo é proposto por um valor base de 250.000€, apesar de todos os clientes o carregarem de opções até superarem os 300 mil. Mas se a marca está orgulhosa do Urus, de que pensa para o ano fabricar 3.500 unidades, tantas quanto o Aventador e Huracán juntos, não tenciona descansar sobre o louros e promete continuar a evoluir a sua gama de modelos capazes de circular em estrada de terra.

Stefano Domenicali, o CEO, confirmou o que já se sabia: que a Lamborghini irá muito em breve passar a propor uma versão ainda mais potente, mas substancialmente mais económica do Urus, que será híbrida plug-in, mais outra estreia para o fabricante transalpino. A mecânica será similar à que utiliza o Panamera Turbo S E-Hybrid, em que o motor 4.0 V8 Turbo está associado a um eléctrico de 136 cv, para atingir um total de 680 cv. Contudo, o 4.0 V8 Turbo do Urus já fornece mais 100 cv do que quando está montado na Porsche, pelo que é bem possível que o Urus PHEV venha a rondar 780 cv, mantendo assim a liderança dentro do grupo, no que respeita à potência.

Domenicali informou ainda que foi complexa a decisão de entrar no mercado dos SUV, mas assegurou que o Urus será o modelo mais pequeno que a Lamborghini irá fabricar neste segmento. Como os mercados árabe e americano têm necessidade de SUV de maiores dimensões, especialmente com mais espaço no banco traseiro, é possível que, quando a Lamborghini decidir alargar a gama do Urus, seja por aí o caminho.