Rui Patrício enviou esta manhã a rescisão unilateral de contrato com o Sporting para Alvalade, que surge logo à cabeça assinada com o dia de ontem, 31 de maio, e um pormenor: o dia é a única parte manuscrita ao longo do documento, dando a entender que tudo estaria preparado para a medida não se sabendo apenas quando a mesma daria entrada. Ao longo de 34 páginas, o guarda-redes expõem vários argumentos para a decisão, que incluem SMS de Bruno de Carvalho, presidente dos leões, para os jogadores, bem como publicações no Facebook e conversas que teve com o grupo sobretudo desde janeiro.

Rui Patrício já rescindiu contrato de forma unilateral com Sporting

“Considero que uma sucessão de factos imputáveis à Sporting Clube de Portugal, Futebol SAD são violadores das obrigações legais e contratuais que impendem sobre esta SAD, na qualidade de minha entidade empregadora, sendo os mesmos atentatórios da minha dignidade profissional e pessoal, tendo, além disso, colocado em causa a minha segurança e integridade física, fazendo-me temer pela vida e, sobretudo, inviabilizando as condições mínimas para exercer a minha atividade de jogador profissional de futebol ao serviço da Sporting Clube de Portugal, Futebol SAD”, começa por destacar na missiva a que o Observador teve acesso, antes de fazer o enquadramento legal para a tomada de posição unilateral.

O início da “pressão inaceitável” após o empate em Setúbal

A partir daí, Rui Patrício baliza o mês de janeiro deste ano como o início de uma “pressão inaceitável em todos os jogadores e na equipa, insinuando que os maus resultados seriam responsabilidade de falta de profissionalismo dos jogadores”. Para isso, o guarda-redes coloca como prova SMS enviadas para si por Bruno de Carvalho enquanto capitão de equipa, após o empate do Sporting em Setúbal (1-1) consentido nos descontos com um penálti convertido por Edinho.

Video. A zanga de Coentrão e o lance do penálti que deu o empate ao Vitória de Setúbal frente ao Sporting

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“Eu sou o presidente. Como tal, tenho de estar ao vosso lado nos bons e maus momentos. Mas eu também sou profissional e adepto deste clube que amo. Este resultado colocou-me num estado de nervos que não merecia. Tive de ser assistido no hospital. Eu não mereço, a minha família, que precisa de mim, não merece e os sportinguistas não merecem (…) Bem sei que nada se perdeu hoje sem ser dois pontos mas a verdade é que colocámos em tristeza profunda milhões de pessoas que só querem de vocês ser felizes. Que hoje tenha sido a nossa última frustração deste ano. Que a partir de agora só consigamos dar alegrias (…) Eu dou o que tenho e o que não tenho e não posso ter maus dias ou gerir bem e mal. Eu para colocar o Sporting onde está agora tive de nunca errar, lutar até quase à morte todos os dias, não permitir falhas e gerir cada desafio que tenho como uma batalha para vencer sempre pois só ganhando sempre se ganha a guerra. Chega! Vamos todos juntos lutar sem mais desculpas ou falhanços. Temos mais de três milhões e meio de pessoas a sofrer por nós. É nosso único dever dar-lhes felicidade! Atitude e compromisso para atingir a glória”, escreveu.

A falha na ação planeada para o jogo em Alvalade com o Rio Ave

De seguida, o número 1 fala também de uma SMS enviada para os capitães após o encontro com o Rio Ave, que o Sporting até venceu mas deixou o presidente leonino visivelmente agastado por, num episódio explicado na altura pelo Observador, ter havido uma falha numa ação de solidariedade que deveria ter começado nesse jogo que servia também para homenagear Peyroteo. “Boa noite. E depois dizem-me que eu não defendo o grupo. Vocês são uns convencidos que não respeitam nada nem ninguém. Agora podem ir mostrar isto ao grupo, ficarem amuados mas realmente é uma deceção as vossas atitudes. Quanto ao jogo, feliz pela exibição, plena de atitude e compromisso. Um dia importante dedicado aos pais e ao enorme Peyroteo (…) Mas hoje era também o início de uma ação de solidariedade que os jogadores decidiram ignorar. Aqui não existem toupeiras, emails estranhos, jogos pagos para perder, vouchers, frutas ou seja lá o que for, mas temos de ter sentido de respeito pelos adeptos e pelo clube. Ganhar jogos é bom, mas faz parte de servir este clube. Mas isso não esconde tudo nem servirá de desculpa para este tipo de atitudes (…) Um dia que tinha tudo para ser um grande dia mas que fica manchado e não existia razão para isso. Eu vivo 24 horas para este clube. Amo-o com todas as minhas forças. Não posso assistir de forma impávida e irresponsável a estes atos de vedetismo”, enviou Bruno de Carvalho, referindo-se a uma iniciativa que deveria ter ocorrido na altura da fotografia do onze inicial onde os jogadores fariam com as mãos o símbolo do coração (como as restantes modalidades fizeram) para a Fundação Sporting.

Um recado mal recebido, uma indireta nas entrelinhas, uma reunião adiada: os bastidores da crise do Sporting

O próprio Rui Patrício admite que a iniciativa não foi feita “por uma mera distração”, mas acrescenta que, sem que a SAD tenha falado com os jogadores, foram movidos processos disciplinares por causa do sucedido.

O impacto do post a seguir à derrota em Madrid (e as suas consequências)

Próximo passo na argumentação: o que se passou depois da derrota em Madrid frente ao Atlético por 2-0. Recuperando o post de Bruno de Carvalho após o encontro, o guarda-redes e (antigo) capitão do Sporting refere que foi logo pedida uma reunião com o presidente leonino, algo que ficou para o dia seguinte ao jogo com o P. Ferreira.

“Em vez de 11, fomos nove”. Bruno de Carvalho faz a sua “crónica” e critica vários jogadores do Sporting

“Os jogadores ficaram incrédulos e fizeram ver a André Geraldes que consideravam a situação muito grave porque entendiam que o presidente tinha, publicamente, humilhado a equipa, entendendo que não estavam verificadas condições para que a equipa pudesse desempenhar a sua missão em condições mínimas aceitáveis”, explica. Como nada mudou, avançaram para o comunicado partilhado por cada um nas redes sociais. Antes, o líder enviou uma SMS para Rui Patrício e William.

Boa tarde. Após o jogo do Paços vamos ter a conversa mais séria que vocês tiveram na vida. Tenho quatro filhas e não tenho paciência para amuos ou falsos profetas. Vão perceber de vez o vosso lugar. Crianças amuadas não pertencem ao Sporting a não ser o da Covilhã. Abr”.

Plantel do Sporting critica Bruno de Carvalho com mensagem partilhada por todos os jogadores

“Os jogadores limitaram-se a manifestar a sua dedicação ao clube, o seu empenho em obter as vitórias desejadas, a pedir apoio À equipa e a manifestar o seu desagrado pelas críticas públicas daquele que devia ser o líder e o maior empenhado na agregação do grupo (…) Todavia, a resposta que veio do presidente não podia ser mais ofensiva da dignidade dos jogadores, completamente destituída de sentido e inaceitável”, salienta Rui Patrício, a propósito do post em resposta de Bruno de Carvalho onde chama, entre outras críticas, “meninos mimados”, acrescentando que todos os que partilharam a mensagem estariam suspensos. Nesse mesmo dia, por volta das 23 horas, os jogadores começaram a receber uma nota de culpa de abertura de procedimento disciplinar que falava da situação no jogo do Rio Ave e no comunicado que tinha sido partilhado pelos atletas. Rui Patrício acrescenta depois que, umas horas depois, foi enviado um outro email que notificava o levantamento dessa mesma suspensão.

Bruno de Carvalho suspende todos os jogadores contestatários, a quem chama “meninos amuados”

Nesse mesmo sábado, seguindo a argumentação do guarda-redes e capitão, alguns jogadores foram sendo contactados de manhã pela Direção e pelo próprio Bruno de Carvalho para retirarem essa publicação da véspera; à tarde, o plantel encontrou-se em Alvalade numa reunião com Jorge Jesus, André Geraldes e do líder leonino, “que estava visivelmente exaltado com ‘ar de ditador’, alucinado e visivelmente tresloucado. “Acusou-me a mim e ao William de sermos os organizadores do protesto, por querermos sair do clube há muito tempo”, aponta, prosseguindo: “A postura física do presidente, principalmente em relação a mim, foi sempre de enorme agressividade, reiterando várias vezes que eu e o William é que organizávamos a revolta dos outros para podermos sair do clube. Inúmeras vezes, dirigindo-se a mim aos berros, afirmou: ‘Pensas que estás a falar com quem?'”.

“Sempre que eu tentava referir que o que se devia discutir era o ataque do presidente ao grupo de trabalho, este reafirmava que os seus posts não tinham nada de mal, chegando mesmo a afirmar: ‘Vocês são uns meninos mimados, eu sou o presidente, eu faço o que quiser e escrevo o que quiser, onde quiser’. E, depois de uma troca de palavras com William Carvalho, em que discutiram o facto de o Presidente estar a incentivar reações agressivas contra os jogadores, este afirmou que se lhe quisesse bater não precisava de chamar ninguém! Ou seja, toda a reunião decorreu num ambiente ameaçador!”.

Muitos jogadores ameaçaram não jogar nem treinar. “Sentiam-se ameaçadas, desprotegidos, a temer piores consequências”, diz Patrício. Ainda assim, todos seguiram para Academia e, mais tarde, voltaram a encontrar-se com um Bruno de Carvalho “mais calmo” mas que queria, ainda assim, saber apenas o porquê da publicação e não recuar no que tinha dito. “E mesmo quando o treinador, Jorge Jesus, lhe disse: ‘Você disse que vinha aqui para pedir desculpas…’, o presidente o que respondeu foi: ‘Pedir desculpas, eu não fiz nada de mal…’, vitimizando-se, dizendo que ‘No final da época eu vou-me embora, vou para junto da minha família, nada mais importa, está aqui o rei – referindo-se a Jorge Jesus – e eu vou-me embora, para junto da minha família, que é o mais importante, que gosta de mim’. E antes de se ir embora terminou dizendo: ‘Vou tirar a suspensão, o mister pode convocar quem quiser, é o rei do clube, mas os processos vão continuar’. Ou seja, em todos estes episódios se manteve a humilhação e o desrespeito pela dignidade profissional e pessoal dos jogadores, a par de uma conduta de condicionamento da sua atuação e da sua liberdade, através da manutenção de procedimentos disciplinares sem qualquer fundamento”, conta, antes de acrescentar o novo post colocado no dia seguinte, quando a equipa ia sair para Alvalade para o encontro com o P. Ferreira, e a conferência de imprensa de Bruno de Carvalho após o triunfo por 2-0.

O dia em que um jogo de futebol se jogou sem bola nas bancadas (a crónica do Sporting-P. Ferreira)

A seguir a este ‘episódio’, o presidente do Sporting Clube de Portugal, Futebol SAD deixou de fazer comentários na sua página de Facebook, sucendendo-se, no entanto, as entrevistas a denegrir o plantel, criticar… e manipular a opinião pública. Este é o sentimento comum aos jogadores. A verdade é que, desde então, nunca mais houve qualquer diálogo entre os jogadores e o presidente da Sporting Clube de Portugal, Futebol SAD”, resume a certa altura Rui Patrício.

A entrevista de Bruno de Carvalho e a derrota na Madeira

Enquanto o Sporting ia somando vitórias (Atl. Madrid, FC Porto, Boavista e Portimonense), o guarda-redes descreveu um ambiente que “foi sempre mau, mas sem a agressividade anterior”. Recorda depois o nulo no dérbi com o Benfica onde houve uma chuva de tochas para a sua baliza após o apito inicial do encontro, a viagem para a Madeira, “um jogo de grande tensão, contra uma equipa difícil e no terreno desta”, e a entrevista ao Expresso do presidente verde e branco, onde voltou a falar dos jogadores e do treinador. “Depois, foi o que se sabe. A equipa jogou nervosa e acabou por perder o jogo”.

O poder do Benfica, a liderança de Jesus e a fama de maluco: a entrevista de Bruno de Carvalho ao Expresso

Existem a partir daqui alguns pontos desconhecidos em relação a tudo o que aconteceu na Madeira, nomeadamente a presença do antigo chefe da Juventude Leonina, Fernando Mendes, mais dois elementos que andavam à procura de Acuña. “Nessa altura, o jogador Rodrigo Battaglia pediu calma, alegando que o jogo já acabara, e ao inquirir porque é que a claque tinha colocado aquelas mensagens no final do jogo e não mensagens de apoio desde o início, gerou-se uma troca de argumentos, com os membros da claque a dizerem que faziam o que queriam, que os jogadores tinham era de jogar. Foi um momento de grande tensão e de provocação. Eu e o William, como capitães, tentámos acalmar a situação, mas houve mesmo quem afirmasse ‘Na próxima semana fazemos-vos uma visita’. Tudo isto foi presenciado por dirigentes da Sporting SAD”, destaca.

Jogadores do Sporting insultados por adeptos. PSP teve que intervir

“Acresce que, já em Lisboa, após a viagem da Madeira, os jogadores tinham adeptos à espera no aeroporto que gritavam palavras de apoio a Bruno de Carvalho. Seguiu-se, já na garagem do estádio reservada aos jogadores, a perseguição de adeptos e vários insultos, especialmente dirigidos aos capitães e aos jogadores Battaglia e Acuña com quem se tinham pegado no aeroporto da Madeira. Não deixa, aliás, de ser curiosa a entrada de adeptos na garagem dos jogadores, uma vez que se trata de um espaço fechado ao público e protegido! Certo é que, nunca, em momento algum, a Direção do Sporting condenou a atuação das claques e adeptos, quer publicamente, quer em privado, junto dos jogadores, que foram vítimas desses atos”, prossegue.

Adeptos tentaram agredir Rui Patrício e William Carvalho na garagem do Estádio de Alvalade

No dia seguinte, o plantel foi de novo chamado a Alvalade para mais uma reunião e é nesse momento que Rui Patrício acaba por confirmar que, “antes da reunião com os jogadores, o presidente da Sporting Clube de Portugal, Futebol SAD reuniu com a equipa técnica e informou-os que o Sporting não contaria mais com eles”, numa ideia utilizada para adensar o clima de falta de estabilidade em torno do grupo de trabalho: “O presidente da Sporting Clube de Portugal, Futebol SAD não informou os jogadores da conversa que tinha tido com a equipa técnica e teve, com os jogadores, uma conversa, toda ela, de teor estranho”.

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“O presidente da Sporting Clube de Portugal, Futebol SAD começou por perguntar se estavam todos bem, acrescentando: ‘Aconteça o que acontecer, estão preparados para jogar no fim de semana?’. Depois virou-se para o jogador Acuña e disse-lhe: ‘Acuña, porque fizeste aquilo ao chefe da claque? Logo a ele, tenho um problema tremendo, estiveram a ligar-me a noite toda, os gajos da claque, a dizer-me que te queriam apanhar, que queriam a tua morada …’. Acuña respondeu dizendo que se podiam resolver as coisas falando, mas o presidente da Sporting Clube de Portugal, Futebol SAD respondeu-lhe em tom evasivo: ‘Tenho um problema tremendo, vou tentar resolver a situação…’. De seguida perguntou de novo aos jogadores ‘Esta semana, aconteça o que acontecer; vocês estão preparados para ir a jogo?’ e acrescentou: ‘Se houver algum problema liguem-me, para mim ou para o Geraldes, se houver algum problema estou aqui para resolver; eu estou aqui sempre para vocês'”, refere.

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“Os jogadores consideraram o teor da conversa e a calma do presidente da Sporting Clube de Portugal, Futebol SAD, contrastando com o habitual nos últimos meses, muito estranha! Acresce que, nessa reunião, os jogadores foram surpreendidos com a antecipação do treino de quarta-feira para terça-feira. O presidente da Sporting Clube de Portugal, Futebol SAD terminou a reunião dizendo que estava tudo tranquilo: ‘Amanhã vão treinar à Academia e preparar bem o jogo para ganhar a Taça’. E disse ainda que nessa semana iria à Academia, mas ainda não sabia quando. Na terça-feira, 15 de maio de 2018, Jorge Jesus informou alguns jogadores que tinha sido suspenso na reunião do dia anterior e que ia dizer isso a todos jogadores no treino, mas como não havia nota de culpa, manter-se-ia no exercício das suas funções. Quando chegaram à Academia, os jogadores ainda acharam anormal que o team manager André Geraldes, que estava sempre na Academia em dias de treino, não estivesse presente. Estando o treino de campo marcado para as 18 horas, enquanto o técnico se encontrava no campo a preparar ‘as coisas’ para o treino, pelas 17h os jogadores foram ao ginásio. Quando acabaram o trabalho de ginásio, foram para o balneário para se equiparem e foi nessa altura que, de repente, começaram a entrar homens encapuçados para dentro do balneário, agredindo os jogadores, elementos da equipa técnica, médica, funcionários e gritando expressões atemorizantes”, descreve sobre a antecâmara do ataque.

Os momentos de terror vividos na Academia durante o ataque

Nesta altura, Rui Patrício volta a fazer o relato dos momentos que viveu nesse período, destacando uma ideia que é comum a muitos outros jogadores: Acuña, Battaglia, William e o número 1 eram os alvos dos invasores da Academia nessa tarde. “De notar que o Gelson reparou, já depois de ter terminado o ‘ataque’, que tinha recebido uma mensagem de um adepto, seu conhecido e da claque, a avisar que os agressores estavam a chegar para fazer merda!!! Não existiram quaisquer dúvidas, muito menos para os jogadores, que os agressores eram elementos da claque Juve Leo”, destaca, num outro pormenor desconhecido.

Os alvos definidos, o conhecimento da Academia, o medo de retaliações: os pontos chave dos relatos dos jogadores do Sporting

“É manifesto que o referido ataque na Academia não foi uma conduta isolada e imprevisível que pudesse escapar à capacidade de previsão dos dirigentes da Sporting Clube de Portugal, Futebol SAD mas antes um acontecimento não só perfeitamente previsível de se verificar,  como até sucessivamente provocado, tornando por isso mesmo ainda mais inaceitável a ausência de qualquer dispositivo de segurança. Com efeito, estamos perante factos que de forma muito clara apontam para que se tratou de uma ação preparada, concertada, e que era previsível, não tendo a Sporting Clube de Portugal, Futebol SAD agido da forma que lhe era exigida para evitar o sucedido e para garantir a condição de segurança dos jogadores. Acresce que, além do mais, as condutas acima descritas do presidente da Sporting clube de Portugal, Futebol SAD foram adequadas a criar nos adeptos e em particular nas claques sentimentos exacerbados contra os jogadores, que já tinham tido afloramentos em momentos próximos. A verdade é que, fatores ‘estranhos’ concorrem para criar, ainda, uma sensação de desconfiança relativamente ao sucedido e a atuação da Sporting Clube de Portugal, Futebol SAD em todo o acontecimento”, frisa, pormenorizando com alguns factos mais concretos: “Com efeito, desde logo, é estranho que o treino tenha sido antecipado, e mais estranho, ainda, que o ‘assalto’ se tenha dado no exato momento em que os jogadores se encontravam no balneário, evitando, assim, a dispersão que aconteceria se estivessem no campo. Estranho, também, é que os assaltantes soubessem dirigir-se sem hesitações para os balneários da equipa principal, que muito pouca gente sabe onde ficam. Estranho, ainda, que os ‘assaltantes’ conseguissem percorrer uma distancia tão grande sem que tivesse havido qualquer aviso a prevenir os jogadores do ‘ataque’.

Acuña, Patrício, William e Battaglia. Estes eram os alvos da fúria dos adeptos que invadiram a Academia do Sporting

Patrício recupera as palavras de José Diogo Salema, ex-responsável pela segurança da Academia, e as declarações de Bruno de Carvalho à Sporting TV, rematando com o principal propósito da missiva: “Estamos, pois, perante uma conduta de negligência grosseira (se é que não se vem a averiguar que foi até mais do que isso) que confere justa causa de resolução do contrato de trabalho, atento ao estabelecido no artigo 394.º, n.º 2, alíneas b) e d) do Código do Trabalho (…) É inequívoco que foram violados os meus mais elementares direitos, legais e contratuais, e que não fui tratado pela Sporting Clube de Portugal, Futebol SAD com o respeito devido a um colaborador, que não me foram dadas, por esta, as condições necessárias para o exercício da minha profissão, que fui alvo, por esta, de uma conduta de assédio, que visou condicionar-me, hostilizar-me e limitar-me na liberdade, nomeadamente de expressão, que não me foram asseguradas as condições de segurança para exercer a minha atividade”.

Estou de consciência tranquila. Considero-me um profissional irrepreensível, sei que dei o máximo ao Sporting Clube de Portugal, sempre e em cada momento, no sentido de contribuir para o sucesso nas diversas competições em que a nossa equipa esteve envolvida. Sei da grandeza do clube e do desejo de vitória que une todos os seus adeptos. Fiquei feliz nas vitórias e frustrado na hora das derrotas. Se mais não fiz, foi porque não consegui. Entretanto, o representante máximo da SAD criticou-me publicamente, ofendeu-me, suspendeu-me, acusou-me, processou-me (…)”

“Face a todos os factos supra relatados, que consubstanciam, por um lado, uma conduta continuada de violência psicológica, que colocam em causa a minha dignidade pessoal e profissional e que contribuíram para a degradação, por facto imputável ao empregador, das minhas condições de trabalho; e, por outro lado, perante os factos ocorridos na Academia de Alcochete, que colocaram em risco a minha integridade física (e mesmo a vida), nada tendo sido feito pelo empregador para o evitar, não tendo sido asseguradas as condições de segurança que se impunham face ao momento que se vivia a data, revela-se totalmente insustentável a subsistência da relação de trabalho. Com efeito, não se pode exigir a uma pessoa que, durante meses, e de forma continuada, foi desrespeitada pelo presidente da Sporting Clube de Portugal, Futebol SAD, tendo visto variadíssimas vezes questionado o seu profissionalismo, cuja reputação foi colocada em causa na praça pública, que foi alvo de agressões no seu local de trabalho, que após este facto não teve qualquer apoio da sua entidade empregadora e que ainda viu insinuado pelo responsável máximo da mesma que os factos foram despoletados pelos próprios jogadores (entre os quais me incluo), mantenha o seu vinculo contratual, porquanto é óbvio que tal manutenção se revela insustentável”, remata na parte final da carta enviada.

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