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Lionel Messi completa este domingo 31 anos. Mas o jogador do Barcelona não vai, com toda a certeza, ter um dia de aniversário de sonho. Depois do empate com a Islândia e a derrota pesada com a Croácia, a seleção argentina atravessa um período conturbado e pode ficar fora do Mundial da Rússia já na fase de grupos: depois de ter sido finalista em 2014. O plantel argentino, que inclui os “portugueses” Acuña, Salvio e Battaglia acredita que a responsabilidade pertence inteiramente a Jorge Sampaoli, o selecionador.

De acordo com a imprensa argentina, os jogadores exigiram uma reunião no hotel com Sampaoli, o corpo técnico e o presidente da federação argentina de futebol, Claudio Tapia. Javier Mascherano, antigo jogador do Barcelona a atuar atualmente na China, terá sido o líder da insurgência do plantel e exigiu que o selecionador nacional saísse ainda antes do jogo com a Nigéria, já na próxima terça-feira. Jorge Burruchaga, campeão do mundo pela Argentina em 1986 e atual diretor desportivo da seleção, será o preferido dos jogadores para suceder a Sampaoli.

Foi Ricardo Giusti, outro dos elementos da equipa campeã do mundo em 86 e amigo próximo de Burruchaga, que revelou a intenção dos jogadores. “Os jogadores querem construir a equipa. Disseram ao Sampaoli e ao Tapia que vão ser eles a escolher a equipa. O Sampaoli pode sentar-se no banco, se quiser, mas não vai importar. Não vai ter nada a ver com ele”, garantiu o antigo jogador do Independiente.

Sampaoli deve deixar o comando técnico da seleção argentina depois do Mundial

Além do conflito instalado entre plantel e treinador, a tensão entre os próprios jogadores é muita e existem opiniões contraditórias. Na mesma noite em que exigiu a reunião com Sampaoli e Tapia, Mascherano ter-se-á envolvido num conflito físico com Cristian Pavón, avançado argentino do Boca Juniors, depois de este ter culpado o guarda-redes Willy Caballero pelos golos sofridos contra a Croácia.

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Jorge Sampaoli foi muito criticado por ter renegado a defesa a quatro – usada contra a Islândia – e se ter decidido por uma linha defensiva com três elementos na derrota com a Croácia. Para o plantel, esta decisão terá sido a prova final de que o selecionador nacional não tinha qualquer estratégia planeada. Apesar da exigência dos jogadores, Sampaoli terá mesmo recebido o voto de confiança da federação argentina e vai manter-se ao comando da seleção até ao final da participação no Mundial. Ainda assim, terá recebido a garantia de que será dispensado assim que o Campeonato do Mundo terminar para a Argentina.

Já este domingo, numa conferência de imprensa que juntou Mascherano, Tapia e ainda o jogador Lucas Biglia, o presidente da federação argentina criticou a comunicação social e garantiu que “muito do que tem sido publicado é mentira”. “Os treinos que têm acontecido são uma clara demonstração de que muito do que tem sido publicado é mentira. Este é o nosso único compromisso. Todos vos entendemos, a comunicação social, matam-se por serem os primeiros, mas, meninos, acompanhem a seleção, apoiem-na”, disse Claudio Tapia.

O presidente da federação argentina acrescentou ainda que a comunicação social constitui “o quarto poder mas existem diferentes maneiras de exercer o poder”. “Com esta função que vocês têm de poder comunicar, transcendem, distorcem e instalam rumores”, atirou Tapia.

A Argentina defronta a Nigéria esta terça-feira: para se apurar para os oitavos-de-final do Mundial da Rússia, tem de vencer, esperar que a Islândia não vença e ainda depende da diferença de golos.

(artigo atualizado às 11h45 com as declarações de Claudio Tapia em conferência de imprensa)