A cozinha pan-asiática do Boa-Bao chegou ao Porto há pouco mais de um mês, mas já faz com que se alinhem filas de pessoas, na Rua da Picaria, à espera de mesa. A culpa não é do espaço, com mais de 120 lugares. É mesmo da comida. A receita não mudou – o menu e o conceito são réplicas dos de Lisboa. A novidade está na dimensão do restaurante, com cerca de 300 metros quadrados, que permitiu criar uma ampla área a descoberto para refeições, um segundo bar e uma sala mais intimista, que se eleva no espaço exterior.

É, aliás, o espaço exterior que mais conquista os clientes. Os vários guarda-sóis coloridos, a música de fundo, a decoração descontraída (cheia de elementos asiáticos) e o ambiente aconchegante convidam as pessoas a ficar mesmo depois da refeição, nem que seja a petiscar ou a beber um cocktail. Nem os dias chuvosos borram a pintura – uma cobertura de vidro desliza de dentro do edifício, abrigando as dezenas de mesas — e não faltam mantinhas polares.

O espaço enche os olhos, mas é a “autenticidade da comida que o distingue dos restaurantes do mesmo género”, confia Joana Babo, gerente do restaurante do Porto:

Em princípio, comer um pad thai aqui é o mesmo que comer um na Tailândia, porque fazemos as receitas originais, não fazemos nenhuma fusão. Aliás, importamos muitos ingredientes para conseguirmos mantermo-nos o mais fiéis possível às receitas.”

E, para evitar a importação de alimentos que se dão no clima português, o restaurante do Porto até está a fazer uma pequena horta urbana com alguns dos ingredientes das suas receitas, como a beringela tailandesa, o manjericão tailandês e o pepino doce.

Mas voltemos à comida. Quem começa uma refeição no Boa-Bao começa “uma viagem”, é esta a filosofia apresentada pela casa. À entrada, caso não haja mesa disponível, é-lhe dado um “boarding pass” com dicas para cocktails e aperitivos que pode petiscar antes de chegar a sua vez. Depois, já à mesa, recebe o “passaporte” das bebidas – que é tão semelhante a um original que já fez com que uma turista o trocasse pelo seu por engano – e vários menus, dependendo se tem ou não alguma restrição alimentar.

Há um menu exclusivo para os vegans, outro para os que não podem comer glúten e outro ainda que descreve todos os alergénios presentes nos pratos. Depois, é só escolher por que destinos se quer aventurar – Tailândia, Vietname, Cambodja, Malásia e China são apenas algumas das opções. Mas não precisa de escolher apenas um: “No Boa-Bao, o menu é para partilhar. As pessoas quase nunca pedem um prato para elas próprias. Vem um grupo de amigos, a mesa fica cheia de comida, toda a gente prova, os talheres sujam-se, as mãos também.”

As chamuças vegetarianas (bem picantes) com chutney de coentros e hortelã (7,5€) e as tiras fritas de carne de vaca seca (8,5€) são as entradas mais populares do Boa-Bao, mas são os caris e os pad thai que têm dado nome à casa. Em particular, o caril amarelo da malásia de tofu ou de camarão (15 ou 16€) pode ser uma surpresa pelo seu paladar doce, evidente aroma de côco e por incluir batata – uma ideia um quanto estranha à maioria dos portugueses, habituados ao caril indiano.

Para terminar a refeição, pode optar por uma das sobremesas favoritas da casa – crème brûlée de côco com manjericão e erva príncipe (6€) ou, se quiser algo mais fresco, carpaccio de ananás (6,5€). A viagem pode ser acompanhada por cocktails de autor, todos eles pensados com ingredientes asiáticos (cerca de 10€) ou por uma simples laranjada com açafrão feita na casa (2,50€). Comer uma refeição completa – entrada, prato principal, sobremesa e bebida – custa à volta de 30 euros. Mas esteja atento: de tempos a tempos, há menus especiais, que duram apenas um par de dias, como já aconteceu no restaurante de Lisboa na celebração do ano novo chinês ou no dia dos namorados. Aí, a carta muda radicalmente e novos sabores são postos em cima da mesa.

Porque a casa costuma estar cheia, e há que evitar contratempos, o espaço tem algumas regras pré-definidas: não aceitam reservas nem grupos maiores de 10. Por outro lado, se quiser levar o seu amigo de quatro patas para o espaço, é mais do que bem-vindo – até há tacinhas próprias para dar de beber ao cão ou gato.

Se quer evitar filas-de-espera, mas se quer visitar o espaço a um fim-de-semana, o melhor é chegar mais cedo para o almoço (antes das 13h) e para o jantar (antes das 20h30). Mas fica a dica – durante a semana e ao almoço, o espaço é menos concorrido. O Boa-Bao está aberto entre as 12h e as 23h30, de domingo a quarta-feira, e fecha à 00h30, de quinta a sábado. Tem take away e, em breve, terá entrega a casa.

No futuro, prevê-se o nascimento de um terceiro e até um quarto restaurante. O projeto que uniu um casal, Gregg e Nathalie, a Chris Gielen, um chefe belga com muita experiência em cozinha asiática, e que se estreou em terras lusas, quer conhecer o país vizinho e instalar-se em Barcelona e Madrid nos próximos dois anos.

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