Alterações Climáticas

Douro tenderá a deslocar vinhas para zonas altas devido às alterações climáticas

282

As alterações climáticas vão afetar o Douro, que tenderá a deslocar as vinhas para zonas mais elevadas e a apostar em castas mais resilientes à falta de água e ao aumento da temperatura.

DANIEL GIL/LUSA

As alterações climáticas vão afetar o Douro, que tenderá a deslocar as vinhas para zonas mais elevadas e a apostar em castas mais resilientes à falta de água e ao aumento da temperatura, segundo o plano intermunicipal  apresentado esta quinta-feira. O Plano de Ação Intermunicipal para as Alterações Climáticas no Douro (PAIAC Douro) apresentado esta quinta-feira em Tabuaço, distrito de Viseu, quer contribuir para o aumento da resiliência e a mitigação dos riscos neste território da Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro), que junta 19 municípios.

Na região já se notam alterações a nível do clima. No ano passado foi a seca extrema e, este ano, as chuvas fora de tempo em junho e julho estão a criar condições para a propagação de doenças que afetam a vinha.

As projeções climáticas apontam para uma diminuição da precipitação média anual no final do século XXI nos países do Sul da Europa, para secas mais frequentes e intensas, para ondas de calor e o aumento de fenómenos extremos, em particular de precipitação muito intensa e, logo, mais episódios de cheias e inundações.

Os impactos futuros das alterações climáticas tenderão a afetar de forma transversal todo o Douro, realçando-se os prejuízos para as atividades económicas, como a agricultura, o aumento dos custos de produção de bens e de serviços e o aumento dos custos com seguros. Por isso, a agricultura, nomeadamente a viticultura, que é a principal atividade económica da região, é destacada neste plano de ação, que aborda ainda outros setores importantes como o turismo, a segurança e a saúde das populações.

Na área da viticultura prevê-se que as alterações climáticas, por causa do aumento da temperatura e as secas mais intensas e frequentes, provoquem quebras na produção, o aparecimento de novas doenças e pragas e o aumento dos riscos com acidentes climáticos associados à frequência e intensidade das vagas de calor, como é o caso do escaldão das uvas.

Uma das medidas previstas no PAIAC é a elaboração de um plano de ação para as alterações climáticas do Alto Douro Vinhateiro. De acordo com o já estipulado no plano de ação, as principais medidas de adaptação passam pela deslocalização das vinhas para latitudes mais elevadas, ou seja, para zonas mais altas e frescas, o que poderá transformar parte da atual paisagem classificada pela UNESCO.

O Douro terá ainda que apostar na seleção de materiais vegetais mais adaptados ao ‘stress’ térmico e hídrico, e na alteração de práticas culturais e de sistemas de condução, de forma a otimizar e reduzir o consumo de água pela cultura e, assim, aumentar a eficiência do uso da água.

O plano aponta ainda a diversificação da produção para tirar proveito da antecipação da fenologia (uva de mesa ou uva para passa), a instalação de porta enxertos mais resistentes à carência hídrica, pela adequação das estratégias de rega deficitária em vinha, e por um maior controlo das pragas e doenças.

Relativamente à olivicultura, uma produção também importante para o Douro, prevê-se uma antecipação do início do ciclo vegetativo e também perdas de produção, pelo que a alteração das práticas culturais como a rega, fertilização, controlo fitossanitário, pode ajudar a mitigar os efeitos das alterações climáticas. Os impactos poderão também sentir-se a nível do turismo na região, na medida em que previsivelmente desencadearão algumas modificações, como a perda de biodiversidade ou a degradação da paisagem.

Apesar dos impactos negativos, o plano identifica também oportunidades que se traduzem no desenvolvimento de novas, ou complementares, ações que reduzam a sensibilidade e a exposição da região ao clima, que permitam tirar proveito de alterações nas condições climáticas, ou que possam passar por mudar de atividade ou alterar práticas. Com o PAIAC pretende-se que a região seja “conhecedora dos potenciais impactos das alterações climáticas e “capaz de transformar os seus desafios em oportunidades para o desenvolvimento social, económico e ambiental do Douro”.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)