Há centenas de doentes oncológicos que continua à espera que o Estado os ajude a pagar uma prótese dentária, depois de os tratamentos a cancros de cabeça e pescoço terem originado a perda dos dentes, avança a edição impressa do Jornal de Notícias.

Orlando Monteiro tem 64 anos e está à espera de ajuda há quase um ano. Fez tratamentos de rádio e quimioterapia e, antes da imunoterapia, os dentes e próteses que tinha estragaram-se. Nem ele nem a esposa têm possibilidades financeiras para suportar novas próteses e, por isso, pediram ajuda ao Estado.

O despacho que em 2016 foi publicado em Diário da República pelo gabinete do secretário de Estado Adjunto e da Saúde prevê um programa-piloto em oito hospitais públicos no Grande Porto, em Coimbra e Lisboa para a “introdução progressiva de incentivos à colocação de próteses que permitam a reabilitação oral” dos doentes. No entanto, segundo Ana Castro, presidente do Grupo de Estudos de Cancro da Cabeça e Pescoço, disse que “há centenas de pessoas à espera” que este despacho seja cumprido.

A colocação de prótese nos doentes oncológicos é um processo diferente da simples compra e pedido de reembolso. Tratam-se de próteses com especificidades, cuja colocação tem de ser acompanhada no hospital. E aqui surge outro problema: os hospitais não sabem onde adquirir essas próteses nem como fazer esse procedimento e já pediram esclarecimentos ao ministério.

No Centro Hospitalar do Porto e no de Gaia/Espinho, ainda não foi colocada qualquer prótese dentária. Só ali, “há mais de 100 pessoas à espera”, acrescenta Ana Castro em declarações ao JN. O Ministério da Saúde não confirmou se já foi paga ou não alguma prótese desde a data da publicação do despacho.