Além do polémico prédio de Alfama, que comprou a meias com a irmã por 347 mil euros, remodelou por 650 mil e colocou à venda por 5,7 milhões num prazo de quatro anos, Ricardo Robles é proprietário de um apartamento no centro de Lisboa. E tal como agora passou para propriedade horizontal e apenas para o mercado de arrendamento a sua parte do edifício Rua Terreiro do Trigo, também está à procura de alguém a quem arrendar o piso onde antes vivia na rua do Conde de Redondo, confirmou o Observador no local, junto de uma pessoa que estava no imóvel a mostrá-lo a potenciais arrendatários.

No exterior, há ainda um anúncio do portal imobiliário Casa Sapo que não deixa dúvidas. “Arrenda-se”, lê-se em letras maiúsculas, para provar que a casa continua livre e à procura do próximo inquilino, numa zona nobre da cidade, onde a procura não pára de crescer. O valor que o vereador do Bloco de Esquerda na Câmara de Lisboa pede de renda mensal é de 1300 euros, confirmou o próprio.

Era nesse apartamento na Rua do Conde de Redondo, que o autarca bloquista vivia até há pouco tempo, de acordo com a morada que consta na sua declaração de rendimentos, apresentada por Ricardo Robles ao Tribunal Constitucional a 17 de novembro de 2017, e que o Observador consultou. Já na declaração de rendimentos apresentada no este ano, o autarca mudou a morada, para uma situada na freguesia de Avenidas Novas.

Contactado pelo Observador para saber se este apartamento, situado na freguesia de Santo António, estava vazio, arrendado a particulares ou tinha qualquer outro uso, Ricardo Robles confirmou que era o seu “local de residência até dia 1 de maio” e que já comunicou “esta alteração [de morada] ao Tribunal Constitucional”.

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“Neste momento, [a casa] está vazia”, acrescentou ainda o vereador do Bloco de Esquerda, referindo-se ao dito apartamento que habitou na Rua de Conde de Redondo.

[O apartamento] era o meu local de residência até dia 1 de maio, já tendo comunicado esta alteração ao Tribunal Constitucional. Neste momento, está vazia”, disse Ricardo Robles ao Observador.

Num primeiro contacto por parte do Observador, o vereador não deu mais informação acerca do apartamento, nomeadamente sobre o facto de estar à procura de um arrendatário para o mesmo. Na conferência de imprensa que deu esta sexta-feira para prestar esclarecimentos sobre a polémica da compra e venda do prédio de Alfama, em conjunto com a irmã, que lhe poderiam valer mais-valias de 4 milhões de euros em apenas quatro anos, Robles detalhou que, da sua parte, tinha deixado cair a intenção de venda e apenas iria fazer o arrendamentos das frações a que tem direito, mas nunca mencionou a existência deste segundo apartamento que também tem para arrendar.

Contactado uma segunda vez pelo Observador, Robles acabou contudo por confirmar que era o proprietário do apartamento e que está, de facto, também à procura de um arrendatário para o mesmo. E foi nesse momento que adiantou também que pede 1300€ por mês de renda, mas que não o arrendou ainda a ninguém desde que saiu de lá, em maio.

Trata-se de um apartamento T3 que foi declarado pelo vereador do Bloco na Câmara de Lisboa com o pelouro da Educação e dos Direitos Sociais nas duas últimas declarações de rendimentos ao Tribunal Constitucional, em 2017 e 2018, e entretanto já corrigida este ano. Tem um piso e cinco divisões, 85 metros quadrados e um valor patrimonial avaliado em 65.700 euros.

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Nessas declarações de rendimentos, o bloquista têm também declarado o prédio de Alfama que comprou em 2014 à Segurança Social por 347 mil euros e que depois chegou a ter à venda numa imobiliária especializada em imóveis de luxo, apesar de ser um acérrimo crítico da especulação imobiliária, uma das principais batalhas do seu partido.

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O prédio, que comprou com a irmã com recurso a empréstimos, foi avaliado pela agência em 5,7 milhões. A ser vendido, o imóvel poderia ter uma mais-valia bruta a rondar os 2 milhões de euros para cada um. Robles viria a retirar o prédio do mercado, seis meses mais tarde, passando o prédio para propriedade horizontal. “Esta decisão não foi especulativa. Não venderei a minha parte do imóvel e colocarei as minhas frações no mercado de arrendamento. Compreendo as razões da minha irmã para não voltar e arrendar”, justificou Robles na conferência de imprensa, desta sexta-feira.

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