Em declarações à RTP, por telefone, o Presidente da República, afirmou que tem “acompanhado permanentemente” a situação de Monchique. “O que me chega de Marvão é que [o incêndio] está a ser combatido com perspetivas favoráveis. Em relação à frente sul, a informação que tenho é que o fogo ladeou e dirigiu-se para a barragem de Odelouca. A ser assim, pode significar que a progressão seja menor e que a preocupação que havia de poder atingir o núcleo urbano pode não ocorrer. Foi essa a perspetiva última que me deram”, disse.

Sobre as mudanças em relação ao combate aos fogos face ao ano passado, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que a maioria das ocorrências, quer em número, quer em envergadura, “foram de muito menor gravidade”. “Há concentração numa situação específica. Tem havido uma preocupação e uma capacidade de resposta muito forte e sobretudo uma prevenção das instituições e das populações que tem resultado.”

Ainda sobre essas diferenças, continuou: “Se olhar para os meios que estão a ser utilizados, há uma diferença muito significativa. Uma estrutura diferente, em zonas mais críticas, como era do Algarve. Há uma concentração de meios mais variados que é muito diferente do que se viveu [no ano passado]. E uma prevenção por parte dos portugueses muito diferente em relação aos incêndios”.

O Presidente da República insistiu ainda neste aspeto da prevenção: “Estamos no começo de agosto e os portugueses têm dado um exemplo de cidadania. O cuidado das populações é impressionante, o que significa que estão autoconfiantes e despertas aos primeiros sinal. E isso é bom. E vamos esperar para ver se isto que se passou agora, neste dia, vai continuar até ao final de agosto. Tenho acompanhado permanentemente o que se passa e a preocupação de resposta imediata é grande. Estão 900 operacionais em Monchique, é uma coisa brutal. Uma situação que não tem nada a ver com o ano passado.”

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Por estes dias, Marcelo Rebelo de Sousa passa férias nas zonas afetadas pelos incêndios de outubro do ano passado. E foi também sobre essa região que falou à RTP: “Há marcas físicas, isto não é homogéneo, há zonas onde demora mais tempo. As pessoas reagiram muito bem, estão a tentar resolver as coisas, na agricultura, na indústria no dia a dia. Há um problema que está a recuperar lentamente, que é o turismo. É um processo lento. O meu grande apelo é que aqui se acelere o ritmo.”

O Presidente garantiu ainda que não se vai deslocar a Monchique. “Estou informado a cada momento que passa”, esclareceu. “Felizmente não tem havido vítimas, o risco não se tem concretizado. E a comissão independente considerou negativa a minha ida ao terreno [no ano passado] porque pode ter prejudicado as operações. E eu estou atento a isso.”