Cinema

“Homem-Formiga e a Vespa”: querida, encolhi e aumentei tudo!

A continuação de "Homem-Formiga", com Paul Rudd e Evangeline Lilly, é o mais estrambólico, inventivo, enérgico e divertido filme de super-heróis do ano. Eurico de Barros dá-lhe quatro estrelas.

Autor
  • Eurico de Barros

As vespas voam e picam e pronto. Mas há uma vespa especial que, além de voar, dá murros, pontapés e faz acrobacias, muda de tamanho e usa um uniforme muito sugestivo. É a super-heroína interpretada por Evangeline Lilly em “Homem-Formiga e a Vespa”, de Peyton Reed, que emparceira aqui com Paul Rudd, o Homem-Formiga do título, nosso conhecido quer do primeiro “Homem-Formiga” (2015), do mesmo realizador, quer de “Capitão América: Guerra Civil” (2016). Juntos, e levando o Dr. Hank Pym (Michael Douglas), pai da Vespa, a reboque, mais o seu laboratório instalado num prédio devoluto que tanto tem o tamanho normal como está metido numa mala com rodinhas, eles protagonizam o mais estrambólico, inventivo, enérgico e divertido filme de super-heróis do ano.

[Veja o “trailer” de “Homem-Formiga e a Vespa”]

A protecção e a união da família são a cola do atarefado enredo de “Homem-Formiga e a Vespa”. Scott Lang/Homem-Formiga, condenado a prisão domiciliária, tem que cumprir os seus deveres de pai para com a filha Cassie, e ajudar Hope Van Dyne/A Vespa e o pai a resgatar do mundo quântico a Dra. Janet Van Dyne, mãe daquela, mulher deste e a Vespa original, onde se perdeu nos anos 80. Ao mesmo tempo, Scott tem que evitar que o FBI perceba que não está em casa a cumprir a pena, e acompanhar Hope e o Dr. Pym no combate a inimigos comuns: um grupo de bandidos cujo líder quer apoderar-se da tecnologia do Dr. Pym, e uma misteriosa super-vilã, a Fantasma, que sofre de tremeliques moleculares, está a perder a consistência e precisa daquela tecnologia para não desaparecer de vez.

[Veja a entrevista com Paul Rudd]

A acção, a espectacularidade e a comédia de “Homem-Formiga e a Vespa” assentam na invenção genial do Dr. Pym: a capacidade de miniaturizar ou de aumentar pessoas, animais ou objectos, desde prédios inteiros a formigas. Daí que o filme e os seus protagonistas andem numa constante, estonteante e hilariante jigajoga entre o minúsculo e o gigante, o micro e o macro, o muito pequeno e o muito grande, o estica e o encolhe, proporcionando sequências como a da perseguição pelas ruas de São Francisco que pisca ao olho à do clássico “Bullitt”, de Peter Yates, e envolve carros de tamanho normal e miniaturas da Hot Wheels, aquela em que um Homem-Formiga tamanho XXL persegue um “ferry” nas águas da baía de São Francisco, ou ainda  a do mergulho no mundo quântico em busca da Dra. Van Dyne.

[Veja a entrevista com Evangeline Lilly]

Pondo os efeitos digitais ao serviço do enredo em vez de fazer deles a razão de ser de “Homem-Formiga e a Vespa”, Peyton Reed realizou um filme de super-heróis descontraído, gozado e que nunca se leva muito a sério. E onde os super-heróis ora têm o tamanho “standard”, ora são micro ou macro, dependendo das peripécias que recheiam o argumento, no qual o próprio Paul Rudd participou. Se o primeiro “Homem-Formiga” já era bom, “Homem-Formiga e a Vespa” é ainda melhor. E é também um raro exemplo de um filme de super-heróis que, muito longe de de ser sisudo ou pretensioso, comunga plena e jovialmente do espírito da comédia “slapstick” clássica e dos desenhos animados, não deixando de cumprir com as exigências da acção aparatosa do género (ver o combate no hotel entre a Vespa e os bandidos).

[Veja a entrevista com Michael Douglas]

Paul Rudd num Homem-Formiga que de vez em quando se atrapalha, mete a pata na poça e passa por algumas humilhações em termos de tamanho, e Evangeline Lilly numa Vespa que tem tanto de “sexy” como de inteligente e combativa, lideram um elenco abrilhantado pelos veteranos Michael Douglas e Michelle Pfeiffer, e onde Michael Peña e a sua dupla de ajudantes fornecem amplo apoio cómico. Sem esquecer Walter Goggins no líder chungoso dos vilões, Randall Park no agente do FBI chóninhas e Laurence Fishburne no Dr. Bill Foster, protector secreto da instável Fantasma de Hannah John-Kamen. E há ainda uma data de formigas crescidinhas que são pau para toda a obra, desde tocar bateria a dar assistência técnica ao Dr. Pym, passando por participar em operações de comandos em terra e no ar.

[Veja a entrevista com o realizador Peyton Reed]

Desta vez, a Marvel acertou em cheio. “Homem-Formiga e a Vespa” é entretenimento de primeira água do infinitamente pequeno ao gigante (nem a ficha técnica final, cheia de “gags”, escapa), o filme de super-heróis recomendado a quem não gosta de filmes super-heróis. Que o diga o autor destas linhas, que não volta a pisar uma formiga nem a enxotar uma vespa sem primeiro pensar duas vezes.

[Veja uma sequência do filme]

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