O Governo não vai pedir à Web Summit que retire o convite já endereçado a Marine Le Pen, líder da Frente Nacional. Numa nota de imprensa, citada pelo Dinheiro Vivo, o Ministério da Economia deixa claro que não vai interferir com o alinhamento de oradores escolhido pela organização do evento. Segundo o comunicado, o Governo “não tem, como em outros eventos, intervenção na seleção de oradores”.

Na mesma nota, o ministério liderado por Manuel Caldeira Cabral garante que o Governo de António Costa está “empenhado no acolhimento deste evento privado”, dado o “impacto” que o mesmo tem no país. “A Web Summit é um evento tecnológico e de inovação, com milhares de oradores, que atrai anualmente a Portugal dezenas de milhares de empreendedores e investidores. Trata-se de um fórum alargado de discussão de tendências de mercado, cujo alinhamento – oradores e programa – é da exclusiva responsabilidade da organização”.

Esta terça-feira o fundador da Web Summit, Paddy Cosgrave, admitiu retirar “imediatamente” o convite feito a Marine Le Pen caso essa fosse a vontade do anfitrião do evento, isto é, a vontade do Governo português. “Se os nossos anfitriões em Portugal, o governo português, nos pedirem para cancelar o convite de Marine Le Pen, iremos, evidentemente, respeitar esse pedido e fazê-lo imediatamente”, escreveu o irlandês num longo texto que publicou no Medium, logo depois da polémica que envolveu publicamente deputados como o socialista João Galamba e o eurodeputado Rui Tavares.

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O Bloco de Esquerda exigiu, também na passada terça-feira, que o Governo e a Câmara de Lisboa tomassem uma posição tendo em conta o convite a Marine Le Pen, considerando inaceitável a utilização de dinheiros públicos para passar mensagens de xenofobia e racismo.

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“Estes oradores não são convidados para falar sem serem contestados, são convidos a dar as suas opiniões que são desafias e escrutinadas por um jornalista profissional. Além disso, estão sentados num painel, rodeados de vozes alternativas e autoritárias que vão contestar abertamente os pontos de vista extremos destes oradores. Tem sido sempre assim e também vai ser assim com Marine Le Pen”, defendeu ainda Paddy Cosgrave.