Web Summit

PSD não veta Le Pen mas sugere que PS e Bloco retirem apoio à Web Summit

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O PSD não quer interferir nos convites da Web Summit, mas diz que se PS e BE estão incomodados com a presença da líder da Frente Nacional só têm um caminho na CML: "Retirar patrocínio à Web Summit".

SEBASTIEN NOGIER/EPA

O presidente da concelhia do PSD/Lisboa, Paulo Ribeiro, disse ao Observador que o partido não se pronuncia sobre a presença da líder da Frente Nacional, Marine Le Pen, na Web Summit, uma vez que o encontro é um “evento privado, com organização privada” e, por isso, “é a organização que decide quem convida ou deixa de convidar”. Ainda assim, Paulo Ribeiro — líder da concelhia que coordena a ação política dos vereadores por Lisboa — acrescenta que “se a esquerda, o PS e o Bloco de Esquerda, que têm maioria na câmara, estão incomodados com a presença de Le Pen só têm uma opção: ou patrocinam a vinda e assumem isso ou retiram o patrocínio ao evento“.

O PCP, através do gabinete de imprensa dos vereadores na CML, afirma em declarações ao Observador que “só pode merecer condenação que a pretexto da Websummit  – uma cimeira que promovida a partir de uma dimensão tecnológica afinal expressa os interesses e objetivos do grande capital – se promova a  ideologia e figuras proeminentes da extrema-direita”. Para o PCP este “facto [é] tão mais inaceitável quando se está perante uma iniciativa realizada em Portugal com apoios públicos.”

O Bloco de Esquerda — que faz parte da maioria no executivo municipal — exigiu já esta terça-feira que o Governo e a Câmara Municipal de Lisboa tomem posição sobre o convite da Web Summit a Le Pen. A deputada e dirigente bloquista Isabel Pires considerou que “não é aceitável que dinheiros públicos possam ser utilizados para, na verdade, ajudar Marine Le Pen a ter mais uma plataforma para passar mensagens de xenofobia e de racismo, como é a sua linha política.” Apesar de reconhecer o direito da Web Summit a escolher de forma de independente os convidados, Isabel Pires exige um debate político que permita vedar a participação de Marine Le Pen.

Vários dirigentes do Bloco começaram desde logo a criticar a vinda de Marine Le Pen. O dirigente e antigo candidato à câmara de Loures, Fabian Figueiredo, acusou a Web Summit de estar “apostada em contribuir para a normalização da extrema-direita” e considerou o convite da organização “um insulto” aos portugueses.

Também o dirigente e deputado José Manuel Pureza criticou a escolha da Web Summit e aproveitou para mandar uma “bicada” a António Costa.

Mais longe foi o deputado socialista e ex-porta-voz do PS, João Galamba, que prometeu mesmo agir para impedir a presença de Marine Le Pen no Web Summit. “Não se juntam, não, que a gente não aceita. Normalização de fascistas já ultrapassa em muito o aceitável”, atirou o socialista.

A eurodeputada socialista Ana Gomes também já comentou esta terça-feira o assunto, dizendo que “não é tolerável”, acusando a Web Summit de estar “numa de normalizar o fascismo”.

Existe também já uma petição a correr para impedir a participação de Marine Le Pen Web Summit. A associação SOS Racismo emitiu um comunicado na segunda-feira a dizer, sobre a ida de Marine Le Pen ao evento, que “não se trata de escolher entre liberdade de expressão e censura, mas sim, entre a democracia e o ódio racial”. No mesmo comunicado a SOS Racismo “condena o convite a Marine Le Pen” e “exige a retirada do convite à líder da extrema-direita francesa e que todas entidades envolvidas na organização do WebSummit tomem publicamente posição”.

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