Web Summit

Paddy Cosgrave: “Se o Governo pedir para cancelarmos o convite a Marine Le Pen, cancelamos imediatamente”

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O fundador da Web Summit admitiu esta terça-feira que se o Governo português quiser que a Web Summit retire o polémico convite a Marine Le Pen, que a organização o faz "imediatamente".

ANTONIO COTRIM/EPA

O fundador e presidente da Web Summit, Paddy Cosgrave, admitiu esta terça-feira que se “os anfitriões” da conferência em Portugal lhe pedirem para cancelar o convite que fez a Marine Le Pen– líder do partido francês de extrema direita Frente Nacional –, que ele o fará “imediatamente”.

“Se os nossos anfitriões em Portugal, o governo português, nos pedirem para cancelar o convite de Marine Le Pen, iremos, evidentemente, respeitar esse pedido e fazê-lo imediatamente”, escreveu o irlandês num longo texto que publicou no Medium, logo depois da polémica que envolveu publicamente deputados como o socialista João Galamba e o eurodeputado Rui Tavares.

O nome de Marine Le Pen apareceu na semana passada entre os 1200 oradores da Web Summit, a maior conferência de empreendedorismo e tecnologia da Europa, que decorre em Lisboa entre 5 e 8 de novembro, mas desapareceu logo depois, quando começaram a surgir as primeiras críticas públicas. Na segunda-feira, regressou outra vez, mas até à data, ainda ninguém da Web Summit tinha falado publicamente sobre o assunto, apesar das amplas críticas e da petição que já foi lançada pela SOS Racismo para evitar a vinda de Le Pen a Lisboa.

No longo texto que publica no Medium, Paddy Cosgrave diz que a conferência tecnológica “é um lugar onde as pessoas devem estar preparadas para ter suas opiniões profundamente desafiadas e, por sua vez, desafiar profundamente as opiniões dos outros” e que a edição do ano passado ficou marcada pela presença de “alguns dos mais poderosos líderes sindicais de esquerda, que representam centenas de milhões de trabalhadores em todo o mundo” e também pelo confronto entre políticos socialistas europeus e investidores liberais de direita. “Web Summit 2018 não será diferente”, escreveu.

Paddy Cograve diz que vão estar presentes na Web Summit mais de 1000 oradores, mas que todos aqueles que têm opiniões consideradas ofensivas terão o seu lugar marcado nos palcos secundários e não no palco principal.

Além disso, e talvez mais importante ainda, é que estes oradores não são convidados para falar sem serem contestados, são convidos a dar as suas opiniões que são desafias e escrutinadas por um jornalista profissional. Além disso, estão sentados num painel, rodeados de vozes alternativas e autoritárias que vão contestar abertamente os pontos de vista extremos destes oradores. Tem sido sempre assim e também vai ser assim com Marine Le Pen.”

O irlandês que fundou a conferência que estima receber 70 mil pessoas em novembro esclarece que, no seu entender, os pontos de vista de Marine Le Pen estão errados. “O facto de mais de 30% dos eleitores franceses a terem escolhido como candidata às mais recentes eleições presidenciais francesas não legitima, na minha opinião, as suas opiniões. Tampouco a ascensão ao poder de políticos semelhantes na Itália, Áustria, Hungria e outros lugares legitima seus pontos de vista repreensíveis”, escreve.

Paddy Cosgrava admite que a “decisão fácil” seria cancelar o convite a Marine Le Pen, mas que optou por não o fazer, porque acredita que “proibir ou tentar ignorar estes pontos de vista, que foram difundidos pela tecnologia, pouco contribui para promover a compreensão”.

A liberdade de expressão é um direito fundamental dentro da União Europeia e uma pedra angular básica de qualquer sociedade democrática”, escreveu Paddy.

O líder da Web Summit termina sublinhando que as suas opiniões sobre os limites aos debates e discussões é determinado pela história única da Irlanda e que até há muito pouco tempo, a “Irlanda tinha estava envolvida num conflito terrorista violento e desumano”.

“A história recente de Portugal é algo diferente e eu estou de mente aberta e sensível a esse facto. Em última instância, os interesses dos nossos anfitriões, Portugal, e do povo português devem ser postos acima dos interesses da Web Summit”, concluiu.

Na edição do ano passado, participaram no evento, segundo a organização, 59.115 pessoas de 170 países, entre os quais mais de 1.200 oradores, duas mil startups, 1.400 investidores e 2.500 jornalistas acreditados. Fundada por Paddy Cosgrave, na Irlanda, em 2010, a Web Summit tornou-se num dos eventos de empreendedorismo e tecnologia mais importantes do mundo.

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