O Partido Trabalhista vai recorrer ao Comité dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas e ao Supremo Tribunal Federal para manter a candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência do Brasil nas eleições deste ano. A decisão foi tornada pública esta segunda-feira por  Fernando Haddad, candidato a vice-presidente na campanha do ex-presidente brasileiro, depois de se reunir com o ex-presidente na superintendência da Polícia Federal em Curitiba durante cinco horas, conta o Estadão.

À saída Fernando Haddad disse aos jornalistas que essa foi uma decisão tomada por Lula da Silva:

 “Hoje nós expusemos ao presidente Lula todas as possibilidades jurídicas que estão à mão, à disposição dele. Ele (Lula) tomou a decisão de peticionar junto a ONU para que se manifeste sobre a decisão das autoridades eleitorais brasileiras (…) e peticionar junto ao Supremo Tribunal Federal. Serão duas petições com pedido de liminar tanto na esfera federal quanto a esfera criminal para que ele tenha o direito de registar sua candidatura dentro do prazo de dez dias”.

A tomada de posição do Partido Trabalhista chega depois de o Tribunal Superior Eleitoral ter decidido que Lula da Silva não se podia recandidatar à presidência do Brasil por ter sido condenado em segunda instância e preso desde setembro no âmbito da Operação Lava Jato. No entanto, o partido quer manter o ex-presidente brasileiro como candidato: “Vamos apresentar os recursos no prazo que o STF nos deu. Vamos apresentar hoje para ONU e amanhã para o Superior Tribunal, com pedido de liminar, que pode ser atendida de pronto. Vamos tomar as providências para garantir que o povo possa escolher o próximo presidente da República”, disse Fernando Haddad.

O Tribunal tinha dado dez dias, até 11 de setembro, para que o partido avance com um novo nome para substituir Lula da Silva, mas Fernando Haddad recusa essa opção. Apesar de ter admitido que vai dar o rosto pela candidatura enquanto Lula estiver preso, o candidato a vice acrescentou: “Sou candidato a vice-presidente, tive a candidatura registada e vou poder figurar até 100% do horário eleitoral. Mas o presidente Lula, mesmo com a decisão tomada, poderá figurar 25% do tempo. Agora vamos esperar a reação do Supremo às nossas demandas”.