A corrida aos eléctricos nem sempre se faz a passo acelerado, sendo a Tesla o melhor exemplo disso, com sistemáticos desvios na chegada dos seus novos produtos ao mercado, seja na data ou no volume previstos. Mas a entrada dos construtores tradicionais neste mercado permitiu mostrar que a companhia norte-americana está longe de ser caso único, no que toca à derrapagem dos prazos. Depois de a Volkswagen ter atirado lá mais a frente a chegada do seu primeiro eléctrico da nova vaga – o I.D. Neo – ao mercado, agora é a vez de a Audi ‘impor’ aos clientes que já reservaram o e-tron um tempo de espera maior do que o originalmente prometido.

Apresentado em meados do mês de Setembro, o primeiro SUV 100% eléctrico do construtor de Ingolstadt deveria chegar a alguns mercados ainda antes do final deste ano, o que permitiria à Audi adiantar-se à sua rival Mercedes, cujo EQC só começará a ser fabricado algures no decorrer do próximo ano. Porém, a marca dos quatro anéis ter-se-á deparado com problemas, com o Bild am Sonntag a avançar que a resolução dos mesmos poderá tardar meses.

Quanto tempo ao certo ainda não se sabe, pois o fabricante fala de “apenas quatro semanas”, embora o jornal alemão tenha uma estimativa menos optimista, no que se apoia em informações veiculadas por fontes conhecedoras do processo. Certo é que a produção do SUV eléctrico da Audi já arrancou em Ghent, Bélgica, mas alegados problemas de software adiam a sua chegada ao mercado. Não são especificados que problemas – em concreto – são esses, falando-se apenas de uma actualização, com um porta-voz da marca a explicar à Reuters que é necessária a aprovação das entidades reguladoras para poder usar software que foi modificado durante o processo de desenvolvimento do modelo.

Convém, no entanto, ter presente que uma actualização de software “menor” é algo que se faz com relativa facilidade, podendo inclusivamente realizar-se nos próprios concessionários da marca, o que não daria azo a atrasos. Para se ter uma ideia de como esta tarefa não é, por regra, complicada, basta lembrar que a Tesla inaugurou a “moda” das actualizações over-the-air, em que são os próprios clientes a fazerem o update do software.

De referir, ainda, que o Bild relata dificuldades nas negociações com a LG Chem, que fornece as baterias para o e-tron e para uma série de outros modelos do grupo VW. Com a elevada procura, a companhia sul-coreana quer cobrar mais 10% pelo seu produto, o que pode representar uma fatia a menos nas margens de lucro, tanto mais que a bateria é a peça mais cara de um veículo deste tipo. A Audi não confirma, mas também não desmente. Simplesmente recusa-se a comentar.