Astronomia

Descoberta super-Terra a orbitar a Estrela de Barnard, a estrela individual mais próxima do Sol

O novo candidato a exoplaneta deverá ser, no entanto, um "mundo gelado e sombrio" que pode ter uma temperatura de -170º C, o que torna pouco viável a vida humana tal como a conhecemos.

Este é o segundo exoplaneta conhecido que se localiza mais próximo da Terra: a apenas seis anos-luz de distância do nosso planeta.

ESO/M. Kornmesser

Foi descoberta uma super-Terra (fora do sistema solar) com pelo menos 3,2 massas terrestres em órbita da Estrela de Barnard, a anã vermelha que mais depressa se desloca no céu noturno e a estrela individual que se encontra mais perto do Sol. Este é o segundo exoplaneta conhecido que se localiza mais próximo da Terra: a apenas seis anos-luz de distância do nosso planeta. A descoberta deste “mundo gelado e fracamente iluminado” foi publicada na revista Nature e resultou das campanhas Pontos Vermelhos e CARMENES, que procuram planetas rochosos próximos.

Através de vários telescópios e de outros instrumentos de alta precisão, incluindo o instrumento caçador de planetas HARPS, desenvolvido pelo Observatório Europeu do Sul, os investigadores descobriram que o exoplaneta orbita a sua estrela 0,4 vezes mais próximo de que a Terra orbita o Sol. No entanto, como se situa perto da linha de neve, a região onde compostos voláteis como a água podem condensar-se em gelo, este “mundo gelado e sombrio pode ter uma temperatura de -170º C, o que o tornaria hostil para a vida tal como a conhecemos”, lê-se no comunicado do observatório. Além de frio, o candidato a exoplaneta é pouco iluminado: a luz lhe lhe é dada pela Estrela de Barnard corresponde a apenas 2% da energia que a Terra recebe do Sol.

Segundo os dados da investigação, um ano neste exoplaneta, denominado de Estrela de Barnard b, corresponde a um período de cerca de 233 dias na Terra. “Após uma análise cuidada, estamos 99% confiantes de que o planeta é real”, afirmou o cientista líder da equipa, Ignasi Ribas (Instituto de Estudos Espaciais da Catalunha e Instituto de Ciências Espaciais, CSIC, Espanha). “No entanto, continuaremos a observar esta estrela rápida para excluir possíveis, mas improváveis, variações naturais do brilho estelar que poderiam ser confundidas com um planeta”, acrescentou, citado em comunicado.

As super-Terras são o tipo mais comum de planeta que se forma em torno de estrelas de pequena massa, como a Estrela de Bernard e, segundo várias teorias, têm na linha de neve o local mais favorável à sua formação.

O HARPS [caçador de planetas] desempenhou um papel vital neste projeto. Combinámos dados de arquivo de outras equipas com medições novas da Estrela de Barnard obtidas por diferentes infraestruturas,” comentou Guillem Anglada-Escudé (Queen Mary University of London), cientista que co-liderou a equipa.

E de que forma os astrónomos encontraram a super-Terra? Através do método da velocidade radial, com o chamado efeito Doppler, utilizado para medir as variações na velocidade da estrela, devido à existência de um planeta na sua órbita. À medida que o planeta orbita a estrela, a sua atração gravitacional faz com que essa mesma estrela também oscile, ainda que ligeiramente: quando se afasta da Terra, o seu espectro desvia-se mais para o vermelho (maiores comprimentos de onda), mas quando se aproxima da Terra, a sua luz é desviada para os azuis (comprimentos de onda menores). Se essas mudanças se verificarem de forma periódica, então significa que algo está regularmente a provocar alterações nos movimentos da estrela. Esse “algo” é um planeta.

Para esta descoberta foram feitas 771 medições ao longo de 20 anos, através de sete instrumentos diferentes, “o que faz desta a maior e mais extensa base de dados alguma vez utilizada no estudo de velocidades radiais muito precisas”, acrescentou Ignasi Ribas.

(Artigo atualizado às 18h48)

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