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Setúbal

Ruínas de Troia tiveram quase 11 mil visitantes no ano passado e reabrem sexta-feira

No ano passado, as ruínas romanas estiveram abertas de março a maio e de setembro a dezembro. Por lá passaram 10.998 visitantes. Este ano reabrem esta sexta-feira com várias atividades.

As ruínas foram alvo de "intervenções de emergência" devido "às tempestades de março do ano passado", disse a arqueóloga Filipa Araújo dos Santos

RUI MINDERICO/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O complexo arqueológico de Troia, em frente à cidade de Setúbal, abre na sexta-feira ao público, prevendo, este ano, um conjunto de atividades culturais e pedagógicas, além da continuação das escavações, disse uma investigadora à Lusa.

As Ruínas Romanas de Troia contabilizaram no ano passado 10.998 visitantes, disse esta quinta-feira à agência Lusa a arqueóloga Filipa Araújo dos Santos.

No ano passado, as ruínas romanas estiveram abertas ao sábado, de março a maio e de setembro a dezembro, e de terça a sábado, de junho a agosto, permanecendo encerradas nos meses de janeiro e fevereiro.

Fazendo um balanço das atividades arqueológicas realizadas em 2018, Filipa Araújo Santos disse à Lusa que uma investigação de emergência “trouxe à luz dados curiosos ainda desconhecidos sobre as fábricas de salga”, e permitiu saber que os romanos já gostavam de “ligueirão”, um molusco que faz ainda hoje parte das ementas dos portugueses, “muito famoso nas localidades próximas da Comporta e Carrasqueira”.

Fomos obrigados a realizar intervenções de emergência, devido às tempestades de março do ano passado, na orla costeira, que colocaram em risco certas áreas do sítio arqueológico. Assim pudemos estudar coisas únicas em fábricas agora descobertas, nomeadamente pequenos tanques cheios de moluscos, popularmente denominado ‘lingueirão’, e ficámos a saber que os romanos de Troia os consumiam”, disse a arqueóloga Filipa Araújo dos Santos.

As intervenções de emergência permitiram também salvar informação sobre “a existência de novas áreas residenciais romanas ainda por explorar, talvez umas novas termas”.

Nestas intervenções a equipa arqueológica de Troia trabalhou com a Universidade alemã de Marburgo.

“No ano que passou, continuámos as escavações no núcleo a que chamamos de Oficina de Salga 4, e parece confirmar-se que, a determinada altura, os romanos os desativaram e os entulharam com os mais diversos materiais, que fornecem mais pistas sobre o povoado”, disse a arqueóloga.

“Os tanques têm restos de mosaico, argamassas, cerâmicas, etc., coisas que estavam a tirar de outro lado, provando talvez que estivessem a fazer grandes obras”, acrescentou. Nesta campanha, a equipa de Troia trabalhou com a American Foreign Academy Research (AFAR).

O complexo arqueológico de Troia tinha identificadas 27 unidades de produção, designadas por oficinas de salga, sendo “o maior complexo industrial de salga de peixe do Império Romano que atualmente se conhece”.

Troia tornou-se uma imagem de marca de um dos produtos mais apreciados no Império Romano, o “garum”, uma pasta de peixe feita das vísceras de atum ou cavala, misturadas com outros peixes.

Atualmente, no complexo de Troia, que floresceu entre os séculos I e VI, são visitáveis duas oficinas de salga de peixe, um mausoléu, uma necrópole, uma zona residencial e um complexo termal.

Este ano, quanto às atividades paralelas às escavações, Filipa Araújo dos Santos afirmou que decorre um projeto pedagógico em escolas dos concelhos de Grândola, Alcácer do Sal e Santiago do Cacém, intitulada “Garum Nostrum”, que culminará numa “grande atividade no dia 01 de junho”, Dia Mundial da Criança.

Para abril, no próximo dia 19, estreia-se nas Ruínas Romanas de Troia a peça “Jogos de Engano”, de Célia Figueira, que também encena, pelo grupo Ensaiarte, do Pinhal Novo. Esta peça baseia-se em “O Doente Imaginário”, de Molière. No dia seguinte realiza-se o Espetáculo Equestre, pela Escola Vitor Rodrigues, que juntará fado e flamenco num único evento.

Em junho está previsto a apresentação de “Cavalo de Fogo”, que a arqueóloga disse estar ainda em criação, e “que juntará diferentes artes da dramaturgia e do espetáculo”.

A mais antiga referência às ruínas data do século XVI, pelos humanistas Gaspar Barreiros e André de Resende.

Em 1850 realizou-se uma campanha de escavações com a criação da Sociedade Arqueológica Lusitana, que realizou trabalhos nas denominadas “Casas da Rua da Princesa” (atual rua residencial, que é visitável).

Entre 1948 e 1969 realizaram-se várias campanhas que levaram à descoberta, entre outros equipamentos, de duas grandes oficinas de salga, de umas termas, de necrópoles e de uma basílica paleocristã.

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