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AMP diz que passe único abre caminho a modelo de transporte gratuito

Para Eduardo Vítor Rodrigues o apoio à redução da tarifa conduzirá ao transporte público gratuito já testado em outras cidades da Europa e falta de qualidade do serviço levou à diminuição do seu uso.

O também presidente da Câmara de Gaia salienta ainda que esta medida representa por si só um aumento da capacidade financeira das famílias

RUI FARINHA/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

O presidente da Área Metropolitana do Porto, Eduardo Vítor Rodrigues, manifestou-se esta quinta-feira convicto de que o passe único, medida em que “poucos acreditavam”, abre caminho à introdução de um modelo de transporte gratuito.

Em entrevista à Lusa, o autarca sublinha que o trabalho desenvolvido desde a Cimeira de Sintra colocou a redução da tarifa como ponto de partida para um trabalho de mudança de comportamento que, garante, não se consegue com um simples “estalar de dedos”.

A preocupação não era apenas a tarifa e não é apenas a tarifa. Estamos no ano de 2019, em que serão lançados os concursos para as novas concessões de transporte e, portanto, havia aqui a possibilidade de juntar uma melhoria da tarifa com uma melhoria da qualidade da frota. Era um trabalho, eu diria, multifacetado que, na altura, muito pouca gente acreditava que pudesse surtir efeito, sobretudo pelo peso financeiro que tudo isto incorporava”, disse.

Para Eduardo Vítor Rodrigues, o apoio à redução da tarifa conduzirá a um novo modelo de transporte público gratuito já testado em outras cidades da Europa.

“O Governo entendeu, no Orçamento do Estado, incluir uma verba muito significativa, 105 milhões de euros, para começarmos este trajeto que eu acredito que começa agora, com o apoio à redução da tarifa e vai acabar daqui a 10/15 anos, com as grandes cidades a evoluir para ao transporte gratuito. É aqui que vamos acabar”, defendeu.

O presidente da AMP lembra que o estudo da mobilidade encomendado pelas duas áreas metropolitanas (Lisboa e Porto) ao Instituto Nacional de Estatística (INE) demonstra “cientificamente” que o número de veículos individuais a circular nas cidades tem aumentado de forma exponencial, enquanto a utilização do transporte público tem diminuído de forma “enorme”, muito por conta da falta de qualidade e fiabilidade da rede.

“Garantidamente com preços mais amigáveis e qualidade do transporte, não tenho dúvidas de que as pessoas preferirão usar o transporte público do que passar o inferno, que é o que passam neste momento nas travessias de Gaia para o Porto, do Porto para Gaia ou para Matosinhos. Têm-se transformado, a cada ano, num pesadelo a ponto de hoje ser muito difícil dizer o que é que é hora de ponta na nossa malha central”, explicou.

O também presidente da Câmara de Gaia salienta ainda que esta medida representa por si só um aumento da capacidade financeira das famílias, já que é superior “a qualquer aumento salarial que pudessem ter este ano, ou até somados alguns anos”.

A poucos dias da entrada em vigor do passe único, Eduardo Vítor Rodrigues desvalorizou as críticas de alguns autarcas do interior, considerando-as “injustas”.

“Para realidades diferentes temos respostas políticas diferentes e é inquestionável que a questão dos transportes é, não diria uma exclusividade, mas pelo menos uma grande especificidade das áreas metropolitanas”, defendeu.

O passe único entra em vigor no dia 01 de abril. Nesta fase, a Área Metropolitana do Porto irá avançar apenas com o passe municipal de 30 euros, para viagens dentro do concelho ou até 3 zonas contíguas, e o passe metropolitano de 40 euros. O passe gratuito para crianças até aos 12 anos estará disponível a partir de setembro.

No âmbito do PART — Programa de Apoio à Redução do Tarifário dos Transportes Públicos, a Área Metropolitana de Lisboa, que tem mais de 464 mil utilizadores dos transportes públicos, irá receber a verba maior, 74,8 milhões de euros, enquanto a Área Metropolitana do Porto, com 177,5 mil utilizadores, vai receber 15,4 milhões de compensação financeira.

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