Os últimos jogos da dupla jornada de arranque da qualificação para o Euro 2020 tinham como cabeças de cartaz, como não podia deixar de ser, a visita de Espanha a Malta e a receção de Itália ao Liechtenstein. Depois de vencerem os primeiros encontros, contra Noruega e Finlândia, respetivamente, espanhóis e italianos voltaram a ganhar e somaram seis pontos em seis possíveis.

A seleção espanhola, que esta terça-feira não contou com a presença do selecionador Luis Enrique — ausente por “motivos de ordem familiar” –, bateu Malta com um bis de Álvaro Morata (0-2). O avançado justificou dessa forma a aposta do antigo treinador do Barcelona que, na antevisão da partida com os malteses, alertou para a necessidade de “dar confiança” ao jogador do Atl. Madrid. Já os italianos golearam de forma inequívoca o modesto Liechtenstein (6-0) e os marcadores foram desde os mais veteranos aos mais inexperientes: Fabio Quagliarella, com 36 anos, apontou dois golos e tornou-se o mais velho de sempre a marcar pelos italianos, Moise Kean, que tem apenas 19, também marcou, e Sensi, Verratii e Pavoletti completaram a “chapa seis”.

Os cabeças de cartaz, como era de esperar, cumpriram e não surpreenderam pela negativa. Os destaques da noite estavam guardados para outros jogos de qualidade teoricamente inferior, mas adrenalina inequivocamente superior. A Suécia recebeu a Noruega e o encontro já tinha muito para contar logo por ser um embate entre duas nações vizinhas e da Escandinávia: mas acabou por ser muito mais do que isso. Os noruegueses colocaram-se em vantagem ainda na primeira parte, com um golo de Bjorn Johnsen, e aumentaram a vantagem já aos 59 minutos por intermédio de Joshua King. Claesson reduziu para os suecos a 20 minutos do final do tempo regulamentar, Nordtveit empatou aos 86 e Quaison completou a remontada no primeiro minuto de descontos. Quando parecia tudo resolvido e a Suécia já festejava uma reviravolta como poucas em casa de um dos principais rivais, Ola Kamara fez o 3-3 ao sexto (!) minuto de tempo adicional e fechou um empate recheado de golos que tornou o embate viking o jogo mais entusiasmante do último dia da jornada inicial da qualificação.

Mas o instinto goleador da Escandinávia não ficou por aqui. A Suíça recebeu a Dinamarca e esteve a ganhar dos 19 aos 84 minutos: Freuler inaugurou o marcador, Xhaka fez o segundo já depois do intervalo e Embolo completou aquilo que parecia ser uma vitória simples e folgada dos suíços. Mas a seis minutos dos 90, Jorgensen reduziu e abriu caminho para uma recuperação impressionante dos dinamarqueses. Gytkjaer fez o segundo aos 88 minutos e Dalsgaard empatou o jogo já no período de descontos — 3-3 entre Suíça e Dinamarca mas o empate não deixa de saber a derrota aos suíços e a vitória aos dinamarqueses.

Por fim, e noutro jogo que à partida parecia ter pouco interesse, a Bósnia adiantou-se frente à Grécia logo aos 10 minutos, por intermédio de Visca, e Pjanic assinou o momento mágico do encontro ao bater um livre direto que Vlachodimos, guarda-redes do Benfica, só conseguiu defender com o movimento dos olhos. Mas se o médio da Juventus foi o responsável pelo golo que deixou a seleção bósnia com uma vantagem confortável, foi também Pjanic que acabou por deitar (quase tudo) a perder: logo após os gregos reduzirem a desvantagem através de uma grande penalidade convertida por Fortounis, o médio foi expulso com um vermelho direto e deixou a Bósnia a jogar com menos um elemento. A Grécia, onde Samaris também foi titular, procurou o empate até ao final da partida e acabou por conseguir chegar ao segundo golo a cinco minutos do apito final, por intermédio de Kolovos.

Nos outros jogos do último dia da jornada de arranque da qualificação para o Euro 2020, a Finlândia venceu a Arménia (0-2), a Roménia goleou as Ilhas Faroé (4-1) e a Irlanda bateu a Geórgia (1-0). Também esta terça-feira mas em jogos particulares de preparação para a Copa América, a Argentina sem Messi venceu Marrocos com um golo solitário de Correa (0-1) e o Brasil, desta vez sem Éder Militão e Alex Telles no onze inicial, começou a perder mas acabou por bater a República Checa com um golo de Roberto Firmino e um bis de Gabriel Jesus (1-3).