O presidente moçambicano, Filipe Nyusi, anunciou esta quinta-feira a conclusão da fase de busca e salvamento no centro do país depois da passagem do ciclone Idai e das cheias que se seguiram, desde dia 14. “Hoje podemos anunciar que concluímos uma etapa crítica que consistia nos salvamentos”, disse o chefe de Estado, numa declaração à nação a partir da cidade da Beira, uma das principais do país e severamente destruída.

De acordo com Filipe Nyusi, não há indicações de que haja locais com pessoas a precisar de ser resgatadas, mas as equipas no terreno continuam vigilantes e prontas para intervir “sempre que a situação o exigir”. “Estas situações não se dão como concluídas de forma aritmética”, acrescentou.

A fase que se segue vai incidir na assistência humanitária às famílias afetadas, com destaque para a prestação de cuidados de saúde, alimentação, abrigo e saneamento. “É importante que as instituições nacionais e internacionais orientem esforços para otimizar os recursos disponíveis de forma transparente para que cheguem aos que realmente necessitam”, declarou Filipe Nyusi, acrescentando que o Governo moçambicano vai trabalhar com uma agência internacional para a gestão destes recursos.

Moçambique foi o país mais afetado pelo ciclone Idai, com 468 mortos e 1.522 feridos já contabilizados pelas autoridades, que dão ainda conta de mais de 135 mil pessoas a viverem em 159 centros de acolhimento. O ciclone afetou cerca de 800 mil pessoas no centro do país, mas as Nações Unidas estimam que 1,8 milhões precisam de assistência humanitária urgente.

As operações de busca e salvamento envolveram cerca de 940 especialistas nacionais e estrangeiros durante 15 dias, segundo dados oficiais. Um total de 135.578 pessoas foram salvas e abrigadas em centros temporários, 7.422 dos quais estão em situação vulnerável (grávidas e idosos), segundo o mais recente balanço feito pelas autoridades, que mantém em 468 o número de mortos contabilizados.

Número de mortes na Beira devido à cólera subiu para 139

O número de mortes devido à coléra na Beira, capital da província moçambicana de Sofala, devastada pelo ciclone Idai, subiu para 139, disse o diretor nacional de Saúde de Moçambique, Ussein Isse. “O número total de mortes até hoje é de 139”, afirmou Ussein Isse, em declarações aos jornalistas, acrescentando que cinco mortes ocorreram na quarta-feira e que desde então não se registaram óbitos em consequência da doença.

Na província de Sofala, foram instalados nove centros de tratamento de cólera e uma campanha de vacinação deverá iniciar-se no princípio da próxima semana, prevendo-se que um milhão de pessoas da província de Sofala possam ser vacinadas. De acordo com o departamento das Nações Unidas dos Assuntos Humanitários, foram ainda detetados 2.500 casos de diarreia aguda na região.