Poucos minutos depois de António Costa ter dito, em entrevista à TVI, que a ameaça de demissão continuava de pé, o PCP anunciou que não vai votar favoravelmente as avocações de PSD e CDS-PP, encerrando assim quaisquer dúvidas que pudessem existir sobre o resultado final das votações. Contas feitas: nem o texto final da Comissão de Educação será aprovado em votação final global nem as propostas iniciais dos partidos de direita terão a luz verde do plenário. Resultado: nem os professores vão ver o tempo de serviço contabilizado na íntegra nem o Governo vai cair.

Era a posição que faltava conhecer e confirmou aquilo que todos suspeitavam: a esquerda vai manter as votações, a direita resolve o assunto avocando as suas propostas iniciais. Numa nota enviada esta noite à comunicação social, os comunistas garantem que “o PCP manterá a sua coerência e prosseguirá a luta para que sejam adotadas soluções que correspondam à plena concretização dos direitos de todos os trabalhadores, não apenas em matéria de direito à progressão na carreira mas também de aumento geral dos salários, de combate à precariedade e à desregulação dos horários de trabalho, entre outros”.

E se dúvidas houvesse, o PCP critica duramente tanto os sociais-democratas como os centristas. “[Nas propostas do PSD e do CDS] a contagem do tempo de serviço vai depender das regras do Pacto de Estabilidade e Crescimento – que a impediriam – e, mais grave que isso, abririam a porta à destruição da carreira estabelecendo na lei a revisão do Estatuto da Carreira Docente“, escreve-se no comunicado.

Mas para que não se pense que esta posição é apenas uma reafirmação, os comunistas garantem que ponderaram todos os benefícios e contrariedades dos vários cenários antes de tomar esta decisão. “Compreendendo preocupações manifestadas face à mudança de posição de PSD e CDS relativamente ao texto aprovado na Comissão, o PCP reafirma que ponderou devidamente todas as votações“, asseguram, tentando tranquilizar os anseios manifestados por Mário Nogueira, líder da Fenprof.

No comunicado, o PCP não esquece as cambalhotas de PSD e CDS. “Apesar de essas propostas do PCP não terem sido integralmente aprovadas”, recordam, “o PCP viabilizou a aprovação de propostas de outros partidos e aprovará o texto daí resultante texto que, de resto, todos os partidos apoiaram, defenderam e valorizaram, à excepção do PS”, pode ler-se. Apenas isso. A crise política está mesmo a chegar ao fim.