O risco de infeção pelo vírus do sarampo pode ser 50% maior daqui a trinta anos, concluiu um estudo publicado na revista científica BMC Medicine e noticiado pelo Público. Na origem do problema estão “os movimentos anti-vacinação e a hesitação parental”. E isso já está a ter consequências: “Nos últimos anos, assistimos a ressurgimento do sarampo mesmo em países onde, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, a eliminação já deveria ter sido alcançada”.

A solução, acreditam os cientistas do Centro de Tecnologia para a Informação e da Universidade de Bocconi, em Itália, pode passar pela reformulação dos programas de vacinação. A proposta surgiu depois de a equipa ter testado como é que nos programas de vacinação teriam influência na imunidade de determinados grupos ao sarampo no Reino Unido, Irlanda, Itália, Estados Unidos, Austrália, Singapura e Coreia do Sul.

Alguns países adiantaram-se aos resultados deste estudo. Tanto Itália como França tonaram a vacinação contra o sarampo obrigatória à entrada para a escola para fazer frente à ameaça e aumentar a proteção entre as crianças. Os Estados Unidos também podem ser obrigados a tomar medidas, recorda o Público, já que, segundo os Centros para Controlo e Prevenção de Doenças, houve 839 novos doentes com sarampo em 23 estados norte-americanos. É o maior surto do país dos últimos 25 anos.

O facto de a vacina passar a ser obrigatória à entrada para a escola pode ser preponderante para o combate a surtos como este. Segundo o estudo da BMC Medicine, se os programas de vacinação em vigor nos sete países estudados pelo grupo se mantivessem tal como estão, só a Singapura e a Coreia do Sul teriam uma população infetada pelo vírus inferior aos 7,5%. Todos os outros países ficariam acima da percentagem considerada segura para eliminar a doença. Isso mudaria se pelo menos 40% das crianças fossem vacinadas quando entrassem na escola ou se 95% da população geral recebesse proteção.

Itália é o país mais preocupante. Como a população em risco de ser infetada pelo vírus do sarampo é superior ao limiar considerado seguro para a eliminação do programa — o país tem uma população suscetível de 9,3%, quando devia estar abaixo dos 7,5% –, estas medidas podem não chegar. Essa percentagem pode subir aos 14%. Entre os adultos com 25 anos ou mais, até pode ultrapassar os 50%. Aliás, “caso os níveis de cobertura dos programas atuais permaneçam inalterados, a percentagem de indivíduos em risco de infeção deve aumentar entre 2018 e 2050 em mais de 50% em todos os países, exceto a Coreia do Sul”, avisa o estudo.