Quinze obras de arte contemporânea selecionadas pela Fundação Bienal de Arte de Cerveira vão ser exibidas no Claustro Real no Mosteiro da Batalha, a partir de 28 de junho, na exposição “Volumes e interações na história”.

Atualmente em instalação, a exposição foi apresentada esta segunda-feira e o diretor do monumento considera-a a mais relevante que o Mosteiro da Batalha recebeu nos últimos anos.

“Em termos retrospetivos, é a exposição mais importante que acolhemos. Não se pode falar de arte contemporânea em Portugal sem falar em Cerveira. É muito prestigiante receber esta proposta da Fundação Bienal Artes de Cerveira, que veio até nós por intermédio do festival Artes à Vila”, afirmou Joaquim Ruivo.

Segundo António Cabral Pinto, da Fundação Bienal de Arte de Cerveira, as peças foram escolhidas para garantirem um caráter “multifacetado” à exposição, “tendo em conta o espaço”.

“Há em algumas características das esculturas – como altura, dimensão, linhas – elementos que são importantes e que se relacionam de alguma forma com o Mosteiro”.

Para a Fundação Bienal de Arte de Cerveira, é de “importância enorme” a exposição “Volumes e interações na história”.

“Era quase impossível pensar que podíamos um dia fazer aqui, num sítio tão bonito, uma exposição. É um orgulho para nós”, sublinha António Cabral Pinto.

Na Batalha vão estar obras de artistas como José Rodrigues, Carlos Barreira, Manuel Patinha, Pedro Figueiredo ou Acácio de Carvalho, que também foi convidado para criar uma peça de grandes dimensões para o Mosteiro.

Na entrada principal do monumento, Acácio de Carvalho está a fazer nascer uma escultura/instalação de seis metros de altura, a partir de materiais disponibilizados por empresas da região para o festival Artes à Vila, de que a exposição fará parte.

“É um pirâmide dividida a meio, com formas do gótico flamejante. Quando se olha a paisagem do mosteiro de longe, vê-se toda esta chama. Pode dizer-se que é a geometrização do mosteiro, numa linguagem contemporânea”, explica o artista.

Quando a peça estiver terminada, espera que os visitantes “se interroguem sobre o que é”: “Gostem ou não, isso é o mais importante. Esse é o objetivo da arte”, frisa.

Para o diretor do Mosteiro da Batalha, a aposta de levar arte contemporânea a um monumento ligado à fundação da nacionalidade tem precisamente a finalidade de questionar e surpreender.

“O nosso dever é arriscar, mesmo que surjam algumas críticas. Não estamos a colocar em causa o património, não vamos beliscar uma única pedra. A instalação de Acácio de Carvalho é provisória e sairá daqui dentro de dois ou três meses. É preciso captar novos olhares e novos públicos”, defende Joaquim Ruivo.

Chamando a arte da Bienal de Cerveira à Batalha, o responsável espera acrescentar motivos para uma visita ao Mosteiro: “Um monumento que se quer vivo, quer-se visitado por pessoas com todo o tipo de interesses, seja por pedras nuas, seja por arte contemporânea. Penso que esta exposição vai ter muito impacto”, conclui.