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Inaugurada residência universitária em Lisboa cujo projeto começou há 20 anos

O reitor da Universidade de Lisboa inaugurou uma residência universitária na Ajuda, que começou a ser pensada há 20 anos. A Universidade de Lisboa pretende disponibilizar mais de 1000 camas até 2021.

Reitor da Universidade de Lisboa inaugura residência univeristária na Ajuda

ANTONIO COTRIM/LUSA

O reitor da Universidade de Lisboa inaugurou esta terça-feira a primeira fase da residência universitária da Ajuda, lembrando que este foi um “longuíssimo projeto” que começou há 20 anos e ainda não terminou.

“Estamos desde 1999 a tentar construir esta residência”, disse hoje o reitor António Cruz Serra durante a cerimónia de inauguração do edifício que, para já, terá capacidade para acolher 180 estudantes.

O projeto prevê a construção de um outro bloco com quartos individuais e partilhados para outros 120 alunos.

As estimativas do reitor apontam para que, dentro de um ano e pouco, cerca de 300 alunos estejam a viver nos dois edifícios contíguos do Polo Universitário da Ajuda.

Com cerca de 50 mil alunos, a ULisboa tem projetos para disponibilizar mais de mil camas a preços acessíveis até 2021.

Os números ficam muito aquém das necessidades dos estudantes que escolhem a capital para estudar, como reconheceram hoje o primeiro-ministro, António Costa, o ministro do Ensino Superior, Manuel Heitor, e o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina.

Mas este não é um problema exclusivo da capital e por isso também há projetos a decorrer noutras cidades com universidades e institutos politécnicos.

Em fevereiro, o Governo anunciou o Plano Nacional de Alojamento Estudantil que prevê a duplicação do número de camas até 2023, passando das atuais 15 mil para 30 mil: haverá 11.500 camas em novas construções e 3.500 em edifícios que serão reabilitados.

A ideia é construir de raiz e reabilitar mais de 250 imóveis para receber estudantes, sendo que Lisboa ficará com cerca de dois terços das 11.500 novas camas criadas em residências.

Lisboa é a cidade com mais estudantes no ensino superior e também onde é mais difícil arranjar um quarto a preços acessíveis: Um quarto no centro da capital ronda os 500 ou 600 euros, lembrou Cruz Serra.

O alojamento “é uma das maiores barreiras de acesso ao ensino superior”, corroborou o primeiro-ministro, considerando que o edifício hoje inaugurado é “muito importante para o país”.

Atualmente, um quarto numa residência universitária em Lisboa pode custar entre os 76 euros (para um bolseiro) e os 190 euros.

Os alunos no ensino superior aumentaram nos últimos três anos e existem planos para que assim continue, lembrou por seu turno o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.

Atualmente, 46% dos jovens com 20 anos frequentam o ensino superior, mas o objetivo é chegar aos 60% em 2030, o que obriga a mais oferta de habitação.

Durante a cerimónia de inauguração, Cruz Serra pediu ao primeiro-ministro alterações ao atual código do procedimento administrativo no sentido de “defender o interesse público”.

“De cada vez que há uma litigância em tribunal em relação a qualquer obra, a obra fica parada”, lamentou Cruz Serra, lembrando um projeto que disponibilizará 80 camas mas está parado há mais de um ano.

O reitor pediu ao primeiro-ministro alterações inspiradas no modelo espanhol, onde obras em litigância podem continuar bastando entregar 25% da caução do valor da empreitada, que é perdida caso percam o processo em tribunal.

Cruz Serra reivindicou ainda ao próximo executivo “um aumento da dotação de estado de 3% todos os anos”, o que permitiria ter “o mesmo financiamento por aluno que Portugal gasta com os alunos do ensino secundário”.

Durante a sua intervenção, António Costa, que estudou na Universidade de Lisboa, disse que ali se sentia “sempre um estudante”: “Sinto-me sempre um estudante porque nunca venho cá sem que o senhor reitor não me passe um trabalho de casa”.

Em tom de brincadeira, António Costa prometeu que iria “utilizar as férias grandes para fazer os trabalhos de casa” acrescentando que “é muito bom saber que os trabalhos continuarão para além do atual primeiro-ministro”.

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