Em matéria de SUV, a Nissan é um caso sério. Não só foi este construtor japonês que criou o primeiro modelo com aspecto de jipe no segmento C, quando apareceu com o Qashqai, como quatro anos depois, em 2010, voltou a surpreender o mercado ao avançar com o Juke, o primeiro SUV do segmento B. Mas há muito que este pequeno SUV, com pouco mais de 4 metros acusava a idade, pois nove anos e meio a debater-se contra concorrentes mais recentes e, sobretudo, maiores e mais modernos, levou-o a ser ultrapassado nas vendas pelo Renault Captur, o líder destacado desde que apareceu no mercado, e o Peugeot 2008.

Daí que seja sem surpresa que a Nissan tenha decidido que era chegada a altura de renovar o seu B-SUV, numa fase em que é este o segmento que mais cresce no mercado nacional e um dos mais dinâmicos por essa Europa fora. E o timing é perfeito, pois só agora estão reunidas as condições para a marca nipónica ter acesso à plataforma que vai servir o novo Captur, um trunfo importante uma vez que esta base já prevê a electrificação – em forma de híbrido plug-in (PHEV) –, fundamental para ajudar a baixar a média de emissões de CO2 dos fabricantes, que não pode superar os 95g em 2020.

Evolução no estilo, mas em ponto grande?

Face ao actual Juke, o novo cresce em todos os aspectos. Começa pelo comprimento, que aumenta 7,5 cm, para depois ser maior em largura (3,5 cm), o que ajuda a transformar o B-SUV mais pequeno do segmento num dos mais generosos. Especialmente porque o parâmetro que mais beneficia o novo modelo da Nissan é a sua distância entre eixos, que se revela 10,5 cm mais comprida. É isto que justifica a sensação de espaço quando nos sentamos tanto à frente como atrás. Aqui, graças ao facto de os bancos terem o assento montado numa posição mais baixa, é possível transportar com razoável conforto mesmo os passageiros mais altos. Ainda em matéria de aumentos, destaque para a bagageira, também ela mais generosa, se bem que seja estranho o facto de o fabricante ter aberto mão da possibilidade de regular longitudinalmente o assento posterior, para assim privilegiar a capacidade da mala ou o espaço para as pernas de quem vai atrás, consoante o caso.

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Visualmente, o novo Juke não engana ninguém. A frente, mais moderna e atraente, retoma as linhas gerais da geração actual, uma vez que a Nissan entende que a personalidade do modelo que ainda está em comercialização é um bom argumento de vendas, com o capot do motor a surgir mais volumoso, não apenas para conferir ao SUV um ar mais musculado, como ainda para separar a chapa da mecânica, visando incrementar a protecção aos peões em caso de atropelamento. A altura do tejadilho não foi alterada, mas a frente mais “arredondada” e uma traseira mais comprida permitem conseguir um rendimento aerodinâmico mais apurado. De realçar que o tejadilho, fornecido numa segunda cor nas versões mais bem equipadas, ajuda a tornar a imagem do novo Juke mais tecnológica, um pouco à semelhança do que também acontece com os faróis, redondos e com uma forma muito curiosa, com sistema LED mesmo na versão mais acessível, a Visia.

Só um motor e a gasolina. PHEV mais tarde

Em relação às motorizações, a Nissan garante que não vai ter diesel, mas apenas um motor a gasolina, o 1.0 Turbo com 110 cv, que já conhecemos na Renault, como 1.0 TCE 110 e que recentemente foi introduzido igualmente no Micra. Como o novo Juke, apesar de mais comprido e mais largo, é 23 kg mais leve (devido à utilização de uma maior quantidade de aço de alta resistência), os 110 cv deverão ser suficientes para manter um ritmo vivo, mas sem grandes exageros. Os japoneses alegam que a maioria dos clientes não demonstram grande abertura para os motores diesel, neste segmento consideravelmente mais caros do que os seus concorrentes a gasolina, mas veremos se o Captur e o 2008, que em breve vão também introduzir as suas mais recentes gerações, seguem a mesma estratégia.

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Garantido é também que o Juke vai usufruir de uma versão PHEV, à semelhança do novo Captur. Cruzando o motor a gasolina com outro eléctrico, alimentado por uma bateria que lhe deverá permitir percorrer um mínimo de 50 km em modo WLTP, estas versões poderão dar um importante contributo para reduzir as emissões, uma vez que a regulamentação lhes facilita o anúncio de valores extremamente baixos de consumos e emissões de CO2.

Mais equipamento e mais tecnologia

É extensa a lista de equipamento que a Nissan passa a oferecer no Juke. Sendo que, segundo nos confirmaram, algum dele nem sequer está ainda a ser disponibilizado nos modelos maiores e mais onerosos.

O sistema de reconhecimento de peões, reforçado pela travagem de emergência para quando o condutor se “esquece” de travar vai estar disponível, como aliás já acontece no novo Clio, para mencionar um modelo do mesmo grupo (ou melhor Aliance). Mas é o sistema de infoentretenimento que mais vai agradar – e cativar – os condutores mais dados às soluções mais modernas. Referimo-nos à possibilidade de, recorrendo ao Google e à aplicação da marca, questionar o sistema (apenas com comandos de voz) sobre o melhor caminho para atingir o nosso destino, entre outros dados como o tempo de viagem ou se temos autonomia para lá chegar. Caso as respostas nos agradem, pedimos que a informação seja enviada para o sistema de navegação do carro, para que esteja disponível assim que entrarmos no veículo. O sistema de navegação é TomTom, mas o motor de busca é Google, o que torna mais fácil encontrar o que quer que seja à superfície do planeta.

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O Juke vai ainda aceitar actualizações de software over-the-air, mas nada que tenha a ver com motor, caixa travões ou direcção, pois a Nissan diz ter receio dos ataques dos hackers. Para tal, o modelo está equipado com um chip 4G que lhe permite estar sempre ligado à Internet, o que lhe permite disponibilizar uma infinidade de serviços, inclusivamente wifi a bordo para que os ocupantes poupem a sua conta de “dados”. Isto nos primeiros três anos, a seguir ao qual lhe vai ser cobrado um determinado valor, que a marca promete ser pouco representativo.

Preços para o novo Juke ainda não são conhecidos, sabendo-se que o modelo chegará a Portugal em meados de Novembro. Os níveis de equipamento mantêm-se fiéis aos Visia, Acenta e Tekna. Novidade é o facto de surgir a versão N-Design, a mais bem equipada e com melhores materiais, o que explica o tablier e painéis de porta com aplicações a Alcantara que exibia a unidade que tivemos ocasião de analisar.