Duas das 50 startups da América mais promissoras em Inteligência Artificial, destacadas pela revista Forbes este ano, têm ADN português. São elas a Feedzai, que está em 15.º lugar, e a DefinedCrowd, que ocupa o 46.º lugar da lista elaborada pela revista norte-americana. Este ranking analisa empresas que mostrem que “técnicas como machine learning [software inteligente que aprende com padrões de utilização], processamento de linguagem natural ou visão computacional são uma parte essencial do seu modelo de negócio”, refere a publicação.

Em 15.º lugar, a Forbes destaca a Feedzai, uma startup portuguesa fundada em 2011 por Nuno Sebastião, Pedro Bizarro e Paulo Marques ,que tem como objetivo tornar a atividade bancária mais seguro através de um software de inteligência artificial anti-fraude. Em fevereiro do ano passado, recorde-se, a empresa foi também destacada pela Forbes como uma das 50 startups de tecnologia financeira com maior potencial na Europa e foi apontada como o “próximo unicórnio” (empresa que vale mil milhões de dólares) de origem portuguesa.

Segundo a Forbes, a Feedzai foi lançada “para combater a fraude e a lavagem de dinheiro” e desde o seu lançamento “muitos outros concorrentes começaram a divulgar como as suas próprias ferramentas foram além dos sistemas baseados em regras para o machine learning“. Com escritórios em Lisboa, Porto, Coimbra, Silicon Valley, Nova Iorque e Reino Unido, a startup portuguesa já levantou investimentos no valor de 82 milhões de dólares (cerca de 74 milhões de euros) e está atualmente avaliada em 575 milhões de dólares (cerca de 521 milhões de euros).

Já em 46.º lugar está a DefinedCrowd, uma startup fundada em 2015 por Daniela Braga e atualmente avaliada em 38,8 milhões de dólares (cerca de 35,2 milhões de euros). A empresa de análise de dados com recurso a inteligência artificial “recruta freelancers através de uma plataforma chamada Neevo e atribui-lhes tarefas como rotular imagens ou gravar áudio, acelerando o seu trabalho com a automação baseada em machine learning, sempre que possível”, conta a Forbes.

Atualmente, a empresa conta com mais de 40 clientes a nível global, incluindo nomes como a BMW e a Mastercard ou as portuguesas EDP e Grupo Mello Saúde”. Em entrevista ao Observador, Daniela Braga referiu que a fórmula para estar na altura a liderar uma equipa de 70 pessoas (atualmente já com 140) em três continentes diferentes passou por um doutoramento em tecnologia de discurso, um mestrado em linguística aplicada, um curso de Literatura e Língua Portuguesa na Universidade do Porto e oito anos de trabalho na Microsoft, onde desenvolveu ferramentas de software de linguagem. A empresa já levantou investimentos de 13,1 milhões de dólares e está atualmente no processo de levantamento de uma ronda de financiamento de série B até ao final do ano.

A lista da Forbes coloca em primeiro lugar a Nuro, uma startup americana fundada por Dave Ferguson e Jiajun Zhu que desenvolve veículos autónomos de transporte de mercadorias e que está avaliada em mais de dois mil milhões de dólares. No entanto, o artigo da revista norte-americana destaca um problema com que este ranking reflete: apenas oito startups presentes na lista foram fundadas ou cofundadas por mulheres, sendo “um possível motivo de preocupação”, uma vez que “há estudos que demonstram que a inteligência artificial pode constituir preconceitos nos dados e isso pode acontecer com maior probabilidade se houver menos mulheres e minorias sub-representadas”.