Quando entramos na Loja de Enoturismo da José Maria da Fonseca, é Maria da Luz, assistente de Enoturismo, quem nos recebe. Conhece a história da casa-mãe do Periquita, quase tão bem como a sua, até porque facilmente se cruzam: tanto o seu marido, como o seu irmão, trabalham ali. Ao pedir-lhe que nos fale de algo que a ligue a este espaço, diz ter alguma dificuldade em escolher, mas acaba por selecionar um episódio que guarda no coração. Não tanto (ou, não só) pela “cena” em si, como pela sua “companheira de aventura”.

“Conto esta história, também em memória de uma querida colega, a Amélia, que já cá não está”, introduz. “Estou há 28 anos nesta casa e este episódio passou-se há 13 anos, quando começámos a aprender a fazer as vendas. Chegámos mais cedo à loja e, ainda estávamos a preparar tudo, quando apareceu um enorme grupo de japoneses à porta. A visita deles só estava marcada para as 10 da manhã, os nossos guias só entravam mais tarde.. O guia do grupo explicou que se tinham antecipado porque precisavam de estar no aeroporto mais cedo do que pensavam, e que a visita tinha que ser feita mais cedo. Ficámos meio atordoadas, mas decidimos que tinha de ser dada uma resposta à altura. Fomos comunicando da melhor maneira possível, pois nem eles, nem nós, falávamos um inglês perfeito, mas a boa disposição e os gestos ajudaram muito! Tiraram muitas fotografias e acabaram por comprar tantas coisas, que até o guia deu uma ajuda a organizar o grupo dentro da loja. Foi um dia de muito dinheiro em caixa e uma barrigada de riso.”

Maria da Luz começou por trabalhar numa fábrica de cartuchos, “mas o meu namorado – hoje marido – trabalhava aqui e disse-me que estavam a contratar”. Entrou, então, para a empresa para ocupar uma função na área do engarrafamento mas, quando abriu uma vaga para o departamento de turismo, resolveu arriscar. “Gosto muito do que faço”, garante. E não é difícil de acreditar, tal é o entusiasmo com que fala. “Trabalhei com o avô, com o pai e, agora, com a filha [Sofia Soares Franco, responsável pelo enoturismo e comunicação da empresa], que conheço desde pequenina. Acabei por ganhar raízes”.

Ao longo dos anos tem aproveitado a experiência de quem a rodeia, mas também de algumas formações na área, que vai fazendo na empresa – nomeadamente em línguas e em vinhos – para aperfeiçoar a arte de bem receber quem procura conhecer um pouco mais sobre o Periquita e os outros vinhos da marca. Embora lhe custe falar de si, a conversa com os clientes sai-lhe fácil, conquistando-os com o seu amor por esta casa e pelos seus produtos. “A minha função é vender, falar com os clientes, aconselhar. Quando entendemos os seus gostos ou percebemos o que procuram, é mais fácil direcionar para o tipo de vinhos que mais lhes agrada”.

Sente que a prática que tem vindo a ganhar permite que vá propondo ideias aos responsáveis pela marca, mas também que vá acompanhando melhor os clientes “cada vez mais exigentes” que todos os dias entram na loja. Da mesma forma que foi encontrando o seu lugar, acredita que o futuro continuará a trazer desafios para abraçar.

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