A Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) afirmou esta segunda-feira ver com “enorme desconfiança” os incentivos ao recrutamento prometidos no domingo pelo ministro da Defesa e advertiu que não há sinais de que venham a concretizar-se.

“Aquilo que o senhor ministro ontem [domingo] disse nós vemos com enormíssima desconfiança. Aliás só não dizemos que está a faltar à verdade porque efetivamente temos que dar o benefício da dúvida”, afirmou o coronel António Mota, presidente da AOFA, em declarações à Agência Lusa.

No domingo, na cerimónia comemorativa do Dia do Exército, em Setúbal, o ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, afirmou que o Governo “tudo fará para criar incentivos financeiros e de outra natureza para recrutar e reter talento” nas Forças Armadas.

Face a estas declarações, o presidente da AOFA manifestou “enormíssima desconfiança”, que considera “fundamentada”, argumentando “o senhor ministro refere efetivamente as disponibilizações financeiras mas não refere quais nem em que montante.” O coronel António Mota afirmou que as declarações do ministro não têm “repercussão prática” e que “as coisas estão cada vez a agravar-se mais” com centenas de militares a “abandonar mensalmente” as Forças Armadas.

Relativamente ao regime de incentivo ao recrutamento e retenção de efetivos para as Forças Armadas, o presidente da AOFA sustentou que os incentivos anunciados “vêm na sequência do atual regime de incentivos que não é cumprido”.

O coronel realçou ainda “o problema gravíssimo a nível da Assistência à Doença aos Militares, por dívidas do Estado à entidades protocoladas”, que chegam aos 90 milhões de euros e acrescentou que existem grupos de saúde que anunciaram cancelamento ou suspensão dos acordos “já a partir do dia 1 de novembro”.

No que toca às questões do investimento em infraestruturas militares o coronel considerou que “a verificar-se”, isso é positivo “mas não resolve problema nenhum”.

Contactado pela Lusa, o presidente da Associação Nacional de Sargentos, António Lima Coelho, considerou positivas as declarações do ministro da Defesa mas ressalvou a “necessidade de rever as condições daqueles que já cá estão” que são considerados “um dado adquirido”.