O secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, foi esta segunda-feira recebido em Boticas por populares em protesto contra a exploração do lítio.

O secretário de Estado Adjunto falou aos jornalistas pelas 17h45 na Câmara de Boticas, onde foi questionado sobre como tranquilizaria a população. João Galamba esclarece que a melhor maneira de o fazer é “explicando às pessoas que muitas coisas que se dizem estão assentes em equívocos”. Por exemplo, o lítio, diz Galamba, “não é altamente tóxico”, assim como “não há nenhuma diferença entre uma mina de lítio, uma pedreira de granito ou mina de quartzo e feldspato”.

O governante mostrou preocupação com o futuro da população de Covas do Barroso, o local programado para eventual mina de exploração de lítio, e fez questão de dar o exemplo de uma “gigantesca mina” em Pedras Salgadas ou Vidago, onde “a água continua a ser saudável e a atrair turismo”.

“Se o Estudo de Impacto Ambiental for negativo ou se as medidas compensatórias foram de tal ordem que a empresa não tem condições para as aplicar, não haverá mina. É isso que decorre da legislação e da avaliação ambiental e certamente que de diferentes projetos mineiros que possam haver, uns serão aprovados e outros serão reprovados”, referiu João Galamba.

Segundo João Galamba, o Governo tem procurado “explicar às pessoas que o que está em causa é uma oportunidade de desenvolvimento regional, de criação de emprego, totalmente compatível com as atividades primordiais que hoje existem neste território, como a agricultura ou pecuária”.

“Estamos a fazer a regulamentação da nova lei, onde iremos reforçar ainda mais os critérios ambientais e ainda mais as garantias prestadas pelas empresas destas e de outras minas, não só para o projeto de exploração mas para o encerramento da mina”, explicou.

O governante acrescentou ainda que a aprovação ou reprovação dos projetos de exploração mineira não são da sua responsabilidade. “Essa matéria é de licenciamento ambiental e há instituições e regras próprias para o fazer e é isso que irá acontecer nesse caso”, assegurou.

Depois de um encontro na Câmara Municipal de Boticas, o governante seguiu para uma visita ao Centro de Informação de Covas do Barroso, distrito de Vila Real, onde, no fim, se deparou com o protesto de dezenas de populares que, empunhando cartazes, gritavam “Não à Mina, Sim à Vida”.

“Receamos pela nossa saúde, pela água, pelo ambiente, por tudo o que aqui temos”, admitiu uma local às estações de televisão no local. “Nunca mais vamos ter descanso, não vamos desistir nunca. Podemos morrer, mas para cá do Marão mandam os que cá estão e ele [João Galamba] que não venha para aqui e que não traga a polícia atrás dele”, acrescentou.

Depois de o carro ter sido cercado pelos manifestantes, João Galamba voltou para trás, tendo regressado mais tarde já com a presença da GNR no local.

Mais tarde, em declarações prestadas à porta da Câmara de Boticas, João Galamba diz que “foi difícil perceber as queixas de várias pessoas, não foi possível conversar”, mas que tem “toda a disponibilidade e até interesse” em fazê-lo, contudo a fase para o envolvimento da população é a fase de licenciamento ambiental, e que o processo ainda não chegou aí.

  • Artigo corrigido às 19h25. João Galamba chegou a visitar o Centro de Informação de Covas do Barroso, ao contrário do que foi noticiado anteriormente.