Se o público quer SUV eléctricos, é exactamente isso que a Ford vai produzir ou, pelo menos, este parece ter sido o raciocínio da marca americana. Para o fazer, nada melhor do que utilizar como ponto de partida o nome Mustang, de um dos seus modelos mais conhecidos, e até transportar para o novo Sport Utility Vehicle alguns dos seus pormenores estéticos mais característicos. Se a Jaguar avançou com o I-Pace, a Audi com o e-tron, a Mercedes com o EQC e a Tesla com o Model X e, muito em breve, com o Model Y, que promete tornar-se no eléctrico mais vendido da marca, todos eles SUV e alimentados por bateria, então a Ford não iria decididamente deixar de alinhar com esta nova moda.

Já se sabe que o SUV envergará a denominação Mustang Mach-E e que será revelado hoje ao fim da tarde nos EUA, noite dentro pela hora portuguesa. É igualmente sabido que vão existir versões com tracção atrás (RWD) e 4×4 (AWD), fundamental num SUV e muito fácil de conseguir num modelo eléctrico, bem como vários níveis de equipamento, do First Edition que vai ser utilizado exclusivamente durante o lançamento, ao GT, o mais desportivo, passando pelo Select, Premium e California Route.

O lançamento do Mustang Mach-E, que é também o primeiro veículo eléctrico da Ford, vai decorrer no Salão Automóvel de Los Angeles, para depois começar a chegar ao mercado americano a partir do final de 2020, com as versões First e Premium, para depois os mais baratos (Select e California Route) e o mais desportivo e caro (GT) estarem previstos para apenas o início de 2021. Após a apresentação, o período de encomendas, que já abriu nos EUA, estará igualmente disponível para os mercados europeus.

O Mustang eléctrico mais acessível, o Select, está equipado com a bateria mais pequena (Standard Range como na Tesla, ou SR) e RWD ou AWD, com autonomias de 230 milhas (210 com AWD), o que equivale a 370 km (338 km para o AWD), segundo a norma americana EPA, valor que deverá rondar os 400 km (365 para o AWD) se utilizado o método europeu WLTP. O motor debita 259 cv e 415 Nm de binário, o que lhe permite ir de 0-97 km/h em cerca de 6,5 segundos. O seu preço, nos EUA, arranca nos 43.900 dólares, antes de incentivos, o que o tornará ligeiramente mais barato do que o Model Y, que chegará em meados de 2020.

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O California Route só está disponível com motor de 286 cv, a bateria grande, a Extended Range (ER) e tracção traseira para maximizar a autonomia, que salta para as 300 milhas em EPA ou 483 km em WLTP. O Mustang eléctrico em versão Premium oferece os dois tipos de bateria, tracção atrás ou integral e os três níveis de potência, 259 cv, 286 cv e 338 cv, o que vai assegurar autonomias entre 210 milhas em EPA (365 km em WLTP) e 300 milhas em EPA (520 km em WLTP). O First Edition oferece apenas a baterias ER, AWD e 338 cv e 470 km de autonomia, para a versão GT ser a última a surgir, sobre a qual apenas se sabe que usará a bateria ER e tracção integral.

Amanhã, logo bem cedo, saberemos mais sobre o Mustang Mach-E, a começar pela capacidade das baterias, onde esperamos igualmente poder confirmar se este Ford irá ser construído sobre a plataforma que os americanos adquiriram aos alemães da VW, a mesma que vai ser utilizada na berlina ID.3 e no SUV ID.4.