A visita do Presidente chinês a Macau, para presidir ao 20.º aniversário da região e à posse do novo governo local suspendeu obras e “apagou” o serviço público de visualização do trânsito em tempo real.

Os trabalhos de construção que decorrem na península de Macau e na ilha da Taipa estão suspensos pelo menos até sábado e a Direção dos Serviços para os Assuntos do Tráfego deixou de fornecer ao público as imagens em tempo real ou a emissão em direto da situação de tráfego em vários locais do território.

As autoridades isolaram também parques de estacionamento, uma situação que se arrasta desde 12 de dezembro no aeroporto, onde também foi fechado o centro de operações da companhia aérea Air Macau.

Pelo menos desde segunda-feira que os moradores de Hac Sa, na ilha de Coloane, estão proibidos de se deslocarem para Macau em viaturas próprias.

É visível o reforço policial nas ruas, nas pontes e nas rotundas, numa cidade habitualmente queixosa da pressão turística (cerca de três milhões de visitantes por mês) e do trânsito automóvel, que praticamente desapareceu desde terça-feira, véspera da chegada do líder chinês, Xi Jinping.

As medidas de segurança excecionais prolongam-se pelo menos até sábado, dia seguinte à saída de Xi do território. Estas obrigaram também à suspensão da linha da Taipa do metro de superfície de Macau, recentemente inaugurado, mas igualmente a constrangimentos à circulação de veículos de transporte de materiais inflamáveis, situação que provocou uma corrida aos postos de abastecimento de combustível na segunda e na terça-feira, com os residentes a recearem falhas no fornecimento.

O apertado e inédito controlo das fronteiras de Macau realizado pelas autoridades locais e também pelas chinesas (na ponte que liga a Hong Kong e a Zhuhai) já resultou em detenções e recusas de entrada no território a ativistas pró-democracia e a jornalistas.

Os casos conhecidos dizem respeito a pessoas provenientes de Hong Kong, a outra região administrativa especial chinesa que, desde junho, tem sido palco de protestos maciços que têm desafiado o poder local e Pequim, com a China a tentar evitar que o antigo território administrado por Portugal seja contaminado pela agitação civil que se vive na antiga colónia britânica ou que ensombre de alguma forma a visita do Presidente chinês.

A China reassumiu o exercício da soberania sobre Macau em 20 de dezembro de 1999, após mais de 400 anos de administração portuguesa no território. Com base no princípio “um país, dois sistemas”, a RAEM mantém o sistema capitalista e os direitos, deveres e liberdades dos seus cidadãos até 2049, gozando de elevada autonomia em todas as áreas, à exceção da defesa e da diplomacia.

O programa da visita de Xi Jinping a Macau foi apenas parcialmente divulgado publicamente, sem horas exatas em relação aos eventos, não havendo também aviso prévio à população sobre eventuais cortes de estradas.

O Presidente chinês chegou ao território na quarta-feira à tarde e encontrou-se de seguida com o chefe do Executivo de Macau, Fernando Chui Sai On, que cessa funções na sexta-feira, num encontro reservado, ao qual teve apenas acesso a comunicação social estatal da China.

Já esta quinta-feira, visitou o Centro de Serviços da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM), onde contactou diretamente com alguns residentes na cidade, segundo revelou o Gabinete de Comunicação Social (GCS) do governo de Macau, mas já depois de a visita ter terminado.

Xi Jinping regressa a Pequim na sexta-feira, depois da tomada de posse do novo governo de Macau, que será liderado por Ho Iat Seng.