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SMS não enviados, Twitter inativo desde maio e Facebook com mais de 170 mil seguidores mas que, desde a manhã da passada quinta-feira, está mudo sobre as depressões que têm assolado o território. O Jornal de Notícias deste domingo fez uma análise aos mecanismos de informação e alerta disponibilizados pela Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) nos últimos dias e concluiu que tanto redes sociais como telecomunicações foram largamente desvalorizadas. Isto apesar de o sistema de SMS ter custado 900 mil euros ao Estado há apenas cinco meses e de o aviso das populações por essa via ser considerado internacionalmente um dos mais eficazes. Falta de pessoal nos call centers da Proteção Civil pode estar na origem da decisão de não enviar SMS de alerta às populações.

Ao Jornal de Notícias, Miguel Cruz, adjunto de operações da ANEPC, admitiu que “a opção passou por trabalhar mais a ligação com as populações via comunicados de imprensa com a colaboração dos órgãos de comunicação social”. “A SMS diz muito pouca coisa e nós queríamos dizer muito mais, por isso foi decisão da Proteção Civil não usar”, afirmou. Esta segunda-feira, contudo, o Jornal de Notícias  dá conta de que pode haver outro motivo por detrás da decisão de não enviar mensagens de alerta através do sistema de SMS: a falta de pessoal nos call center da Proteção Civil, já que são eles que têm de se disponibilizar para realizar esse serviço.

Segundo aquele jornal, o serviço de SMS que foi contratado pelo Estado à Nos, Meo e Vodafone, e que 900 mil euros, está dependente do “voluntarismo” dos funcionários, o que faz com que não seja possível enviar quando há falta de pessoal. Em causa está o facto de, a par da contratação do serviço, não ter sido também criada uma estrutura autónoma para responder ao facto de a SMS enviada indicar o número de contacto da sala de operações da Proteção Civil, o que motiva um acréscimo de chamadas telefónicas a que os funcionários, sendo poucos, não conseguem dar resposta.

De acordo com o Jornal de Notícias, dia 16 de dezembro foi equacionada a possibilidade de enviar uma mensagem de alerta à população a dar conta do avanço das depressões Elsa e Fabien, mas optou-se por não o fazer devido à falta de meios para dar resposta.

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Já João Saraiva, da Associação de Proteção e Socorro (APROSOC), acusou a ANEPC de não se adaptar às novas situações: “Este é um sinal de falha da estrutura”. “A multiplicidade dos meios tem de ser usada. Circunscrever-se a órgãos de comunicação social é demasiado redutor, até porque quantas pessoas não ligam sequer a televisão ou leem sites nas zonas afetadas?”

Ainda este domingo, durante uma conferência de imprensa na sede da ANEPC, o comandante da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, Duarte da Costa, garantiu que há outros meios de alerta “muito mais eficazes” utilizados durante a tempestade Elsa do que o envio deste tipo de mensagens escritas via telemóvel.  “Nesta altura as SMS não seriam o meio ideal. Através dos serviços municipais de proteção civil, temos outros meios mais rápidos e mais específicos para passar mensagens efetivas, que sejam compreendidas pela população, que foi o que sucedeu”, esclareceu.

(notícia atualizada às 9h de dia 23 de dezembro com mais informações sobre o motivo do não envio de SMS de alerta)