A velha história: ir tomar o pequeno-almoço ao café, perceber que não tem trocos, dirigir-se ao ATM mais próximo para levantar dinheiro, apenas para voltar ao café e perceber que vai ter que esquecer o pequeno-almoço para não chegar atrasado ao trabalho. Uma experiência tão banal quanto chata mas que está prestes a tornar-se algo do passado. Isto porque os pagamentos digitais estão aqui para ficar, e para nos simplificar a vida.

Os pagamentos digitais são cada vez mais rápidos graças a inovações como o Contactless. Nunca ouviu falar? Muito resumidamente: é uma função da larga maioria dos cartões bancários que permite fazer o pagamento por aproximação do cartão em vez da sua inserção no terminal, sem ter de marcar o código secreto em transações até 20€ sendo que acima desse valor o titular necessita de inserir o PIN. O funcionamento é simples: ao chegar o momento do pagamento no ponto de venda, o consumidor encontra um terminal de pagamento, ao qual basta aproximar o cartão ou dispositivo Contactless, e, em segundos, o ecrã confirma o pagamento. Este pode ser feitos através de cartões com tecnologia Contactless, dispositivos móveis (como smartphones) ou elementos do seu guarda-roupa, como pulseiras ou relógios smartwatch — os chamados wearables.

Esta extensão da tecnologia a pagamentos móveis tem tornado o Contactless numa tendência crescente em todos os setores. A sua utilização é aceite em quase todos os comerciantes que lidam com altos volumes de transações de montantes médios ou baixos — tais como mercearias e supermercados, restaurantes e cadeias de fast food, farmácias ou transportes.

Em Portugal, o crescimento tem sido mais lento, mas a um ritmo constante: um estudo da Visa de 2017 mostra que já nesse período, 29% dos portugueses afirmavam recorrer a este tipo de pagamento. Actualmente e, segundo um estudo de Opinião do Consumidor realizado pela Ipsos Apeme para a Visa em março deste ano, 37% dos portugueses estão a utilizar a tecnologia nas suas transações, revelando um crescimento na adopção destes pagamentos em cerca de 29%.

Os locais onde os portugueses mais usam a tecnologia são os supermercados e os grandes retalhistas, nos quais cerca de 70% dos pagamentos já são efectuados com Contactless. No entanto, os portugueses também desejam utilizar a tecnologia em transportes públicos, postos de abastecimento, bares, cafés e restaurantes, parques de estacionamento e portagens.

Identifique, aproxime, pague

É fácil compreender porque este método de pagamento atrai cada vez mais utilizadores, tendo em conta as suas inúmeras vantagens que tornam o dia-a-dia dos seus utilizadores mais simples… e rápido:

  • Rápido: quão rápidos são os pagamentos Contactless? A resposta é “muito rápidos”, demorando apenas entre 4-12 segundos a serem efetuados. Por comparação, os pagamentos com CHIP em que o cartão é inserido no terminal demoram entre 10-20 segundos, e os pagamentos em dinheiro vivo cerca de 23 segundos (dependendo da eficiência do operador).
  • Simples: estes pagamentos funcionam numa lógica de “Identificar, aproximar, pagar”, sendo que os clientes só têm de procurar o símbolo de Contactless no momento do check-out, aproximar o seu cartão do terminal de pagamento e receber a confirmação no ecrã. Esta lógica é universal e funciona da mesma forma em qualquer parte do mundo, evitando erros comuns de confirmação seguida de pin ou pin seguido de confirmação.
  • Seguro: os cartões Contactless Visa são construídos com a tecnologia EMV® Chip, que provou ser eficaz na redução de fraudes. Esta inovação permite fazer pagamentos de baixo valor — até €20 — sem ser necessário introduzir o código pin. A partir desse valor, e por questões de segurança, a transação Contactless tem de ter pin obrigatoriamente.
  • Higiénico: até os mais despreocupados de nós sabem que o dinheiro passado de mão em mão é uma fonte de bactérias — razão mais do que suficiente para evitar contacto com dinheiro vivo.
  • Saudável financeiramente: a utilização do Contactless pode também contribuir para um maior controlo financeiro do utilizador. Ao fazer todas as suas compras — mesmo as mais pequenas — electronicamente, é possível ter uma melhor visão dos seus gastos diários através do extracto do cartão, ou através do homebanking ou apps de gestão de gastos para smartphones.

Os pagamentos Contactless são realmente seguros?

Tendo em conta o método wireless utilizado, é natural que surjam questões acerca da segurança junto dos utilizadores, influenciadas por histórias de fraude não verificadas e difundidas na redes sociais, e o florescimento do mercado de “carteiras anti-roubo electrónico”. No entanto, a falta de segurança é o principal mito associado à tecnologia e que necessita ser desmistificado.

Quando questionada sobre se estes pagamentos são realmente seguros, Paula Antunes da Costa, Country Manager da Visa em Portugal, responde inequivocamente que “sim”. “Os cartões Contactless Visa usam tecnologia EMV Chip, que provou ser eficaz na redução de fraudes. Esta inovação inclui características de segurança desenhadas para evitar práticas fraudulentas, como a clonagem de cartões”, explica.

Ao contrário dos antigos cartões de débito e crédito, em que a informação era armazenada na banda magnética na parte de trás do cartão (tornando-se mais susceptível para ladrões fraudulentos copiarem a informação com a passagem do cartão), os novos cartões Visa EMV Chip armazenam a informação num chip com microprocessador no interior do cartão, gerando nova informação em cada utilização. Em cada transação que efectua, o cartão produz um código único referente a essa transação, que não pode voltar a ser utilizado.

Este processo garante que, em caso de roubo, as informações do cartão roubado não possam ser usadas para criar cartões falsificados.

A responsável refere ainda que os cartões Contactless recebem o mesmo controlo de rede em tempo real e deteção de fraude que qualquer outra transação da Visa feita com um cartão de chip ou de banda magnética, e que os cartões Contactless têm um das taxas mais baixas de fraude entre qualquer tipo de pagamento: “Nos países onde os pagamentos Contactless são amplamente utilizados, a fraude no ponto de pagamento desceu para mínimos históricos”, afirma.

Para tornar o processo ainda mais seguro, os pagamentos Contactless são válidos apenas para montantes até 20€, com um limite de 60€ por dia (3 vezes 20€). A partir daí, o Contactless terá um pedido de pin, reduzindo o acesso em caso de possível furto até o utilizador informar o seu banco da situação. Ainda assim, os titulares de cartões Visa estão protegidos pela política de Responsabilidade Zero da Visa — que garante que não serão responsabilizados por cobranças não autorizadas feitas a partir de um cartão perdido, roubado ou usado fraudulentamente online ou offline.

Do pequeno comerciante à economia nacional

Para pequenos e grandes negócios, os pagamentos Contactless podem representar uma vantagem para os comerciantes que experienciam grande afluência total ou em “horas de ponta”, como o caso dos cafés e restaurantes. A rapidez do pagamento pode representar um acréscimo de negócio para um comerciante, permitindo que as filas para check-out sejam mais rápidas e criando uma boa experiência para clientes que odeiam esperar. Acresce a isso o facto de que os clientes, em média, gastam duas vezes mais quando pagam com Visa do que com numerário, segundo um estudo encomendado pela Visa, o qual é realizado continuamente desde 1991.

Os comerciantes podem também atingir uma maior eficiência operacional: os funcionários terão que lidar com menos manuseamento de dinheiro vivo, o que pode resultar em poupanças, maior segurança e redução do risco de fraude.

No entanto, os benefícios da implementação de tecnologias que permitem pagamentos rápidos e experiências de utilizador otimizadas vê-se melhor em grande escala: foi o caso do Campeonato do Mundo Feminino da FIFA 2019, em França. Durante a fase de grupos, mais de metade de todas as compras nos estádios foi realizada com tecnologia de pagamento Contactless, incluindo cartões Contactless, smartphones, pulseiras ativadas para pagamento e wearables. “Os adeptos do futebol estão a adotar a velocidade, a conveniência e a segurança da tecnologia Contactless a fim de reduzirem o tempo nas filas e aproveitarem toda a ação dos relvados”, diz Lynne Biggar, Diretora de Marketing e Comunicações da Visa, o fornecedor exclusivo de pagamentos do Campeonato do Mundo Feminino da FIFA.

Também fora dos estádios, as cidades anfitriãs viram o Contactless ser um factor-chave no aumento de transações externas: só nas nove cidades anfitriãs, houve um aumento de 140% de titulares internacionais de cartões Visa que optaram por pagar através do Contactless para efetuar compras fora dos estádios. Durante o evento, ocorreram 4,45 milhões de transações fora dos mesmos. Este impacto é mais relevante nas pequenas cidades anfitriãs, como Reims, Valenciennes e Le Havre, que viram o número de transações externas aumentar em cerca de 87%, 71% e 384%, respectivamente, em relação ao ano anterior.

Estes dados são interessantes de analisar, principalmente quando os transpomos para Portugal, que tem vindo a receber, em média, cerca de 20 milhões de turistas por ano. A nível nacional, a Visa revelou um aumento de 22% nas transações Contactless proveniente dos pagamentos efetuados pela comunidade estrangeira que visita o país. Este crescimento representa também um aumento de 10% no volume de pagamentos internacionais Contactless em território nacional com base no mesmo período de tempo. A comunidade estrangeira que visita Portugal está altamente familiarizada com novas tecnologias de pagamento, e a opção Contactless permite-lhes efectuar um pagamento rápido, num método que lhes é familiar e que se sobrepõe a barreiras como o desconhecimento da moeda ou da língua.

Apesar do aumento de 22% registado nos pagamentos Contactless estrangeiros em Portugal, ainda existem obstáculos à sua utilização, como taxa de aceitação de pagamentos através de marcas internacionais ou Contactless. Estes obstáculos significam que a generalidade dos estrangeiros ainda recorre a pagamentos em dinheiro vivo, o que por vezes pode contribuir para a economia paralela – uma desvantagem para a economia nacional, tendo em conta a importância que o sector do turismo representa atualmente.

“No nosso país, ainda temos muito que trabalhar na contextualização dos consumidores relativamente às soluções disponíveis em Portugal e no estrangeiro, quer sejam de crédito ou débito. Esse é, no entanto, um processo educacional que deve ser percorrido em colaboração entre as diversas entidades do sector com partida para efeitos de maior taxa de aceitação e sinalização de novas tecnologias de débito e crédito, como o Contactless.”, refere Paula Antunes da Costa, Country Manager da Visa em Portugal. A responsável revela também que a Visa está a trabalhar de perto com comerciantes, adquirentes e emissores para preparar o mercado para aceitação Contactless e com instituições financeiras para expandir a emissão de cartões Contactless, com o objectivo de tornar este o método de pagamento preferido dos portugueses.

Mas esta não é a única área em que a Visa está a inovar – a empresa está a fazer avanços em várias áreas de pagamento como biometria, IoT (Internet of Things), tokenização, trânsito e soluções comerciais, e a trabalhar para que estas tecnologias sejam incorporadas mais facilmente em novos produtos, tais como o Visa Token Service, Visa Direct, carros inteligentes conectados à Internet, etc. Para isso, a empresa está a colaborar com uma ampla gama de parceiros para aproveitar a agilidade das empresas de tecnologia da informação e a escala dos principais bancos e comerciantes, tendo criado uma rede global de Centros e Estúdios de Inovação, presentes em Berlim, Dubai, Londres, Nova Iorque, Miami, São Francisco, Singapura, São Paulo, Estocolmo e Tel Aviv.

Tocar para viajar nas megacidades

Segundo as Nações Unidas, até 2050, 68% da população mundial irá viver em centros urbanos — e o número de “megacidades” com populações maiores do que 10 milhões de pessoas irá aumentar de 43, de hoje, para 51. Centros urbanos desta dimensão vêm com o seu próprio conjunto de desafios. Mas será que os novos métodos de pagamento podem influenciar positivamente a qualidade de vida urbana? A resposta é sim. Segundo o estudo global O Futuro dos Transportes: Mobilidade na Era da Megacidade, os pagamentos estão no centro de todos os meios de viagem, e irão continuar a tornar-se cada vez mais integrais à medida que mais cidades adoptarem o Contactless nos transportes públicos, e os pagamentos digitais para estacionamento e serviços de aluguer como bicicletas e scooters.

Segundo o estudo, o carro pessoal continua a ser o principal meio de transporte para viagens pendulares e pessoais. Mais de metade dos inquiridos (52%) sente frustração com a experiência de utilização dos transportes públicos, estando a complexidade no pagamento no centro de muitas queixas comuns, seja por considerarem um detrimento os serviços aceitarem apenas dinheiro vivo (41%) ou afirmarem que a necessidade de bilhetes distintos para diferentes modos de viagem é um problema (47%). O mesmo estudo estima que, se fosse mais fácil pagar pelo transporte público, o uso médio aumentaria em 27%, o que revela a necessidade de criar soluções mais rápidas e eficientes, e investir em soluções tecnológicas que os consumidores exigem e que se aplicam a diferentes formas e opções de transporte — para que a sua experiência de movimento dentro da cidade se torne mais rápida e simples.

Mike Lemberger, Vice-Presidente Sénior para Soluções de Produto da Visa Europa, explica: “O futuro sucesso das nossas cidades está relacionado e depende do futuro do transporte e da mobilidade. A Visa e os nossos parceiros têm um importante papel a desempenhar, tanto na simplificação da experiência de pagamento para milhões de passageiros em todo o mundo, como no apoio às autoridades de transporte público na procura por soluções de transporte sustentáveis e convenientes que melhorem a vida das pessoas que o utilizam”.