O ministro da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, garantiu esta quarta-feira que os movimentos como o Zero não existem nas Forças Armadas.

“Tenho vistos referências na imprensa sobre o aparecimento de movimentos tipo Zero nas Forças Armadas, mas é só na comunicação social que vejo a referência. Não o sinto nas Forças Armadas. Francamente, são praticamente inexistentes”, respondeu o ministro a uma pergunta do deputado João Vasconcelos, do Bloco de Esquerda, durante o debate na especialidade do Orçamento do Estado para 2020.

João Gomes Cravinho frisou ainda que “as atitudes de se esconderem atrás do anonimato não correspondem à forma de ser dos militares” portugueses, acrescentando: “Posto isto, é evidente que há trabalho a fazer em matéria de melhoria das condições dos nossos militares”.

Em 17 de janeiro surgiu um documento não assinado de um movimento que se autodenomina Militares Unidos contra a falta de aumentos ou promoções e de condições de segurança e em que se pede que os militares, praças, sargentos ou oficiais, mostrem o “descontentamento”.

E apelavam a que não comparecessem nos refeitórios à hora de almoço ou ficassem na unidade até ao arriar da bandeira nacional, na terça-feira, véspera da apresentação do Orçamento do Estado de 2020 (OE2020) no parlamento, pelo ministro da Defesa Nacional.

A Associação de Praças das Forças Armadas apoiou e associou-se a este protesto simbólico, enquanto a Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) se demarcou embora tenha admitido compreender os motivos da iniciativa.

No final de 2019, a AOFA alertou para o aparecimento de movimentos de “tipo zero”, a exemplo daqueles que surgiram nas forças de segurança, na PSP, neste caso na Marinha portuguesa.