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E eis que, no meio de alguma escuridão, felizmente há um luar chamado Taarabt (a crónica do Gil Vicente-Benfica)

Benfica ganhou, voltou às vitórias, segurou o primeiro lugar e jogou melhor. Carlos Vinícius resolveu, Vlachodimos é decisivo mas o destaque é Taarabt: que defende, ataca, joga e faz jogar.

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O médio marroquino fez a assistência para o golo de Carlos Vinícius

AFP via Getty Images

O médio marroquino fez a assistência para o golo de Carlos Vinícius

AFP via Getty Images

Os nomes de Bruno Lage e de Samaris dificilmente serão separados quando se falar do percurso de um e de outro no Benfica. E por incrível que pareça, o que une treinador e jogador são dois períodos algo díspares no percurso de um e de outro no Benfica. Quando Bruno Lage chegou ao comando técnico encarnado, no início de 2019 e para substituir Rui Vitória, Samaris estava praticamente arredado das opções iniciais da equipa e estava longe de ser imprescindível. Com o novo treinador, o médio grego tornou-se peça fulcral no meio-campo do Benfica, titular garantido e um dos elementos mais importantes na conquista do título. O panorama atual é diametralmente diferente.

Desde o início da temporada e com o afirmar de Taarabt, que entrou de forma praticamente definitiva no onze tipo de Bruno Lage, Samaris foi progressivamente saindo do onze, saindo do banco de suplentes, saindo da convocatória. Para espanto de muitos e surpresa de outros tantos, passou diversas jornadas sentado na bancada, longe do relvado e longe da equipa. Lage apostava em Taarabt e em Gabriel, por vezes em Fejsa, por vezes em Florentino, muito em Weigl desde que o alemão chegou, mas raramente em Samaris: o grego foi lançado inúmeras vezes já nas retas finais dos jogos, para segurar resultados ou para perder tempo, tal como aconteceu na passada quinta-feira, contra o Shakhtar Donetsk. O tema passou a ser tópico quase obrigatório nas conferências de imprensa de Bruno Lage — e a antevisão da visita ao Gil Vicente não foi exceção.

Ficha de jogo

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Gil Vicente-Benfica, 0-1

22.ª jornada da Primeira Liga

Estádio Cidade de Barcelos, em Barcelos

Árbitro: Luís Godinho (AF Évora)

Gil Vicente: Denis, Fernando, Ygor, Rúben Fernandes, Henrique Gomes (Arthur Henrique, 84′), Soares, Claude Gonçalves, Kraev (Hugo Vieira, 64′), Baraye (Samuel Lino, 71′), Sandro Lima, Lourency

Suplentes não utilizados: Wellington, João Afonso, Edwin Vente, Ahmed Isaiah

Treinador: Vítor Oliveira

Benfica: Vlachodimos, Tomás Tavares, Rúben Dias, Ferro, Grimaldo, Pizzi, Weigl, Samaris (Chiquinho, 90′), Rafa (Cervi, 84′), Taarabt, Vinícius (Dyego Sousa, 79′)

Suplentes não utilizados: Zlobin, Seferovic, Nuno Tavares, Jota

Treinador: Bruno Lage

Golos: Carlos Vinícius (15′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Rúben Dias (17′), a Ygor (86′)

“É opção, tendo em conta o que vai acontecendo. O Samaris não foi o único jogador que não tem jogado após o sucesso da época passada. O Tino [Florentino] igual, Seferovic igual… A questão parece sempre para o Samaris, mas prende-se com o coletivo. Ele ou qualquer jogador está sempre próximo de entrar no jogo. A nossa forma de trabalhar e ver as coisas é de três em três dias, há deslocações, desgaste… Todos os jogadores estão sempre disponíveis para entrar no onze”, justificou o treinador encarnado, reconhecendo que a ausência de Samaris passa por uma opção técnica. Esta segunda-feira, em Barcelos, Bruno Lage voltava a assumir uma opção técnica: e Samaris era titular pela primeira vez em quase três meses.

Contra o Gil Vicente de Vítor Oliveira — que esta temporada ganhou ao FC Porto e ao Sporting e empatou duas vezes com o Sp. Braga –, o Benfica estava obrigado a ganhar para regressar ao primeiro lugar da Liga. Pressionado pela vitória dos dragões em casa contra o Portimonense, que colocava a equipa de Sérgio Conceição à condição na liderança com mais dois pontos do que os encarnados, o conjunto de Bruno Lage tinha de quebrar uma série de quatro jogos sem ganhar que era já a pior da época. E para isso, entre a eliminatória dos 16 avos de final da Liga Europa que arrancou com uma derrota na Ucrânia, o treinador fez quatro alterações à equipa inicial: saíam Florentino, Cervi, Chiquinho e Seferovic, entravam Samaris, Rafa, Weigl e Carlos Vinícius. A coexistência do grego e do alemão no meio-campo, ambos elementos mais defensivos do que o contrário, levantava algumas questões que só foram dissecadas com o apito inicial.

Weigl e Samaris atuavam lado a lado na zona em frente ao centrais e era o alemão quem ficava para trás na hora de atacar, com o grego a juntar-se mais aos elementos mais adiantados. Taarabt aparecia nas costas de Carlos Vinícius, no lugar que tem sido de Chiquinho no passado mais recente do Benfica, Pizzi tombava na direita e Rafa no lado contrário. Os encarnados entraram melhor, com vontade de assumir o jogo e chegar depressa à grande área adversária. Rúben Dias surgia com bola em zonas muito adiantadas no terreno, de forma a oferecer superioridade ao meio-campo, e Taarabt ocupava-se da primeira fase de pressão quando o Gil Vicente tentava construir. A primeira oportunidade do jogo caiu para o lado do Benfica, com Pizzi a surgir praticamente isolado na grande área mas a rematar ao lado (8′), e era a equipa de Bruno Lage que detinha a maioria da posse de bola — ainda assim, Vinícius estava algo isolado na frente de ataque, já que o fluxo ofensivo era lateralizado antes de chegar à grande área, e o avançado brasileiro tinha algumas dificuldades em recuar para procurar linhas de passe.

Contudo, e a demonstrar uma eficácia acima da média, Carlos Vinícius só precisou de tocar uma vez na bola e ter uma oportunidade para inaugurar o marcador: um dado estatístico que o distingue desde já de Seferovic, algo perdulário esta temporada. Depois de um primeiro livre batido para a área e de um alívio insuficiente da defesa do Gil Vicente, Taarabt voltou a cruzar a partir da esquerda e o avançado brasileiro, totalmente sozinho e no coração da área, cabeceou tranquilamente para abrir o marcador (15′). Ao passar do primeiro quarto de hora, o Benfica colocava-se a ganhar em Barcelos, o que atribuía alguma segurança à equipa de Bruno Lage e evitava uma escalada de ansiedade e nervosismo que poderia aparecer com o retardar do golo.

Depois de o marcador mexer, o Benfica reduziu a intensidade e permitiu algum espaço ao Gil Vicente, que não deixava de esperar pacientemente as subidas de Rúben Dias ou dos laterais para provocar o erro do adversário e explorar as costas da defesa em sequência. Pizzi e Rafa foram trocando de corredores ao longo da primeira parte e voltava a subsistir a ideia de que o segundo, ainda que sempre influente, tem sempre um rendimento superior quando colocado a atuar na faixa central. O Gil Vicente aproximou-se da baliza de Vlachodimos depois do golo sofrido e Baraye poderia ter empatado pouco depois, com um remate ao lado na cara do guarda-redes grego (18′), assim como Kraev atirou de fora de área para uma defesa apertada do guardião encarnado (24′).

Até ao intervalo, Carlos Vinícius ainda voltou a colocar a bola no fundo da baliza de Denis, ainda que o lance tenha sido prontamente anulado por fora de jogo do avançado (36′), o Benfica poderia ter aumentado a vantagem num lance em que Rúben Dias apareceu que nem lateral a cruzar rasteiro (37′) e o Gil Vicente terminou mesmo a primeira parte com mais remates, fruto de uma reta final de primeiro tempo que teve vários ataques gilistas e uma oportunidade clara de Lourency já nos descontos (45+2′). Ao intervalo, o Benfica estava a ganhar mas não parecia ter o jogo controlado, cometendo alguns erros na fase de construção e não conseguindo estar totalmente confortável na partida.

[Carregue nas imagens para ver alguns dos melhores momentos do Gil Vicente-Benfica:]

Na segunda parte, o Gil Vicente entrou mais rápido e dinâmico e procurou principalmente o corredor esquerdo do ataque, onde Tomás Tavares estava algo suscetível e a errar muitos passes. Baraye era uma dor de cabeça para o jovem lateral direito português, que não tinha o apoio de Pizzi na transição defensiva e ficava sozinho na tentativa de travar o avançado gilista. O Benfica demorou a encontrar alguma tranquilidade na segunda parte, com a equipa de Vítor Oliveira a acumular várias oportunidades de golo nos primeiros dez minutos do intervalo — incluindo um remate do inevitável Baraye que obrigou Vlachodimos a uma defesa muito apertada (52′).

No meio-campo encarnado, Weigl continuava a ser uma espécie de elemento ‘menos’, já que falhava recorrentemente todos os passes verticais que tentava e raramente arriscava, preferindo lateralizar o jogo com toques curtos e que em nada impulsionavam a equipa. Samaris, por sua vez, era a ligação entre o setor mais recuado e o mais adiantado, numa transição onde Taarabt ia sendo claramente o jogador em destaque. Mais atrás, Ferro parecia ir-se redimindo das últimas exibições e apesar de nunca arriscar em demasia estava seguro e livre de erros.

Vítor Oliveira lançou Hugo Vieira e Samuel Lino para colocar mais elementos desequilibradores no ataque e Vlachodimos desdobrou-se em defesas, assumindo novamente o papel de melhor jogador do Benfica, tal como tem acontecido nos últimos jogos. Taarabt ainda acertou na trave, num lance individual brilhante (67′), mas era o Gil Vicente que ia empurrando os encarnados para o próprio meio-campo com uma pressão muito alta. O jogo do Benfica foi-se descaracterizando, com Weigl e Samaris e juntarem-se cada vez mais aos centrais para servirem de tampão às investidas gilistas, e Carlos Vinícius estava progressivamente isolado na frente de ataque. O avançado brasileiro acabou por sair com algumas dificuldades físicas, cedendo o lugar a Dyego Sousa, e o Benfica conseguiu segurar a vantagem face a um Gil Vicente muito pressionante que obrigou a equipa de Lage a sofrer nos últimos minutos.

Num jogo alguns níveis acima das últimas partidas, principalmente no que toca ao setor defensivo, o Benfica acabou por conseguir ganhar depois de quatro encontros sem vitórias e segurou o primeiro lugar da Liga, voltando a ultrapassar o FC Porto. Samaris, que acabou por sair lesionado, foi notoriamente competente, Carlos Vinícius decidiu com uma eficácia acima da média, Ferro subiu de rendimento e Pizzi e Rafa estiveram algo escondidos: no fim, a nota máxima vai para Taarabt, que é cada vez mais e a par de Vlachodimos o elemento mais preponderante no Benfica. O médio marroquino ataca, defende, motiva e faz jogar — algo que escasseia no resto da equipa.

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