Jorge Silas foi apresentado no Sporting a 27 de setembro, na sequência dos maus resultados do interino Leonel Pontes que por sua vez já tinha substituído Marcel Keizer, “condenado” desde a goleada sofrida com o Benfica na final da Supertaça logo a abrir a temporada. Em casa, foi conseguindo somar triunfos importantes e consecutivos, que pararam no clássico com o FC Porto e no dérbi com o Benfica; fora, foi eliminado na Taça de Portugal frente ao Alverca, perdeu na meia-final da Taça da Liga com o Sp. Braga e saiu agora da Liga Europa goleado pela equipa turca do Basaksehir. No final de fevereiro, o único objetivo dos leões é o terceiro lugar no Campeonato.

Ainda antes da eliminatória europeia e depois de já ter fechado o mercado de inverno com a contratação de Sporar que ganhou outra premência com a lesão grave de Luiz Phellype e a venda de Bruno Fernandes, a administração da SAD liderada por Frederico Varandas já tinha ponderado o futuro do técnico. Que, basicamente, estava também dependente do percurso que a equipa fosse capaz de fazer nas competições internacionais. Agora, ainda que não existam decisões definitivas, só é certo que Silas vai sair do Sporting. Mas, ao contrário do que tem sido veiculado nas últimas horas, pode ser apenas em maio e não a seguir ao jogo com o Famalicão, na terça-feira.

Ponto de situação: da parte do técnico, a ideia passa por cumprir o contrato até ao final da temporada, até por ter ideia que o terceiro lugar no Campeonato é um objetivo alcançável e por considerar que com o atual plantel (e no atual contexto) dificilmente alguém conseguiria chegar e fazer “milagres”; da parte dos dirigentes que estão à frente do futebol verde e branco, existe não só uma avaliação global a ser feita tendo já em vista a próxima época mas também uma realidade que muda de figura em termos de universo sportinguista, que continua a ser marcado pelas clivagens existentes – e já estará a ser marcada nova manifestação para o próximo jogo em Alvalade.

No entanto, existem três fatores que pesam nesta altura na continuidade de Silas: 1) a hipótese de haver um quarto treinador durante a mesma temporada, algo que não seria único mas funcionaria como exemplo raríssimo na história do clube e que contradiz por completo a ideia de estabilidade pretendida e anunciada por Frederico Varandas; 2) a necessidade de haver pagamento de mais uma indemnização, o que choca também com o trabalho que tem vindo a ser feito para resolver situações antigas sem criar novas situações; 3) o nome e perfil de alguém que agarrasse na equipa nesta fase da época e que apenas poderia ser considerado caso fosse a opção para fazer não só os últimos dois meses e meio mas também a próxima temporada desportiva.

Assim, e apesar de haver nesta fase muitas conversas a nível de cúpula diretiva do Sporting, tudo deverá continuar na mesma nos próximos dias, que servirão para preparar a deslocação dos leões na terça-feira a Famalicão para defrontar uma das grandes revelações do Campeonato. Até porque, em paralelo com o futebol, existe uma situação cada vez mais agravada de um clube a perder sócios, adeptos, espetadores e apoiantes entre guerras internas que têm tendência a agravar-se com os maus resultados que a “mola real” verde e branca tem registado.