Os números estão melhores, mas mais de metade dos alunos ainda não consegue fazer o 3.º ciclo e o secundário sem chumbar. Segundo os mais recentes dados do Ministério da Educação, só 47% dos estudantes consegue percorrer o caminho entre o 7.º e o 9.º ano sem chumbos, valor que desce para os 44% quando se fala do ensino secundário. Em qualquer um deles, o padrão é o mesmo: as raparigas têm mais sucesso do que os rapazes e os alunos de contextos mais favorecidos têm melhores notas. A boa notícia é que, dos quatro anos letivos analisados, o mais recente (2018/19) apresenta o número mais alto de alunos sem chumbos.

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No 3.º ciclo, a diferença entre rapazes e raparigas mantém-se estável ao longo dos quatros anos letivos, com pequenas variações, sem significado estatístico. No ano letivo passado, mais de metade das raparigas (52%) fez percursos diretos de sucesso, ou seja, sem retenções no 7.º e no 8.º anos e com positiva nas duas provas nacionais do 9.º ano. Entre os rapazes, o valor desce para 43%.

No ano letivo anterior, 2017/18, o número de estudantes sem retenções era mais baixo para ambos os sexos — 49% para as raparigas e 41% para os rapazes — o que permite concluir que todos melhoraram em igual medida, com uma vantagem de 1% para as alunas portuguesas.

No secundário, também são elas que estão à frente. Num ciclo em que 66% dos alunos não conseguem ir do 10.º ao 12.º ano sem retenções e com positiva nos exames nacionais (nas duas disciplinas trienais), os resultados para todos os alunos são piores do que no ciclo de ensino anterior. Entre as raparigas, 48% conseguem fazer um percurso de sucesso. Entre os rapazes, 39%.

Chumbar no secundário é regra e não exceção

Os dados, recolhidos pela Direção-Geral de Estatísticas da Educação e Ciência, foram apresentados aos jornalistas nesta segunda-feira, pelo secretário de Estado da Educação, João Costa, a propósito das novidades do Infoescolas, o portal de estatísticas do ensino básico e secundário.

Só um quinto dos alunos mais carenciados não chumba

A correlação entre contexto socioeconómico e os resultados escolares mantém-se em Portugal, mostra também o documento da DGEEC. Quanto mais carenciado é o aluno, menor a probabilidade de ter um percurso sem retenções, algo que o relatório PISA, da OCDE, já tinha demonstrado em dezembro passado. Para fazer esta análise, os alunos foram divididos pela DGEEC em três grupos: os que têm ação social escolar (ASE), escalão A e B, e os que não têm direito ao apoio estatal.

Assim, no 3.º ciclo, só um quinto (21%) dos alunos mais carenciados tem percursos diretos de sucesso. Entre os de escalão B, o valor sobe para 38%, mas fica muito longe dos resultados de quem não passa dificuldades económicas. Entre aqueles que fazem parte de classes mais favorecidas, mais de metade (56%) conseguem evitar os chumbos.

Olhando para os quatro anos letivos, é também visível que foram os alunos do escalão B quem teve mais melhorias, com um aumento de 10% (28% para 38%) entre 2015 e 2018. Para os mais pobres, os alunos de escalão A, o aumento foi de apenas 3% (18 para 21%), enquanto que entre os favorecidos a subida do número de alunos sem chumbos foi de 9% (47 para 56).

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No secundário, a evolução — quando analisada por contexto socioeconómico — é menos óbvia. Ao longo dos quatro anos letivos, em todos os três grupos analisados, a melhoria de alunos sem chumbos foi de 6%. Entre os alunos mais favorecidos, 45% conseguiam evitar os chumbos ao longo do secundário no ano letivo de em 2018/19, enquanto que, nos alunos de escalão B, a percentagem descia para 36%.

Entre os mais carenciados, o valor não passava dos 29%.

Exatamente porque o padrão se mantém em Portugal, esta segunda-feira o Ministério da Educação anunciou que está a ser desenvolvido um novo indicador para avaliar as escolas. O objetivo é perceber quais as escolas que conseguem melhores resultados com os alunos desfavorecidos e que fórmulas estão a funcionar para combater as desigualdades sociais na educação.