Tal como acontece com qualquer construtor, também a Tesla concebe berlinas e SUV sobre o mesmo chassi, partilhando plataforma, suspensões (ainda que estas com pequenas alterações para conseguir uma maior altura ao solo), motores, baterias, sistemas de gestão de energia, ecrãs, bancos e sistemas de ventilação e infoentretenimento. É por isso que o Model Y herda 75% das peças do Model 3.

Face a esta partilha de material e de soluções, foi curioso ver o youtuber Drag Times alegar que, no teste que realizou, o Model Y revelou ter os dois motores (tanto o da frente como o posterior) com mais potência do que o Model 3. Afirma este especialista em provas de aceleração com arranque parado que, através de uma aplicação ligada ao sistema de diagnóstico onboard (OBD), confirmou que os dois motores do SUV forneciam mais potência do que os que equipam a berlina, isto apesar de serem as mesmas unidades.

Ao contrário do que acontece com os motores de combustão, a gasolina ou a gasóleo, onde é mais difícil aumentar ou diminuir a força fornecida pela unidade motriz, os motores eléctricos são facilmente moduláveis. A potência máxima atribuída ao Y e ao 3 é sempre de 450 cv na versão Performance mas, de acordo com o Drag Times, o motor anterior do Model 3 atinge 180,5 kW, cerca de 245 cv, para o do Model Y rondar 198,5 kW, aproximadamente 270 cv.

Se a situação no eixo anterior favorece o SUV, não parece haver diferença na estratégia seguida com o motor traseiro, que no 3 atinge 255 kW (347 cv) e no Y 270,5 kW (368 cv). No total, o Model 3 usufrui de 435,5 kW (592 cv), enquanto o Model Y beneficia de 469 kW (638 cv). Ambos os valores são muito elevados para os modelos em causa, especialmente quando comparados com os dados atribuídos aos Tesla que, como já recordámos, estão fixados nos 450 cv.

É certo que os gráficos das medições revelam que os valores máximos de potência fornecidos pelos quatro motores acontecem durante um curto período de tempo, para depois cair à medida que a rotação sobe, mas mesmo no regime máximo, onde a potência fornecida por cada uma das unidades é menor, o Model Y não só continua a usufruir de uma vantagem sobre o Model 3, como atinge um total aproximado de 520 cv, sempre acima dos 450 cv anunciados.

A estratégia de dotar o Y com mais potência pode fazer sentido, para evitar que seja acusado de ser muito mais lento do que a berlina, essencialmente para compensar o maior peso do SUV (+156 kg), bem como a maior superfície frontal (uma vez que o Cx é o mesmo, com 0,23 em ambos os casos). Paralelamente, a bateria montada no SUV terá um pouco mais de capacidade. Segundo o equipamento de medição, o Model Y parece ter um acumulador com 77,5 kWh, contra os 72,5 kWh do Model 3.

Nos arranques lado a lado, com partida lançada, o equilíbrio parece ser grande, descontando o facto de o Y acelerar primeiro. Já no arranque parado, o 3 parece mais lesto nos primeiros metros, o que pode explicar a ligeira vantagem que ainda tem na relação peso/potência. Interessante, mas ficaremos mais “descansados” depois de medições com mais forte teor científico, recorrendo por exemplo a um banco de ensaio.