Há várias áreas que funcionam pior nos EUA do que na Europa, mas também abundam exemplos contrários. Uma das entidades norte-americanas que parece bater a sua congénere europeia é a Environmental Protection Agency (EPA), que controla tudo o que é consumos e emissões do outro lado do Atlântico. E, em vez de aceitar os dados avançados pelos fabricantes, calculados em banco de ensaio, realiza ela mesma os testes, de forma a evitar abusos e aproveitamento em prejuízo do consumidor.

Um dos exemplos mais flagrantes é o que acontece com os híbridos plug-in, ou seja, os veículos que têm como motor principal uma unidade a combustão, na esmagadora maioria dos casos a gasolina, que depois é ajudada por uma outra eléctrica, alimentada por uma bateria pequena, que permite percorrer entre 50 e 80 km em modo eléctrico. Na Europa, o WLTP, porque apenas considera os primeiros 100 km e parte do princípio que o condutor tem a bateria a 100% de carga antes de iniciar qualquer deslocação, permite que modelos como o BMW 330e, Mitsubishi Outlander PHEV e Porsche Cayenne e-Hybrid anunciem respectivamente consumos médios de 1,4 litros/100 km, 2,0 l/100 km e 3,9 l/100 km. Já nos EUA, os mesmos modelos estão homologados com consumos médios de 7,8 l/100 km para o BMW, 9,4 l/100 km para o Mitsubishi e 10,7 l/100 km para o Porsche.

Qual o melhor eléctrico? E o pior?

Esta mesma EPA determina igualmente o consumo dos veículos eléctricos, visando sempre informar os condutores acerca dos que permitem custos de utilização inferiores e autonomias mais elevadas. E há diferenças importantes, pois os técnicos americanos encontraram modelos com apetite de passarinho, com consumos de 149 Wh/km (ou seja, 14,9 kWh/100 km, para outros revelarem uma eficiência muito inferior, com consumos de 30,8 kWh/100 km, ou seja, menos de metade da autonomia com a mesma capacidade de bateria. É a diferença entre percorrer 250 ou 500 km, entre duas visitas ao ponto de carga.

E se é eficiência que deseja, não são necessariamente os modelos mais caros as melhores escolhas. A Tesla lidera com o Model 3 Standard Range Plus, com 14,9 kWh/100 km, disponível em Portugal por 48.900€. Logo depois surge o Hyundai Ioniq, à venda por 40.000€, com um consumo de 15,7 kWh/100 km, bem à frente do Taycan Turbo S, proposto por 192 mil euros e com um consumo de 30,8 kWh/100 km.

De notar o facto de o Model Y ser mais eficiente do que o Model 3 com as mesmas especificações (Performance AWD) e a forma como se distribuem pelo ranking os Hyundai Ioniq e Kauai, BMW i3, Fiat 500e (o antigo), Kia Niro EV e Nissan Leaf, também à venda na Europa. Renault Zoe e Peugeot e-208 não são comercializados nos EUA, o que os levou a não serem considerados neste estudo.

As diferenças entre os veículos eléctricos maiores e mais luxuosos ainda são maiores, com o Tesla Model S Long Range a surgir com 18,9 kWh/100 km, ligeiramente à frente do Model S Performance (20,1 kWh/100 km), usufruindo de uma vantagem confortável sobre o Jaguar I-Pace (27,6 kWh/100 km) e o Audi e-tron (28,3 kWh/100 km).

Em termos de eficiência energética, os piores são os Porsche Taycan, pois a versão Turbo alcança 30,4 kWh/100 km de consumo médio, enquanto o Taycan Turbo S fixa a sua necessidade de energia em 30,8 kWh/100 km. Isto explica uma autonomia para estes modelos próxima dos 300 km, entre recargas, também ela a mais reduzida do segmento.