Na mesma semana em que o juiz Paulo Registo apresentou um pedido de escusa do caso Rui Pinto, “por existir suspeita sobre a sua imparcialidade”, há uma juíza do mesmo coletivo que está sob suspeita de um conflito de interesses.  Chama-se Helena Leitão, é a juíza-adjunta do coletivo que foi sorteado para julgar o ex-hacker e já pôs o seu lugar à disposição do presidente do Tribunal da Comarca de Lisboa.

Helena Leitão informou esta semana o Ministério Público e os advogados de Rui Pinto e de Aníbal Pinto (ex-advogado do ex-hacker que também será julgado) de que mantém uma relação “estritamente profissional” com um dos assistentes do processo: João Medeiros, ex-advogado da SAD Benfica e, à data do ataque informático alegadamente perpetrado pelo hacker à PLMJ, um dos sócios do escritório de advogados.

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No despacho enviado ao titular da ação penal e à defesa “ao abrigo do cumprimento dos seus deveres deontológicos”, a magistrada informou que não pediu escusa do processo, por considerar que os factos em causa “não são suscetíveis de justificar a apresentação do pedido de escusa”, cita a edição deste fim de semana do Expresso, mas colocou o lugar à disposição do presidente do tribunal.

João Medeiros, que também é assistente no processo que envolve Rui Pinto, é advogado de Helena Leitão num processo que envolve igualmente a empresa Foot4you.

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Ao mesmo jornal, Francisco Teixeira da Mota, advogado de Rui Pinto, que avançou nos últimos dias com um incidente de recusa do juiz Paulo Registo, mostrou-se surpreendido mas não revelou se vai ou não fazer o mesmo em relação a Helena Leitão. “Vamos avaliar o despacho da juíza e decidiremos para a semana. Fiquei muito surpreendido com isto. É a primeira vez que vejo uma coisa destas na minha carreira.”