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Jackson já não dança como antigamente mas jogar na sua equipa continua a ser uma festa (a crónica do Portimonense-Gil Vicente) /premium

Vítor Oliveira voltou a Portimão, onde acabou como jogador e começou como treinador, mas Gil Vicente perdeu com Portimonense (1-0). Lucas marcou o golo, Jackson Martínez foi o exemplo para todos.

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Jackson Martínez já enfrenta dificuldades físicas, sofreu uma entorse nos minutos iniciais mas aguentou quase até ao final do jogo (a coxear)

LUSA

Jackson Martínez já enfrenta dificuldades físicas, sofreu uma entorse nos minutos iniciais mas aguentou quase até ao final do jogo (a coxear)

LUSA

Nasceu em Matosinhos, formou-se no principal clube da terra (Leixões), passou por Paredes e Famalicão antes de se mudar para o Sp. Espinho, subiu para o Sp. Braga, acabou a carreira de jogador no Algarve. Poucos se recordam mas Vítor Oliveira, o maior nómada de consumo interno do futebol português, foi médio do Portimonense nos anos 80, entre 1983 e 1985. A história não ficou por aí porque, na temporada seguinte, subiu a treinador da equipa, onde ficou duas épocas. Saiu em 1987, voltou em 2016, com a equipa na Segunda Liga. E subiu, claro, o que lhe iria valer um extenso artigo do jornal The Guardian. “Desde que começou, há 32 anos, teve 22 empregos em 17 clubes e subiu 10 vezes de divisão. Conheça o treinador que vai na quinta ascensão consecutiva”.

Famalicão-FC Porto. Defendi evita golo de Marega (0-0, 11′)

Ali, naquela lona gigante na bancada em frente aos bancos onde todos estavam de máscara, podia haver um lugar para o técnico de 66 anos ao lado do presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do primeiro-ministro, António Costa, do líder da Liga, Pedro Proença ou das demais personalidades representadas que contribuíram cada um de sua forma para o regresso ao futebol. Não estava ali, está na história do clube. Mas está ainda na história do Gil Vicente, o atual clube. E está também na própria história do futebol português. Hoje, mais do que nunca, quando fala, deixa marca. E foi isso que aconteceu na antecâmara do encontro do regresso da Primeira Liga.

“Os jogadores querem e gostam de jogar mas é preciso criar condições para que apenas se preocupem em jogar bem, ganhar e defender as cores do seu clube. Com as regras bem definidas, que ainda não estão, é mais fácil para todos. Não diria que é um futebol anormal mas é diferente daquilo que estamos habituados. Ninguém pode fazer julgamentos precisos sobre como as equipas irão aparecer e como será a qualidade dos jogos ou os resultados. É uma incógnita grande, até nós estamos curiosos. E não ter público nos estádios é quase matar o futebol”, referiu. Ainda assim, havia um objetivo claro: resolver o jogo e não entrar na toada do deixar que o mesmo se fosse resolvendo. E foi essa ideia que trazia para ganhar que explica em parte a derrota que acabou por ter.

Ficha de jogo

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Portimonense-Gil Vicente, 1-0

25.ª jornada da Primeira Liga

Portimão Estádio, no Algarve

Árbitro: Hugo Miguel (AF Lisboa)

Portimonense: Gonda; Hackman, Lucas Possignolo, Willyan, Henrique Custódio (Rômulo, 79′); Aylton Boa Morte (Jadson, 90′), Dener, Júnior Tavares, Tabata; Lucas Fernandes e Jackson Martínez (Ricardo Vaz Tê, 84′)

Suplentes não utilizados: Ricardo Ferreira, Anzai, Fernando e Marlos

Treinador: Paulo Sérgio

Gil Vicente: Denis; Alex Pinto, Ygor Nogueira, Rúben Fernandes, Henrique Gomes; Kraev, Soares, Claude Gonçalves (Vítor, 80′); Baraye (Samuel Lino, 70′), Sandro Lima e Rúben Ribeiro (Hugo Vieira, 70′)

Suplentes não utilizados: Bruno, João Afonso, Arthur Henrique e Edwin Vente

Treinador: Vítor Oliveira

Golo: Lucas Fernandes (49′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Soares (57′) e Claude Gonçalves (74′)

Houve desinfeção das balizas, análise cuidada às redes, entradas separadas das equipas, jogadores de máscaras no banco e um minuto em memória de todas as vítimas do novo coronavírus que foi verdadeiramente de silêncio (até uma ave que passou pelo Portimão Estádio se conseguiu ouvir na transmissão da SportTV). Vítor Oliveira, de calções, estava sorridente no apito inicial mas demorou quatro minutos a perder essa imagem: após um grande passe de Alex Pinto, Sandro Lima ganhou a profundidade, quis fintar em vez de rematar e perdeu aquela que podia ter sido uma boa oportunidade (4′). Pouco depois, na sequência de um canto do Portimão, foi Rúben Ribeiro a concluir da pior forma na área uma situação de vantagem numérica 4×2 (8′). E ainda houve um remate cruzado rasteiro de Baraye, para defesa apertada apenas à segunda de Gonda (19′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Portimonense-Gil Vicente em vídeo]

O Portimonense tinha mais bola mas não sabia o que fazer com ela. O Gil Vicente só precisava de quatro passes para chegar ao último terço adversário. Os algarvios tentavam equilibrar o encontro e conseguiram-no quando começaram a tentar explorar também a profundidade (mesmo sem resultados práticos). No meio de tudo isto, Jackson Martínez, o goleador colombiano de 33 anos que já não chegou ao Algarve nas melhores condições físicas, coxeava (ainda mais) por causa de uma entorse num lance disputado nos minutos iniciais mas nem por isso virava a cara à luta, dando o mote enquanto capitão para a melhoria da equipa sem oportunidades.

“É uma luta diária. Cada treino, cada momento em que me deito na cama para dormir… Quase todas as noites, por volta das 3h ou 4h da manhã, como se fosse um relógio, o meu sono é interrompido devido a algum incómodo no pé. Depois de alguns minutos, passa e volto a dormir. Para treinar-me também não é fácil, não posso fazê-lo dois ou três dias seguidos. Queria muito trabalhar normalmente todos os dias mas os médicos e o fisioterapeuta esclareceram-me que isso era impossível e sigo um programa específico. Nos jogos tenho uma enorme vontade de ajudar mas por vezes penso que não aguento mais e que devo levantar a mão a pedir a substituição. Quando isso sucede, cerro os dentes e não desisto”, contou numa entrevista ao Record em janeiro do ano passado. Um ano e meio depois, a situação não é muito melhor mas Jackson cerra os dentes e continua a não desistir.

Foi por isso que, ao intervalo, mesmo limitado em termos físicos, Jackson Martínez não quis sair e acabou por ver de perto aquele que foi o melhor momento do encontro: Lucas Fernandes, um médio ofensivo que prometeu muito quando chegou a Portugal mas que levava apenas um golo na Primeira Liga até ao momento, recebeu a bola fora da área descaído no lado esquerdo do ataque, arriscou o remate de longe e colocou a bola no ângulo da baliza de Denis, que não teve qualquer hipótese para evitar uma obra prima como aquelas que o colombiano fazia nos bons velhos tempos de FC Porto, Atl. Madrid e Guangzhou Evergrande. Oliveira só abanava a cabeça, entre os festejos que por momentos esqueceram qualquer tipo de distanciamento social como era recomendado.

Com um pouco mais de pragmatismo e aproveitando alguns espaços que os algarvios deram no início do jogo, o Gil Vicente podia ter chegado à vantagem. No arranque da segunda parte, estava a perder – e não mais conseguiria inverter esse cenário. O Portimonense de Paulo Sérgio não tem o mesmo futebol rendilhado e com passes curtos na zona de construção até conseguir colocar a bola nas unidades da frente mas ganhou outra capacidade nas ações defensivas, com o guarda-redes Gonda a ter pouco trabalho depois do único golo da partida. E foi assim que ganhou um outro fôlego no Campeonato em vésperas de receber o Benfica, em mais um encontro onde Jackson Martínez até pode não estar nas melhores condições mas vai querer ser opção. É assim que se medem os heróis, como se viu na forma como saiu a sete minutos do final… depois de ir ajudar a sua defesa.

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