Depois de seis derrotas consecutivas, o V. Setúbal chegava a Alvalade para disputar a sua primeira final na luta pela permanência sem grande margem de manobra. Após os 90 minutos, o nulo deu um ponto e a grande “vitória” que a equipa pretendia: beneficiando da derrota do Portimonense em P. Ferreira, entrava na última ronda a depender só de si. Mas a forma como esse 0-0 foi obtido provocou muitas opiniões que se iam dividindo: por um lado, houve quem criticasse e muito a postura dos sadinos por se alhearem do jogo ofensivo e colocarem um “autocarro” em frente à baliza; por outro, houve quem considerasse que cada um joga com as armas que tem e que a mais não é obrigado. Comentários à parte, esse primeiro objetivo tinha sido alcançado numa segunda volta péssima.

Depois de ter dobrado o Campeonato com duas vitórias frente a Belenenses SAD e Tondela, o V. Setúbal entrou numa espiral de maus resultados. Pior do que isso, não mais voltou a ganhar entre seis empates e nove derrotas. Nem mesmo a troca de treinador, com Lito Vidigal a entrar para o lugar de Júlio Velázquez a quatro jornadas do final, conseguiu inverter o rumo de queda livre de uma equipa que fez uma primeira metade de temporada muito interessante. A mudança técnica quis fazer regressar ao Bonfim uma figura que dois anos antes entrara pela porta grande dizendo que tinha uma ligação especial ao clube construída a partir das palavras de três antigos treinadores (Carlos Cardoso, o primeiro treinador sénior, Quinito e Mourinho Félix) e saíra por uma porta que ainda hoje não se percebeu se foi igualmente grande, pequena ou dos fundos. Uma figura capaz de puxar pelo sentimento da família vitoriana. Uma figura pragmática. E, no final, foi isso que aconteceu em Alvalade. O futebol é para ser jogado da melhor forma mas, quando chegamos à fase das decisões, só os resultados contam. E basta pensar que os quatro milhões por época dos direitos televisivos na Primeira Liga são cerca de 70% do orçamento…

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