Foi com surpresa que o mercado recebeu a notícia do afastamento de Jim Hackett como CEO e presidente da Ford, cuja substituição será efectiva a partir de 1 de Outubro deste ano. Hackett assumiu em 2017 o lugar antes ocupado por Mark Fields. Nestes três anos, foi responsável pela reformulação da F-150, a pick-up que representa o maior cash cow do fabricante norte-americano e que parece ter sido bem recebida pelo público. Mas não só.

Paralelamente, Hackett conseguiu ultrapassar o grande atraso com que a Ford atacou o mercado dos veículos eléctricos, que não só prometem ser o futuro da indústria automóvel, como são uma das soluções para evitar as pesadas multas que a União Europeia pretende impor aos fabricantes que ultrapassem os limites pré-estabelecidos para as emissões de dióxido de carbono (CO2).

Sob a égide de Hackett, a Ford concebeu o Mustang Mach-E, o SUV eléctrico que promete ser dos mais competitivos do mercado e o maior rival do Model Y da Tesla, e foi igualmente sob a batuta do ainda CEO que a marca da oval azul realizou um acordo com o Grupo VW. Este permitir-lhe-á ter acesso à plataforma alemã MEB, que vai originar modelos como o VW ID.3, de forma a recuperar do atraso de que a Ford enfermava nesta tecnologia.

De acordo com o The New York Times, Jim Hackett terá conseguido resultados mistos, pois se por um lado realizou acordos importantes – com a VW, tanto para acesso à plataforma MEB, como para fornecimento das bases para uma pick-up e veículos comerciais ligeiros, além de condução autónoma – e apresentou novos modelos bem aceites pelo mercado, por outro lado falhou em animar Wall Street e os accionistas, menos entusiasmados com a redução de vendas.

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O seu substituto será James Farley, que ascendeu a COO em Fevereiro, já a preparar o salto para a posição de topo na hierarquia da Ford. Farley, a quem vai ser pedido que retire um coelho da cartola, é apontado por alguns analistas como a pessoa ideal “pelo seu estilo e personalidade”, argumentos que raramente estão associados à capacidade de um gestor e que são capazes de funcionar melhor junto de Wall Street do que dos clientes, mais concentrados no produto.

Farley é um fã da competição automóvel, participando habitualmente em corridas de clássicos ao volante de um Lola, tendo competido em Goodwood ao volante de um Ford GT40 histórico.