A Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos (APEFE) vai, na terça-feira, “entregar cultura” nas residências oficiais do primeiro-ministro e do Presidente da República, já que a cultura “não existe em ‘take-away’, ‘delivery’ ou teletrabalho”, foi anunciado este sábado.

A iniciativa pretende mostrar a António Costa e a Marcelo Rebelo de Sousa “aquilo que a cultura não consegue nem nunca poderá ser”, lê-se num comunicado da associação, sublinhando que “ninguém sobrevive a uma quebra de 90 por cento de receitas”.

Continuamos à espera da resposta: Quem assume a decisão de acabar com a Cultura?”, questionou a APEFE.

A Lusa questionou Sandra Faria, da associação, que não adiantou mais pormenores sobre a iniciativa a realizar no feriado de 8 de dezembro. “Não nos deixam trabalhar, então têm de nos apoiar, que não é apoiar é investirem em nós. Nós não queremos subsídios, não queremos apoios, queremos que invistam na Cultura, e não está a acontecer“, afirmou Sandra Faria.

Os apoios até agora anunciados foram insuficientes para garantir a sobrevivência de milhares de trabalhadores e centenas de empresas”, referiu a APEFE, que disse estar “cansada de esperar”.

O setor da cultura “é hoje o mais afetado” pela pandemia de Covid-19, registando uma quebra de 90% de receitas, mesmo depois de ter conseguido retomar parte da atividade após 01 de junho último. Promotores, salas de espetáculos, artistas, autores, técnicos, agentes, empresas de audiovisuais e equipamentos e todos os trabalhadores da Cultura, “têm cumprido rigorosamente, nos últimos meses, as regras definidas pela Direção-Geral da Saúde, dando um exemplo de responsabilidade e civismo e demonstrando que a cultura é segura”, referiu a associação.

A APEFE recordou terem sido “proibidos” de trabalhar “em 12 dias dos últimos 28”, sem que tenham sido “anunciados apoios especiais para a Cultura, tal como foram, e bem, para outros setores de atividade”.

Em 23 de novembro, Sandra Faria, da APEFE, disse à agência Lusa que a associação tinha dificuldade em compreender as medidas restritivas para a cultura anunciadas pelo primeiro-ministro durante o estado de emergência decretado na altura para conter a pandemia de Covid-19 e exigiu “investimento no setor”.

É mais uma medida que, mais uma vez, não conseguimos compreender. Se temos os membros do Governo e o próprio primeiro-ministro a dizer que ir a um espetáculo é seguro, porque é que fazem essas restrições aos fins de semana, que é quando as pessoas podem ir a salas de espetáculos?”, questionou Sandra Faria, na altura, numa referência ao recolher obrigatório e às limitações de circulação, impostos durante o estado de emergência.

Dois dias antes, a APEFE promovera, no Campo Pequeno, em Lisboa, um protesto em que alertava para a situação “trágica” vivida no setor.

Mercado dos espetáculos caiu 87%. O que pede o setor, que se manifesta este sábado em Lisboa