A pandemia provocada pela Covid-19 terá motivado Juan Carlos a não regressar a Espanha a tempo da quadra natalícia, comentou um amigo do monarca ao El Español, mas tudo pode mudar com a chegada das primeiras vacinas. “Ele pensa vacinar-se ali — já começou a vacinação em Abu Dhabi — e voltar quando conseguir”, comentou a fonte não identificada, ainda que seja proveniente da localidade galega de Sanxenxo.

Aos 82 anos de vida seria improvável imaginar-se a passar o Natal longe de casa, mas foi precisamente isso que aconteceu em 2020, ano maldito para Juan Carlos. Exilado em Abu Dhabi desde agosto, o rei emérito espanhol passou a noite de 24 de dezembro na companhia de um empresário inglês, que vive metade do ano na capital dos Emirados Árabes Unidos e a outra metade em Londres, da mulher e da filha deste.

Em Abu Dhabi Juan Carlos não é apenas próximo da família real, uma vez que a rede de contactos é vasta. Talvez por isso um carro o tenha vindo buscar ao hotel onde está hospedado para então passar a noite na companhia do já referido empresário britânico.

Felipe VI. “Os princípios éticos estão acima de considerações familiares”

Juan Carlos seguiu à distância o discurso do filho, Felipe VI, que sem citar diretamente o nome do pai, defendeu os princípios éticos acima das considerações familiares. “Ele estava contente. Brincou ao telefone no dia seguinte, afirmando que já tinha usado essa fórmula quando teve de dizer no seu discurso de Natal de 2010 algo sobre Urdangarín [cunhado do rei] sem citá-lo”, comentou a mesma fonte.

Mais de 10 milhões de telespetadores seguiram atentamente as palavras do rei, que em março deste ano renunciou a qualquer futura herança a que tinha direito de Juan Carlos — tratou-se do discurso de Natal com mais audiências.

Quem é o milionário mexicano envolvido na nova polémica com Juan Carlos?

Em 2020, Juan Carlos começou por ser alvo de investigações em Espanha e na Suíça por possíveis delitos financeiros, que o levaram a abandonar o país de origem em agosto passado. Em novembro soube-se de mais duas investigações: uma envolvendo cartões de crédito cujos fundos eram procedentes de uma conta que tinha como titular o multimilionário Sanginés-Krause; a outra a propósito de nova fortuna escondida na ilha de Jersey, a maior das ilhas do Canal da Mancha.