A “reformulação dos quadros competitivos das competições profissionais” é um dos desafios que o presidente da Federação Portuguesa de Futebol aponta como prioritários para os próximos anos. Mas a linguagem, algo técnica, pode ser traduzida para palavras mais simples: a FPF está a olhar para as principais competições internas de futebol — Campeonato, Taça de Portugal e Taça da Liga — e o número de jogos disputados é considerado demasiado elevado.

A posição foi assumida por Fernando Gomes em entrevista ao jornal Record (edição em papel). O presidente da Federação Portuguesa de Futebol defendeu que “a excessiva carga competitiva tem implicações nas prestações das equipas que estão nas competições europeias”, ou seja,  defendeu que os muitos jogos disputados em Portugal somados a jogos europeus configuram um problema sério ao rendimento das equipas.

Questionado sobre se considera fundamental reduzir o número de clubes da 1ª Liga (que já teve 16 equipas e agora tem 18) para aliviar o calendário dos clubes que têm de conciliar provas nacionais com competições europeias, o presidente da FPF respondeu: “Com 18 clubes são 34 jornadas; e há Taça de Portugal, Taça da Liga… É necessário que haja maior competitividade e equilíbrio de densidade competitiva”. A solução “pode passar por uma redução de clubes [na 1ª Liga] e reformulação de outras competições [Taças]”. Por ora, “os cenários estão todos em aberto” mas algo será feito para mudar o panorama competitivo.

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Na entrevista, Fernando Gomes assumiu ainda o objetivo do campeonato português “reconquistar o 5º lugar do ranking” internacional, superiorizando-se ao campeonato francês de modo a ter “três equipas na Liga dos Campeões”. E voltou a dizer que a centralização de direitos televisivos — ou seja, a venda dos direitos televisivos da Liga como um “bolo” completo, ao invés dos direitos serem negociados e vendidos clube a clube — é necessária para permitir “uma melhor distribuição da riqueza”.

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Segundo o presidente da FPF, “deve estar prestes a ser aprovado um decreto-lei que obriga à centralização dos direitos a partir da época 2026/2027”. A demora na mudança serve para salvaguardar os contratos que os clubes já assumiram com operadores privados até essa época desportiva. E não é preciso inventar a roda, nota Fernando Gomes: “Conhecemos modelos de outros países, onde a diferença entre o [clube] que recebe mais e o [clube] que recebe menos não é tão acentuada como Portugal”.

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A Champions em Portugal que “não teve custo” e o match fixing

Fernando Gomes falou ainda na entrevista da fase final da Liga dos Campeões disputada em Portugal no ano passado, garantindo que “não teve qualquer custo” e “o Estado português não precisou de investir um cêntimo” porque a competição trouxe “retorno” para o país. Lamentou a falta de apoios do Governo à atividade desportiva (foi anunciado um “fundo de apoio” mas “não viu a luz do dia”) e o impacto da Covid-19 no futebol, que paralisou o futebol e o desporto de formação, tirou receitas ao futebol profissional e reduziu em muito o número de clubes e praticantes de futebol e desporto federados. E falou do problema de suspeitas de jogos combinados nas competições nacionais, o chamado match fixing: “Temos de ser capazes de criar uma autoridade para lutar contra isto, que não é só um problema de Portugal e tem sido debatido na FIFA e na própria UEFA”.

Para dar conta dos riscos associados à relação entre apostas desportivas e resultados dos jogos de competições nacionais, o presidente da FPF avançou um número: por ano, apostam-se 11 mil milhões de euros em jogos das principais competições do futebol português (1ª Liga, 2ª Liga, Campeonato de Portugal e Liga Revelação), 8,5 mil milhões dos quais em jogos da primeira divisão.