José Caldeira faturou cerca de um milhão e 125 mil euros à SAD do Porto em 2016 e 2017 enquanto empresário do jogador Rúben Neves. Caldeira, que é irmão de Adelino Caldeira, administrador da SAD do FC Porto e homem de confiança de Pinto da Costa, está ainda indiretamente ligado a uma operação que levou a SAD portista a pagar cerca de um milhão de euros a Paulo Lalanda Castro em 2012 pela venda de 60% do passe do jogador senegalês Abdoulaye Ba. Estas informações foram reveladas este sábado pelo jornal Público.

O Observador contactou a SAD do FC Porto para uma reação a estas informações mas ainda não obteve resposta até ao momento.

Recorde-se que, tal como o Observador noticiou em exclusivo, Lalanda Castro, ex-patrão de José Sócrates enquanto líder da farmacêutica Octapharma Portugal, está a ser investigado pelo Ministério Público por suspeitas de fraude fiscal e branqueamento de capitais por uma parceria estabelecida com o Futebol Clube do Porto SAD para investir cerca de dois milhões de euros na compra do passe do jogador Walter Henrique Silva.

MP investiga parceria entre ex-patrão de Sócrates e FC Porto. SAD do Porto confirma negócio

O que o Público revela agora é que Walter não foi o único jogador que levou a negócios entre Lalanda Castro e a SAD liderada por Pinto da Costa. Depois desse negócio em 2010, o principal arguido no caso da Máfia do Sangue recebeu na época de 2012-2013 cerca de 1,1 milhões de euros pela venda de 60% do passe de Abdoulaye Ba.

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Este jogador senegalês foi contratado em 2008 pelo Porto com apenas 17 anos. Na época de 2010-2011, precisamente 60% do passe de Abdoulaye Ba passou para as mãos da Unifoot — Gestão e Eventos de Carreiras Profissionais Desportivos, SA, a empresa de José Caldeira. Os relatórios e contas da SAD do Porto consultados pelo Público são omissos em relação ao valor que a empresa de Caldeira pagou aos portistas mas são os mesmos documentos oficiais que referem que a sociedade offshore Pearl Design de Lalanda Castro passou a ser a proprietária de 60% do passe de Abdoulaye Ba e vendeu tal ativo ao Porto em setembro de 2012. Desconhece-se como a Pearl Design terá adquirido tais 60% e se os comprou diretamente à Unifoot ou se houve algum intermediário.

O que se sabe, contudo, é que a Unifoot de José Caldeira representou igualmente jogadores importantes do FC Porto, nomeadamente Raul Meireles e Rúben Neves. Em 2009-2010, por exemplo, a SAD do Porto informou o mercado que tinha cedido 10% do passe de Meireles à empresa de Caldeira. Tal transferência foi feita por conta de “direitos de crédito”. O jogador foi transferido para o Liverpool em agosto de 2010 por cerca de 13,3 milhões de euros, sendo que os relatórios e contas de 2010-2011 e 2011-2012 referem que foi deduzido ao valor da venda os custos de intermediação e “5% dos direitos económicos” que pertenciam à Unifoot, cita o Público. Não é claro quem recebeu esse valor referente a 5% do passe de Meireles.

Certo é que a empresa de Caldeira, enquanto representante de Rúben Neves, recebeu em 2016 e 2017 cerca de 1 milhão e 125 mil euros da SAD do Porto. Os portistas começaram por ceder à Unifoot uma percentagem de 5% a 10% do passe do Rúben Neves em outubro de 2014, tendo ainda pago 100 mil euros por Neves ter alinhado mais de 45 minutos em 20 encontros e 225 mil euros pela intermediação na renovação do contrato do jogador.

Com a venda do passe do jogador ao Wolverhampton em julho de 2017, José Caldeira terá recebido mais 800 mil euros através da Prestige Sports, segundo denúncia do site Football Leaks.

Acrescentado contacto feito com a SAD do FC Porto antes da publicação da notícia