Começou a dar nas vistas nos Mundiais juniores de 2006, quando foi terceiro classificado na prova dos 100 metros além de conquistar o ouro na estafeta dos 4×100 metros. Depois, teve uma “medalha” inesperada em 2008, quando Usain Bolt descreveu o compatriota jamaicano como o atleta capaz de conseguir vencê-lo, a “Besta” que não lhe dava descanso nos treinos. Em 2011, num dos poucos erros que o mais rápido do mundo cometeu ao longo da carreira, conquistou o primeiro lugar nos 100 metros nos Mundiais de 2011, em Daegu. No ano seguinte, nos Jogos de Londres, foi a sombra de Bolt com prata nos 100 e nos 200 metros e ouro em conjunto nos 4×100 metros.

Yohan Blake tinha pouco a ver com Bolt à exceção da naturalidade. Era bem mais baixo, mais novo também, com uma massa muscular mais robusta, com um estilo de corrida diferente. No entanto, foi o corredor que conseguiu estar mais perto de bater a antiga lenda da velocidade, mantendo os registos de 9,69 aos 100 metros e 19,62 aos 200 metros que valem a descrição de segundo homem mais rápido de sempre. E é isso que a Besta tem tentado mostrar desde os Jogos de 2016, tendo ficado sempre à beira do pódio nas provas individuais não só aí mas também nos Campeonatos do Mundo. Aos 31 anos, os Jogos de Tóquio surgem como solução para uma última grande conquista (mesmo já não sendo favorito como em Londres). Mas trazem também um problema.

A minha mente continua forte. Não quero nenhuma vacina [para a Covid-19]. Prefiro falhar os Jogos do que receber uma vacina, não vou aceitá-la. Estou feliz assim. Não quero agora entrar em pormenores mas tenho as minhas razões para isso. Estou desejoso que comece a época internacional, em maio”, referiu o velocista, em declarações citadas pelo Jamaica Gleaner.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

O governo do país vai receber o primeiro carregamento de vacinas no decorrer da próxima semana, num valor entre 146.000 a 249.000 doses da vacina da AstraZeneca através da COVAX, um fundo de acesso global para vacinas que foi formado por entidades públicas e privadas, numa altura em que as provas desportivas de atletismo também começaram, com o primeiro de oito meetings realizado este sábado. Não existe para já qualquer informação por parte do Comité Olímpico da Jamaica sobre a administração ou não de vacinas aos atletas que participem nos Jogos, sendo no entanto certo que Yohan Blake não irá receber.

De acrescentar que a organização dos Jogos de Tóquio já referiu a todos os Comités Olímpicos Nacionais que não irá obrigar nenhum país a vacinar os seus desportistas, embora alguns tenham, por iniciativa própria, colocado os atletas olímpicos como prioritários e já com as primeiras doses administradas ou em vias de, casos de Lituânia, Hungria, Sérvia, Israel ou Singapura, como refere o As. Já a Alemanha, o Canadá, a Grã-Bretanha ou a Itália confirmaram que não pediram prioridade para as suas delegações. O Comité Olímpico de Portugal colocou a situação à consideração das autoridades competentes, pedindo a vacinação para todos os elementos da Missão.